
O ex-deputado americano George Santos, filho de brasileiros, é investigado por suposta manipulação de apostas na Kalshi, um dos maiores mercados de previsão dos Estados Unidos. Três fontes com conhecimento direto das operações relataram o caso à NPR, e a própria plataforma teria encaminhado denúncia formal à CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA) e ao Departamento de Justiça americano.
A aposta e o esquema investigado
O contrato em questão envolvia a presença de determinadas personalidades no discurso do Estado da União do presidente Donald Trump, realizado em fevereiro de 2026. O nome de Santos figurava entre os listados pela Kalshi como possíveis participantes do evento.
Em 23 de fevereiro, Santos publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que estaria no evento, especificamente na galeria do Capitólio. A declaração foi direta: «Eu vou estar lá para o discurso do Estado da União, na galeria, pessoal.»
O efeito foi imediato. As apostas na presença de Santos saltaram de aproximadamente 13% para 76% em curto intervalo de tempo na plataforma Kalshi.
Reversão abrupta e colapso das odds
No dia seguinte, 24 de fevereiro, Santos publicou nova mensagem afirmando que não estaria presente no evento. «Assistir ao SOTU pela TV de um aeroporto não fazia parte do plano», escreveu. As odds colapsaram a zero rapidamente após o tuíte.
Segundo as três fontes ouvidas pela NPR, Santos teria lucrado dezenas de milhões de dólares com a operação ao apostar nos dois lados do movimento — comprando a posição antes do vídeo e revertendo ou encerrando a exposição após a queda das odds.
Kalshi aciona reguladores e Santos nega ciência
A Kalshi detectou as movimentações atípicas e encaminhou o caso tanto à CFTC quanto ao Departamento de Justiça. As duas agências se recusaram a comentar publicamente sobre a investigação.
Santos, por sua vez, demonstrou surpresa ao ser questionado pela NPR. «Não estou dizendo que sim, nem que não», respondeu ao ser perguntado sobre a existência de uma conta na plataforma.
Contexto: reguladores miram mercados de previsão
O caso Santos ocorre dias após o Departamento de Justiça processar um engenheiro do Google por lucrar milhões na Polymarket, outro mercado de previsões descentralizado, usando informações privilegiadas da empresa. Os dois episódios reforçam o escrutínio crescente dos reguladores americanos sobre plataformas de apostas baseadas em eventos, que movimentam volumes bilionários e operam em zona regulatória ainda em definição. Para investidores expostos a criptomoedas e ativos digitais correlatos, o avanço regulatório sobre esses mercados representa um vetor de risco relevante a ser monitorado.





