Revolut planeja stablecoins em banco nos EUA
Revolut planeja stablecoins em banco nos EUA

A Revolut planeja oferecer stablecoins integradas ao seu futuro banco nos Estados Unidos, ao lado de contas com cobertura do FDIC. A informação foi divulgada pela Reuters nesta quarta-feira (03), com base em declarações de Cetin Duransoy, CEO da empresa no país. O movimento sinaliza a convergência acelerada entre fintechs, criptomoedas e o sistema bancário tradicional americano.

Licença bancária federal como pivô da estratégia

A Revolut protocolou pedido de carta bancária nacional junto ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC) em março de 2026. A aprovação permitiria à empresa operar produtos bancários com seguro federal em todo o território americano sob um único framework regulatório.

Duransoy afirmou que o banco, previsto para entrar em operação no próximo ano, oferecerá contas com garantia do FDIC, depósitos em múltiplas moedas, negociação de ações e serviços de criptoativos. O público-alvo inicial será formado por clientes de varejo e empresas com necessidades de banking internacional, especialmente aqueles que operam com múltiplas divisas.

Stablecoins como diferencial competitivo

A inclusão de stablecoins no portfólio bancário da Revolut vai além de um serviço complementar. A estratégia posiciona a empresa na interseção entre finanças tradicionais e finanças descentralizadas, em um momento em que o Congresso americano avança na regulamentação dessas moedas digitais lastreadas.

O cenário regulatório nos EUA mudou significativamente em 2025 e 2026. O projeto de lei GENIUS Act, voltado para stablecoins, ganhou força no Senado, criando um ambiente mais previsível para emissores e distribuidores dessas moedas. A Revolut se posiciona para capturar esse mercado desde a largada.

Corrida por charters bancários federais no setor cripto

A Revolut não está sozinha nessa corrida. Circle, Coinbase e outras empresas do ecossistema digital têm buscado licenças bancárias federais para ampliar suas operações nos EUA. A aprovação de um charter nacional elimina a necessidade de licenças estado por estado, reduzindo custos operacionais e aumentando a escalabilidade do negócio.

Volume e presença global da Revolut

A Revolut conta com mais de 50 milhões de clientes globalmente e opera em dezenas de países. Nos EUA, a empresa atua há anos com uma licença de transmissão de dinheiro, mas sem os poderes de um banco pleno. A obtenção do charter federal representaria uma virada estrutural na operação americana da fintech britânica.

Impacto no mercado de ativos digitais

A entrada de um player global como a Revolut no segmento de stablecoins via estrutura bancária regulada tende a pressionar volumes de transação on-chain e ampliar a adoção institucional dessas moedas. Stablecoins movimentaram mais de 27 trilhões de dólares em volume on-chain em 2024, segundo dados da Visa Onchain Analytics. A demanda por infraestrutura bancária confiável para esse mercado é crescente e direta.