
O dólar comercial registrava queda de 0,31% nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, cotado a R$5,085 na venda, enquanto o mercado direciona sua atenção para os desdobramentos das negociações entre Estados Unidos e Irã. No exterior, a moeda americana opera com sinais mistos, refletindo a incerteza sobre um possível acordo que pode ser anunciado já no fim de semana, conforme declarou o presidente Donald Trump. Em contrapartida, Teerã afirma ainda não ter tomado uma decisão final, o que mantém a volatilidade nos mercados globais de câmbio.
No Brasil, o pregão também foi influenciado pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que subiu 0,58%, abaixo dos 0,67% de abril, mas acima da expectativa mediana de 0,53% dos economistas consultados pela Reuters. O acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, superando levemente o consenso de 4,66%, o que reacende o debate sobre o próximo passo do Banco Central na reunião da semana que vem. Para uma análise mais detalhada sobre inflação e juros, acesse nossa seção de economia.
Cenário geopolítico e seus reflexos no câmbio
A possibilidade de um acordo nuclear entre EUA e Irã tem se consolidado como o principal driver das oscilações cambiais nos últimos pregões. Na visão de analistas, um acerto diplomático poderia reduzir as tensões no Oriente Médio e, consequentemente, diminuir a demanda por ativos de proteção como o dólar. Contudo, a ausência de uma sinalização definitiva por parte de Teerã mantém o mercado em compasso de espera, gerando movimentos contraditórios nas principais moedas emergentes.
Enquanto o dólar se valorizava frente à rupia indiana, ao peso chileno e ao peso mexicano, registrava desvalorização ante o peso colombiano, o rand sul-africano e o real brasileiro. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana contra seis divisas fortes, operava estável, com leve alta de 0,01% a 99,744 pontos, sinalizando que o mercado ainda busca direção clara.
IPCA de maio surpreende e acirra debate sobre a Selic
O IPCA de maio veio ligeiramente acima do esperado, com destaque para a abertura do indicador que mostrou melhora em alguns componentes, mas ainda pressionando o núcleo da inflação. Esse cenário mantém a incerteza entre os agentes financeiros sobre a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira. Atualmente, a taxa Selic está fixada em 14,50% ao ano, um patamar bem superior ao praticado por economias como Estados Unidos e Japão, o que historicamente atrai fluxo de capital estrangeiro para o Brasil.
No entanto, a dúvida sobre um possível corte adicional ou uma pausa no ciclo de aperto monetário tem limitado o apetite por risco. O diferencial de juros, que vinha sendo apontado como um fator de incentivo à entrada de dólares, pode perder força caso o BC opte pela manutenção da taxa, especialmente se a inflação se mostrar resiliente. Para os investidores, a combinação de dados de inflação mistos e incertezas externas gera um ambiente cauteloso, refletido na leve apreciação do real frente ao dólar nesta sessão.
Perspectivas para os próximos dias
O mercado de câmbio doméstico segue atento tanto aos desdobramentos diplomáticos quanto à sinalização do Banco Central. Ontem, o dólar à vista fechou em baixa de 1,40% a R$5,100, e a tendência de curto prazo dependerá da confirmação ou não do acordo entre as potências. Caso o pacto seja selado, é possível que o real continue seu movimento de valorização, testando o patamar de R$5,00 nos próximos dias.
Por outro lado, se as negociações fracassarem ou se a inflação doméstica surpreender novamente para cima, o cenário pode se inverter rapidamente. A volatilidade deve permanecer elevada, com os investidores ajustando suas posições conforme novas informações surjam. Recomenda-se cautela e acompanhamento próximo dos comunicados oficiais tanto do governo americano quanto do Banco Central brasileiro.





