
As exportações brasileiras de petróleo recuaram 42,1% em maio de 2026 na comparação anual, totalizando 5,49 milhões de toneladas. O imposto de exportação instituído em março e o aumento do processamento nas refinarias domésticas da Petrobras explicam a queda abrupta nos embarques. Em valor, as vendas externas somaram US$ 3,82 bilhões, redução de 9,3% na comparação com maio de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Imposto de exportação e refinamento interno como vetores da queda
O Brasil criou o imposto de exportação de petróleo em março de 2026, após a disparada dos preços internacionais provocada pelo início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã no fim de fevereiro. O objetivo do governo foi elevar a arrecadação para financiar subsídios aos combustíveis no mercado doméstico.
Ao mesmo tempo, a Petrobras elevou o processamento em suas refinarias para reduzir a dependência de importações de combustíveis. O resultado é visível nos dados: as exportações de óleos combustíveis refinados — excluindo o petróleo bruto — cresceram 17% em volume e 75,2% em valor na comparação anual, atingindo 1,48 milhão de toneladas e US$ 1,20 bilhão respectivamente.
O preço médio de exportação do petróleo bruto subiu 56,7% na comparação anual, para US$ 695,99 por tonelada, o que atenuou parcialmente o impacto da queda de volume sobre a receita cambial.
Minério de ferro recua; cobre dispara
As exportações de minério de ferro e concentrados registraram queda de 19,4% em volume em maio, para 28 milhões de toneladas, e de 15,2% em valor, para US$ 1,97 bilhão. O preço médio subiu 5,3%, para US$ 70,33 por tonelada.
Em sentido oposto, os embarques de minérios de cobre e concentrados dobraram: alta de 102% em volume, para 233,4 mil toneladas, e de 149,4% em valor, para US$ 1,03 bilhão. O preço médio do cobre avançou 23,5% na base anual.
Exportações de ouro explodem em volume
As exportações de ouro não monetário somaram 87,15 toneladas em maio de 2026, mais de quinze vezes acima das 5,5 toneladas registradas no mesmo mês de 2025. Em valor, os embarques alcançaram US$ 728,4 milhões, alta de 56,7% na comparação anual. O preço médio por tonelada recuou 90,1%, para US$ 8,36 milhões, reflexo de mudanças na composição e qualidade do material exportado.
Agro: soja avança com safra recorde, café recua
As exportações de soja totalizaram 14,83 milhões de toneladas em maio, avanço de 5,1% na comparação anual. O desempenho reflete o escoamento de uma safra recorde no Brasil. Para investidores atentos ao setor de investimentos em commodities agrícolas, o dado reforça o protagonismo do Brasil na oferta global de grãos.
Os embarques de café verde recuaram 8,6%, para 155,6 mil toneladas, pressionados por estoques baixos enquanto a colheita da nova safra está em estágio inicial. As exportações de açúcar somaram 1,97 milhão de toneladas, queda de 11,9% na base anual.
Proteínas animais em alta
As exportações de carne de aves atingiram 461,5 mil toneladas em maio de 2026, crescimento de 27,9% na comparação anual, sinalizando forte demanda externa pelo produto brasileiro.





