O preço do Ether (ETH) registrou alta de 3% entre quinta e sexta-feira, 12 de julho de 2026, impulsionado pelo crescimento da tokenização de ativos reais e pelo lançamento bem-sucedido da Robinhood Chain, que já movimentou milhões em depósitos. No entanto, a criptomoeda não conseguiu romper a resistência dos US$ 1.800, enquanto indicadores on-chain e de derivativos apontam para uma demanda ainda frágil. A dúvida que persiste entre os investidores é se o ETH conseguirá sustentar o suporte dos US$ 1.700 ou se prepara para um novo teste desse patamar.

Tokenização e Robinhood Chain aquecem o ecossistema Ethereum

O Ethereum consolidou sua liderança no mercado de tokenização de ativos do mundo real (RWA), com uma participação de 47% segundo dados da Rwa.xyz. Excluindo as stablecoins, ativos como o Tether Gold (XAUT), o Ondo US Dollar Yield (USDY) e os títulos da Franklin Templeton (iBENJI) destacam-se entre os mais expressivos. A Robinhood Chain, lançada recentemente como rede de camada 2, arrecadou US$ 106 milhões em depósitos de ponte e utiliza ETH como token nativo para taxas, fortalecendo ainda mais o ecossistema compatível com a EVM.

Além disso, a plataforma Robinhood oferece ações tokenizadas a clientes em 120 países, ampliando a base de adoção do Ethereum. O chefe de pesquisa da Lisk, Leon Waidmann, observou que o Valor Total Bloqueado (TVL) no Ethereum atingiu US$ 260 bilhões, superando pela primeira vez a capitalização de mercado do ETH, atualmente em US$ 210 bilhões. Para Waidmann, essa distorção indica que o ativo está subvalorizado em relação ao seu ecossistema, um sinal que historicamente precedeu movimentos de alta.

Métricas on-chain fracas e derivativos limitam potencial de alta

Apesar do otimismo gerado pela tokenização, as métricas on-chain do Ethereum revelam estagnação. A receita semanal dos aplicativos descentralizados (DApps) caiu para US$ 11 milhões, contra US$ 20 milhões no primeiro trimestre de 2026. Os destaques incluem Sky (US$ 3,1 milhões), Titan Builder (US$ 2,4 milhões) e Chalink (US$ 1,1 milhão). Paralelamente, o número de endereços ativos na rede recuou de 5,4 milhões no primeiro trimestre para 3,2 milhões, segundo a DefiLlama.

No mercado de derivativos, a taxa de financiamento anualizada dos futuros perpétuos de ETH caiu para 3%, bem abaixo do limite neutro de 6%, sinalizando demanda fraca por posições compradas. Esse cenário contrasta com o pico de 12% registrado na sexta-feira, indicando que os investidores otimistas perderam confiança. Contudo, os fluxos institucionais continuam a sustentar o preço, com destaque para a BitMine Immersion, que adicionou 198.370 ETH em 30 dias, elevando suas reservas para US$ 10,3 bilhões.

Por fim, a Galaxy Digital realizou um saque de 20.500 ETH (US$ 36 milhões) para uma nova carteira, reforçando o padrão de acumulação. Esses movimentos contrastam com a fraqueza dos indicadores de curto prazo, tornando o cenário para o ETH contraditório. A possibilidade de um novo teste dos US$ 1.700 não pode ser descartada, especialmente se a demanda on-chain não mostrar sinais de recuperação. Acompanhe mais análises sobre o mercado de criptomoedas na SpaceMoney.