O Bitcoin opera em queda de quase 2% nas últimas 24 horas, sendo negociado ao redor de US$ 62 mil, pressionado por um cenário de aversão a risco global que combina escalada militar entre Estados Unidos e Irã, disparada do petróleo e a expectativa pela ata da reunião de junho do Federal Reserve. A movimentação dos preços reflete a redução de posições por investidores institucionais e de varejo, que buscam proteger capital antes de eventos macroeconômicos decisivos.
Impacto das tensões geopolíticas
A retomada das realizações de lucros da Samsung abalou os mercados asiáticos durante a noite, enquanto a escalada militar entre EUA e Irã fez o petróleo subir cerca de 5%, impactando diretamente os ativos de risco. As ações americanas abriram em baixa, contaminando o sentimento no mercado de criptomoedas. O Bitcoin, historicamente sensível a choques geopolíticos, sofreu com a fuga para ativos considerados mais seguros, como o dólar e ouro, embora a correlação com ações de tecnologia tenha se intensificado.
A queda nas ações de semicondutores e inteligência artificial, setores que lideraram o rali recente de risco, ampliou o movimento de vendas. Com isso, o índice de Medo e Ganância (Fear & Greed) voltou a cair na faixa de “medo”, indicando cautela generalizada entre os participantes do mercado cripto.
Movimentação dos derivativos e liquidações
Dados de delta de volume cumulativo (CVD) mostram uma inversão brusca de fluxo. Na segunda-feira, compradores de Bitcoin adicionaram cerca de US$ 705 milhões em posições líquidas, com US$ 585 milhões em contratos futuros e US$ 119 milhões no mercado à vista, levando o BTC acima de US$ 64 mil. Já na quarta-feira, o cenário se inverteu: as vendas em futuros aceleraram para quase US$ 500 milhões, enquanto o mercado à vista registrou US$ 86 milhões em vendas líquidas, totalizando US$ 586 milhões em saídas.
A taxa de financiamento e o interesse em aberto do Bitcoin caíram, refletindo a decisão dos traders de reduzir suas posições alavancadas. Apesar da queda, as taxas de financiamento seguem positivas, indicando que ainda há dominância de posições compradas, mas a pressão vendedora recente derrubou o preço.
Concentração de ordens de compra perto de US$ 61 mil
As liquidações forçadas de quarta-feira foram quase unilaterais do lado comprado: aproximadamente US$ 47 milhões em posições long liquidadas contra apenas US$ 4 milhões em shorts. Segundo a Hyblock, há um grande agrupamento de posições compradas perto de US$ 61 mil. Caso o Bitcoin rompa esse suporte, a cascata de liquidações pode acelerar a queda de forma breve.
Perspectiva macro: Fed e a venda da Strategy
O mercado precifica atualmente 73% de chance de manutenção das taxas de juros na reunião do Fed em 29 de julho, mas a ata da reunião de junho, a ser divulgada na quarta-feira, será acompanhada de perto para pistas sobre o tom do comitê em relação à inflação e possíveis cortes. Qualquer sinalização hawkish pode pressionar ainda mais o Bitcoin.
Além do cenário macro, a venda de 3.588 BTC pela Strategy, empresa que detém o maior tesouro corporativo de Bitcoin, adiciona pressão. Com o preço atual abaixo de seu custo médio de US$ 74.582, cresce o temor de que a empresa possa se tornar vendedora frequente, lançando uma sombra sobre o mercado.
A reversão da tendência de alta ainda não está confirmada. Embora os fluxos de compra no mercado à vista e em ETFs demonstrem apetite na faixa atual, a maior parte do movimento de preço ainda é guiada por futuros. A rápida dissipação da convicção compradora vista na quarta-feira ressalta a fragilidade do rali recente, que dependia fortemente de contratos futuros. Investidores monitoram de perto o desenrolar geopolítico e os próximos passos do Fed.





