
O vice-presidente de Produtos & Inovação da Visa no Brasil, Frederico Succi, projeta que as stablecoins devem se consolidar como um instrumento de pagamento transfronteiriço, enquanto o Bitcoin se mantém como uma alternativa de reserva financeira. A avaliação foi apresentada durante a Blockchain Rio, em um momento em que o setor de ativos digitais busca ampliar sua integração com o sistema financeiro tradicional.
Na conversa, Succi destacou que, apesar do avanço, as stablecoins ainda são pouco utilizadas em pagamentos no mundo quando comparadas ao volume total de dinheiro movimentado. O executivo, no entanto, observou que esse volume está crescendo e atribuiu parte do estágio inicial à necessidade de educar consumidores e empresas. Um dos obstáculos apontados é a fragmentação do setor, com diversas redes, carteiras e moedas convivendo no mercado.
Criptomoedas como oportunidade para a Visa
O executivo afirmou que as criptomoedas não nasceram para resolver um problema de pagamento, mas outros, e que a missão da Visa é claramente facilitar a movimentação de valores entre duas partes. Com liquidações em cripto operando 24 horas por dia, sete dias por semana, a companhia vê espaço para uma atuação conjunta. Succi citou como exemplo a dificuldade de gastar stablecoins diretamente em um comércio, mas a facilidade de recarregar um cartão com esses ativos e usá-lo em diversos estabelecimentos.
“Movimentar o dinheiro, ter essa tecnologia é importante, mas construir essa rede global de confiança é a tarefa mais difícil. E aí que eu acho que a Visa, se unindo e investindo, apostando nessa tecnologia de cripto, aporta um valor que é muito particular da nossa empresa”, afirmou. Para ele, a Visa acompanhou o mercado de criptomoedas desde o início, mas esperou o crescimento do setor antes de entrar. A mudança de postura ocorreu quando as próprias criptomoedas passaram a buscar na companhia uma camada de governança, regras e confiança que faltava no ecossistema.
Regulação e o papel do Genius Act
Sobre o ambiente regulatório brasileiro, Frederico Succi disse que a regulação está claramente melhorando, embora ainda precise ser aprimorada ao longo do tempo. Na avaliação dele, o atual marco é muito bom e destravou o apetite de vários jogadores, incluindo bancos e outras empresas do setor financeiro. Ele lembrou que grandes bancos tinham interesse, mas esperavam a definição das regras para não precisar desfazer movimentos futuros. “A existência de regulação do contorno, das condições de contorno, é sempre importante para o mercado se organizar e para nivelar o apetite a risco de todo mundo”, disse. O executivo também elogiou o Banco Central, afirmando que a instituição tem sido referência no tema.
Nos Estados Unidos, Succi citou o Genius Act como o marco que permitiu a criação da Open Standard, iniciativa que reúne Visa, BlackRock e outras gigantes, focada no lançamento da stablecoin OpenUSD.
Bitcoin como reserva, stablecoins como pagamento
O executivo também apresentou uma visão particular sobre o futuro das criptomoedas. Para ele, o Bitcoin se tornou quase um ativo de investimento, com caso de uso ligado à retenção de dinheiro e potencial de ganho de capital ao longo do tempo. As stablecoins, por outro lado, atacam o problema de pagamentos de forma mais frontal. Ele observou que o maior volume de stablecoins ainda acontece dentro do mercado de criptomoedas, seja entre carteiras ou na compra de outros ativos.
“Você precisa fazer com que cresça a aceitação, a adoção. Existe um trabalho aqui de educação, de como usar isso, e de preparação, não só dos comércios, mas das empresas para aceitar esse ativo financeiro, mas está crescendo e crescendo rápido”, completou. Segundo ele, as stablecoins vão se consolidar como instrumento de pagamento cross border por oferecerem vantagens que outros meios não conseguem, enquanto o Bitcoin se manterá como alternativa de reserva financeira, sujeito à oscilação de valor.
Por fim, Frederico Succi apontou que o usuário final ainda enfrenta dificuldades com as criptomoedas por causa da fragmentação do setor, incluindo a necessidade de lidar com múltiplas redes e carteiras.





