A Bitcoin Standard Treasury Company (BSTR), fundada pelo pioneiro do Bitcoin Adam Back, anunciou nesta quarta-feira que não prosseguirá com os termos originais do acordo de fusão com a Cantor Equity Partners I (CEPO), firmado em julho de 2025. As partes estão renegociando a estrutura da transação para refletir as condições atuais do mercado, em um movimento que surpreendeu investidores e analistas do setor de tesouraria digital. As ações da CEPO permanecem sendo negociadas na faixa de US$ 10,50, sinalizando que o mercado aguarda com cautela os próximos desdobramentos.
Reestruturação do acordo e abandono do PIPE
De acordo com comunicado oficial, o plano original previa uma combinação de negócios que levaria a BSTR ao mercado aberto com uma poderosa tesouraria de Bitcoin – a empresa declarava deter US$ 1,5 bilhão em poder de compra. No entanto, a deterioração do ambiente macroeconômico e a volatilidade dos ativos digitais nos últimos meses levaram as diretorias a repensar os termos. O private placement (PIPE) que estava atrelado ao fechamento da operação foi descartado, indicando que os investidores institucionais reduziram o apetite por exposição via estruturas de SPAC.
A assembleia de acionistas da CEPO, originalmente agendada para 10 de julho, foi adiada por tempo indeterminado. Todos os pedidos de resgate submetidos pelos acionistas serão cancelados e as ações devolvidas automaticamente, sem necessidade de ação adicional. Esse movimento técnico sugere que a Cantor busca preservar o caixa e evitar uma onda de saídas que poderia comprometer a viabilidade do negócio. Fontes próximas à negociação indicam que as novas cláusulas devem incluir uma avaliação mais realista da BSTR, alinhada ao preço atual do Bitcoin e à liquidez do mercado de capitais.
Impacto no ecossistema de Bitcoin treasury companies
A desistência dos termos originais levanta questionamentos sobre a viabilidade de outras tesourarias corporativas de Bitcoin que planejam abrir capital via SPAC. Empresas como a MicroStrategy, que inspirou o modelo de tesouraria, utilizam estruturas tradicionais e não enfrentam os mesmos riscos regulatórios e de mercado. A BSTR, por sua vez, tentava combinar a exposição direta ao Bitcoin com a flexibilidade de uma SPAC, mas o cenário de juros altos e aversão ao risco tornou o caminho mais estreito.
Adam Back, conhecido por ser uma das figuras mais influentes na criptografia do Bitcoin, mantém-se como CEO da Blockstream e defensor da tese de que o Bitcoin é o ativo de reserva ideal para balanços corporativos. No entanto, a renegociação mostra que mesmo visionários precisam se adaptar às realidades do mercado financeiro. A expectativa é que a nova estrutura busque simplificar a transação, reduzindo custos e alinhando incentivos entre acionistas da SPAC e da BSTR.
Próximos passos e cenário regulatório
As empresas prometeram divulgar mais detalhes nos próximos filings à Securities and Exchange Commission (SEC). O mercado aguarda a definição de uma nova data para a assembleia e a revelação dos termos revisados. A SEC tem demonstrado maior escrutínio sobre fusões de SPACs com empresas de criptoativos, especialmente após casos de não conformidade contábil. Esse fator pode ter influenciado a decisão de recomeçar as negociações.
Enquanto isso, as ações da CEPO (ticker: CEPO) continuam sendo negociadas, mas com volume reduzido. O prêmio de negociação em relação ao valor fiduciário (trust value) indica que investidores acreditam em um desfecho positivo, mas com menor convicção. Para a BSTR, o tempo é crucial: a empresa precisa concluir a fusão antes que o Bitcoin sofra novas correções ou que o custo de oportunidade se eleve. A renegociação pode ser vista como um sinal de maturidade, mas também expõe fragilidades no modelo de SPAC como veículo para tesourarias digitais.





