Presidente Donald Trump em evento no Salao Oval da Casa Branca
O presidente dos EUA, Donald Trump, em evento sobre energia no Salao Oval, em meio a divisao entre evangelicos sobre suas políticas.

A base política do presidente Donald Trump, composta por cristãos evangélicos, apresenta sinais de erosão, segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta quinta-feira. O levantamento, que ouviu 4.531 adultos norte-americanos entre 3 e 8 de junho, revela que cerca de metade desse grupo considera as ações do governo no Irã e na imigração incompatíveis com sua fé, um fator que pode influenciar o cenário eleitoral de meio de mandato e, consequentemente, a percepção de risco para os mercados financeiros.

Divisão sobre política no Irã

Cerca de 54% dos evangélicos na pesquisa afirmaram que o uso das Forças Armadas por Trump no Irã não estava de acordo com sua compreensão do cristianismo, enquanto 41% disseram que estava. A divergência ocorre em um momento em que a guerra no Irã elevou drasticamente os preços da gasolina nos EUA, impactando a economia doméstica e a popularidade do presidente. Apesar de Trump ter conquistado 81% dos votos dos evangélicos brancos em 2024, segundo análise do Pew Research Center, a atual divisão sinaliza possíveis fragilidades na coalizão republicana.

A porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, defendeu o governo, afirmando que Trump cumpriu promessas para com as pessoas de fé ao defender direitos religiosos e perdoar ativistas antiaborto. ‘Nunca houve um presidente melhor para os cristãos norte-americanos do que o presidente Trump’, declarou. No entanto, os números sugerem que a retórica religiosa do governo, incluindo a do secretário de Defesa Pete Hegseth, pode não estar ressoando totalmente com a base evangélica.

Imigração também divide opiniões

Na política de imigração, 51% dos evangélicos disseram que a abordagem do governo não está de acordo com os valores cristãos, contra 44% que acreditam que está. O tema é sensível para o eleitorado evangélico, que historicamente valoriza aspectos morais e humanitários. A divisão reflete um dilema interno: embora muitos apoiem a aplicação rigorosa das leis, parte do grupo vê contradições com ensinamentos de acolhimento e compaixão.

Essa cisão pode ter implicações diretas para as eleições de meio de mandato em novembro, quando os republicanos defenderão maiorias estreitas no Senado e na Câmara dos Deputados. Com a aprovação geral de Trump entre todos os adultos norte-americanos em apenas 35%, a manutenção do apoio evangélico é crucial para evitar derrotas que poderiam alterar o equilíbrio de poder em Washington e, por extensão, as políticas econômicas e comerciais que afetam os mercados globais.

Queda na aprovação e riscos eleitorais

O índice de aprovação de Trump entre os evangélicos ficou em 52% na última pesquisa, abaixo dos 61% registrados em agosto. A queda acompanha a impopularidade da guerra no Irã e o aumento dos preços dos combustíveis. Para os investidores, a deterioração do apoio político a Trump pode aumentar a incerteza sobre a continuidade de suas políticas de desregulamentação e cortes de impostos, pilares do ciclo de alta dos mercados nos últimos anos.

A pesquisa Reuters/Ipsos tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi conduzido em todo o país, com amostra robusta de 4.531 adultos. Os dados reforçam que, mesmo entre grupos tradicionalmente leais, como os evangélicos, o desgaste do governo Trump é real e monitorado de perto por analistas políticos e econômicos.