O CEO da StarkWare, Eli Ben-Sasson, propôs nesta terça-feira, 8 de julho de 2026, a substituição do limite fixo de 21 milhões de Bitcoins por uma taxa de inflação anual de 4%, reacendendo um dos debates mais fundamentais da comunidade cripto. A proposta, apresentada em uma publicação no X, argumenta que a perda contínua de chaves privadas torna o teto atual ineficaz no longo prazo, enquanto críticos veem a medida como uma ameaça à escassez programada do ativo digital.
Argumentos a favor da inflação controlada
Eli Ben-Sasson defendeu que, à medida que o tempo avança, a perda de chaves privadas reduz a oferta circulante de Bitcoin, o que, segundo ele, tornaria o limite de 21 milhões irrelevante. Dados da Ledger, fabricante de hardware para carteiras, estimam que até 4 milhões de Bitcoins já foram perdidos ou queimados de forma irreversível. Para Ben-Sasson, uma taxa de inflação fixa de 4% ao ano acompanharia o crescimento populacional global, mantendo a escassez relativa do ativo sem comprometer sua utilidade como reserva de valor.
O executivo ainda afirmou que o Bitcoin continuaria sendo escasso, desde que a emissão permanecesse previsível e imutável. Em sua visão, a proposta não enfraquece a narrativa de “ouro digital”, mas a adapta a uma realidade onde moedas são perdidas continuamente, o que poderia levar a uma contração da oferta no longo prazo.
Resistência da comunidade e defesa do limite máximo
A reação dos entusiastas do Bitcoin foi imediata e contundente. Críticos apontaram que o Bitcoin é divisível em 2,1 quatrilhões de satoshis, o que garante unidades suficientes para todos, mesmo com perdas. No entanto, Ben-Sasson rebateu que essas unidades base também tenderiam a zero com o tempo, invalidando o argumento da divisibilidade. Outros opositores compararam a mudança a uma “ditadura monetária” que descaracterizaria o Bitcoin, tornando-o similar a moedas fiduciárias ou outras criptomoedas sem limite de oferta.
Um dos principais defensores da escassez absoluta, Michael Saylor, presidente executivo da Strategy, planeja queimar suas chaves privadas de Bitcoin após sua morte como uma “contribuição proporcional” para os demais detentores, aumentando a escassez das moedas restantes. Para Saylor e muitos bitcoiners, a perda de chaves é um mecanismo natural de redução de oferta que beneficia os hodlers, não um problema a ser resolvido com inflação.
Alternativa do Zcash e os desafios de governança do Bitcoin
Bryce “Zooko” Wilcox, fundador do Zcash, sugeriu que os desenvolvedores do Bitcoin considerem o “Mecanismo de Sustentabilidade da Rede” em desenvolvimento no ecossistema Zcash. A proposta mantém o limite de 21 milhões de unidades, mas permite que usuários queimem tokens, que são gradualmente reemitidos como recompensas por bloco em ciclos de quatro anos, aliviando a pressão sobre os incentivos dos mineradores sem romper o teto máximo.
No entanto, implementar qualquer alteração no protocolo do Bitcoin exige consenso entre desenvolvedores, mineradores e operadores de nós, um processo notoriamente lento e descentralizado. A proposta de Ben-Sasson, embora provocativa, enfrenta barreiras técnicas e políticas significativas para ser sequer considerada em um hard fork. Enquanto isso, o debate expõe as diferentes visões sobre o futuro da moeda criada por Satoshi Nakamoto, especialmente em um cenário de perda gradual de oferta e necessidade de incentivos de longo prazo para mineradores.
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