Duplicata tokenizada viabiliza crédito externo no Brasil
Duplicata tokenizada viabiliza crédito externo no Brasil

A tokenização da duplicata escritural no Brasil começa a ser vista como instrumento viável para financiamento internacional. Gustavo Blasco, fundador e CEO da GCB, afirma que a digitalização desses ativos abre novas possibilidades de crédito e permite o uso como garantia em operações no exterior.

Como a tokenização da duplicata muda o acesso ao crédito

A duplicata escritural é um título de crédito digital que representa uma obrigação comercial entre empresas. Ao tokenizá-la, a GCB transforma esse ativo em um token registrado em blockchain, tornando a negociação mais ágil e transparente.

Segundo Blasco, a principal vantagem está na flexibilidade. O ativo tokenizado pode ser negociado com investidores nacionais ou internacionais sem a burocracia tradicional do sistema financeiro convencional. Isso reduz custos operacionais e acelera o acesso ao capital de giro.

Uso como garantia em operações internacionais

Um dos pontos centrais da estratégia da GCB é viabilizar o uso das duplicatas tokenizadas como colateral em operações de crédito externo. Blasco aponta que investidores estrangeiros passam a ter acesso a um ativo lastreado na economia real brasileira, com rastreabilidade garantida pela tecnologia de registro distribuído.

Esse modelo conecta diretamente empresas brasileiras a fontes de financiamento global, sem a necessidade de intermediários financeiros tradicionais. Para investidores do setor de criptomoedas que buscam exposição a ativos do mundo real, o modelo representa uma ponte entre DeFi e crédito corporativo convencional.

Particularidades do mercado brasileiro reduzem uso de stablecoins

Blasco também abordou o papel das stablecoins nesse ecossistema. Apesar do uso intenso dessas moedas digitais em outros mercados emergentes, o executivo avalia que o Brasil apresenta características que diminuem essa demanda.

A existência do PIX, a estabilidade relativa do real frente a moedas de países vizinhos e a regulação ativa do Banco Central são fatores que, segundo Blasco, tornam as stablecoins menos necessárias no contexto brasileiro. O foco da GCB permanece na tokenização de recebíveis como principal vetor de inovação financeira no país.

Regulação como diferencial competitivo

O ambiente regulatório brasileiro, com atuação do Banco Central e da CVM na estruturação do mercado de ativos digitais, é apontado como um diferencial. A tokenização de duplicatas opera dentro do marco legal existente, o que reduz riscos jurídicos para emissores e compradores.

A GCB aposta que esse modelo pode escalar rapidamente à medida que mais empresas busquem alternativas ao crédito bancário tradicional, especialmente em um cenário de juros elevados no Brasil.