A recente mudança na política de detenção de Bitcoin da Strategy, formalizada com a venda de US$ 216 milhões em BTC e a adoção de uma estrutura de capital que permite o uso das reservas para pagar dividendos de ações preferenciais, gerou uma onda de questionamentos sobre a estratégia de comunicação da empresa. O Standard Chartered, por meio de seu chefe global de pesquisa de ativos digitais, Geoff Kendrick, considerou que a falta de clareza de Michael Saylor está turvando as perspectivas de curto prazo para o Bitcoin.
Mudança de postura da Strategy gera incerteza no mercado
De acordo com documento protocolado na SEC em 6 de julho, a Strategy vendeu o equivalente a US$ 216 milhões em Bitcoin, reduzindo suas participações totais para 843.775 tokens. A companhia também apresentou uma nova estrutura de capital que autoriza a venda de BTC para financiar dividendos das ações preferenciais STRC, cuja taxa anual foi elevada para 12%. A reserva em dólares americanos da empresa saltou para US$ 2,55 bilhões, indicando um acúmulo de caixa que contrasta com a tradicional postura de nunca vender a criptomoeda.
No domingo, Saylor publicou em sua conta no X a frase “os pontos laranja contam apenas parte da história”, acompanhada de um gráfico do Saylortracker.com, reiterando um padrão de comunicação que no passado antecedeu anúncios de novas compras de Bitcoin. Desta vez, porém, o contexto indica uma abordagem diferente: a empresa está disposta a se desfazer de parte de seu tesouro digital para cumprir obrigações financeiras com acionistas preferenciais.
Analista do StanChart aponta falhas na sinalização de mercado
Geoff Kendrick, chefe global de pesquisa de ativos digitais do Standard Chartered, afirmou que a comunicação recente de Saylor está dificultando a leitura do mercado sobre os próximos passos do Bitcoin. Para o analista, a sinalização eficaz da nova estratégia da MSTR — que utiliza Bitcoin para lastrear as ações STRC — é fundamental para tranquilizar os investidores de que uma venda em larga escala não está nos planos. Kendrick acredita que, se a mensagem for transmitida com clareza, a própria necessidade de vender BTC desapareceria, sustentando o preço da criptomoeda e, consequentemente, o valor das ações preferenciais.
O banco britânico mantém a previsão de que o Bitcoin termine o ano de 2026 cotado a US$ 100 mil, mas condiciona essa meta à capacidade de Saylor e da Strategy de explicar de forma consistente a nova política de monetização de ativos digitais. Kendrick destacou que a antiga abordagem de “nunca vender” limitava o potencial das reservas de BTC e que a empresa começou a alterar sua estratégia de comunicação nos últimos meses, mas ainda carece de consistência.
Impacto sobre as ações e perspectivas para o Bitcoin
As ações ordinárias da Strategy, negociadas sob o código MSTR, acumulam uma desvalorização superior a 70% desde julho de 2025, fechando a última sexta-feira cotadas a US$ 94,64, muito abaixo da máxima de 52 semanas de US$ 457,22. Já as ações preferenciais STRC, lançadas com valor nominal de US$ 100, atingiram o menor patamar desde sua emissão, há um ano, refletindo o ceticismo dos investidores em relação à nova estratégia de capital.
A empresa está programada para divulgar os resultados do segundo trimestre em 30 de julho. O consenso de analistas aponta para um lucro por ação de US$ 4,28, mas o histórico recente não é animador: em seis dos últimos oito trimestres, a Strategy ficou abaixo das estimativas, incluindo uma surpresa negativa de 33,76% no primeiro trimestre de 2026. Apesar das turbulências, o Standard Chartered mantém a meta de US$ 100 mil para o Bitcoin ao final do ano, desde que a comunicação de Saylor traga a clareza necessária ao mercado.





