As ações da Empery Digital (EMPD) registraram alta expressiva na sexta-feira, 12 de julho, após a gestora de ativos em Bitcoin divulgar a venda de 1.400 Bitcoins — equivalentes a aproximadamente US$ 87,1 milhões — para financiar um data center voltado à inteligência artificial e quitar parte de suas dívidas. O movimento ocorre em um momento de reavaliação das estratégias de tesouraria em criptomoedas, com o capital migrando para setores de maior potencial imediato, como a IA.

Venda estratégica de Bitcoin para projeto de IA

De acordo com comunicado oficial, a Empery vendeu os Bitcoins a um preço médio de US$ 62.200 por unidade nos últimos dois meses. Do montante arrecadado, parte foi destinada à aquisição de uma participação de 25% em um empreendimento imobiliário-industrial da Hunt Properties, que pretende converter um terreno em um centro de dados especializado em inteligência artificial. Outros US$ 10 milhões foram utilizados para amortizar passivos pendentes, reduzindo o endividamento da companhia.

A venda reduziu em 48% as reservas de Bitcoin da Empery, que passaram de 2.914 para 1.514 BTC. Considerando a cotação atual do Bitcoin em torno de US$ 64.144, as participações restantes estão avaliadas em aproximadamente US$ 97 milhões. A empresa já havia realizado vendas menores em março e abril, quando detinha o pico de 4.081 Bitcoins — o maior volume entre as companhias de capital aberto até então.

Pressão de acionista e mudança de estratégia

A decisão de desovar parte do estoque de Bitcoin ocorre meses após o acionista Tice P. Brown, detentor de quase 10% do capital social, exigir o abandono da estratégia de tesouraria centrada em Bitcoin e a renúncia do CEO e de todo o conselho administrativo. Brown argumentava que a alocação maciça em Bitcoin era arriscada e desalinhada com os interesses de longo prazo dos investidores, especialmente após a criptomoeda atingir sua máxima histórica de US$ 126.080 em outubro de 2025.

A Empery havia adotado a estratégia de Bitcoin treasury em meados de 2025, pouco antes do pico, e desde então enfrentava volatilidade excessiva em seu balanço. A pressão de Brown culminou na saída da antiga diretoria e na reorientação do negócio para projetos de infraestrutura digital, como o data center de IA. A venda de Bitcoins, portanto, sinaliza uma guinada pragmática em direção a ativos geradores de receita imediata.

Comparação com Strategy e tendência do mercado

O movimento da Empery não é isolado. A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin, também vendeu 3.588 BTC — no valor de US$ 216 milhões — no início de julho, rompendo com sua tradicional política de “nunca vender”. A venda foi justificada pela necessidade de cobrir dividendos da oferta de ações preferenciais perpétuas Stretch (STRC), cujo valor caiu abaixo do nominal de US$ 100 para menos de US$ 75, gerando dúvidas sobre a sustentabilidade do modelo de dividendos.

Esses movimentos refletem uma mudança de humor no mercado institucional: o apetite por exposição pura ao Bitcoin vem dando lugar a investimentos em inteligência artificial e infraestrutura de dados, setores que oferecem fluxo de caixa mais previsível e menor volatilidade. Para analistas, a tendência pode se acentuar se o Bitcoin continuar oscilando em níveis abaixo de seu recorde histórico, como ocorre desde o final de 2025.

Impacto no mercado e perspectivas

Após o pico inicial de 4,2% nas primeiras negociações, as ações da Empery fecharam o dia com alta de 1,58%, cotadas a US$ 3,86. O desempenho sugere que, apesar da redução na exposição a Bitcoin, investidores reagem positivamente a movimentos que fortaleçam o balanço e gerem receitas operacionais tangíveis.

Com a venda, a Empery reduz sua dependência da volatilidade do Bitcoin e se reposiciona em um setor de alto crescimento — os data centers de IA. Resta saber se a nova estratégia será capaz de gerar retornos consistentes e compensar a diluição das reservas digitais em um cenário de possível recuperação do mercado cripto no médio prazo. Por ora, o mercado parece apostar na diversificação.