A nova regra do Banco Central para empresas de ativos virtuais pode diminuir o número de companhias autorizadas. A estimativa apresentada é que menos de 10% das operações atuais consigam licença para continuar no mercado.

Para Carlos Akira Sato, um dos fundadores da Syscapital e especializado em tokenização de ativos e mercados regulados, as barreiras de entrada subiram. Ele afirma que as exigências vão além de capital e incluem governança, controles internos, regras antilavagem e contra o terrorismo, segurança, reporte e supervisão contínua. Uma empresa pequena pode até cumprir os requisitos técnicos, mas, segundo ele, o custo de seguir regulada não se justifica diante de sua receita.

A Resolução BCB nº 520 autoriza que instituições que já têm aval do Banco Central ofereçam custódia e intermediação para ativos virtuais. Na avaliação de Akira, isso cria uma alternativa para companhias sem estrutura ou escala para bancar a infraestrutura exigida. Ele diz que as startups não estão condenadas, mas o modelo de competição muda: algumas buscarão licença própria, outras podem ser alvo de aquisição e uma terceira frente deve prestar serviços de tecnologia, distribuição ou contato com o consumidor. Atividades sem licença própria incluem tecnologia, tokenização e APIs.

Akira também vê possível que a estrutura regulada se concentre, sem concentrar marcas. Enquanto instituições bancárias e DTVMs contam com capital e áreas de compliance e governança, startups trazem agilidade e conhecimento em blockchain, o que abre espaço para acordos B2B, compras e parcerias.

Em 30 de outubro de 2026, a oferta de serviços com ativos virtuais será permitida só para companhias com licença ou pedido de autorização em andamento. Akira avalia que a medida cria uma barreira regulatória e limita o acesso à infraestrutura financeira brasileira. Para startups, ele diz, a saída pode ser firmar conexões com instituições que receberem autorização.