A dominância de Tether e Circle no mercado de stablecoins é prejudicial ao setor como um todo. Essa é a avaliação de Ben O’Neill, chefe de movimentação de dinheiro da Bridge, que afirma que as duas gigantes dificultam que as stablecoins sejam percebidas como dinheiro de verdade.
O argumento central da Bridge
O’Neill defende que a concentração excessiva em poucos emissores cria um problema estrutural. Quando o mercado gira em torno de USDT e USDC, a percepção pública é de que stablecoin é sinônimo dessas duas marcas — e não de uma categoria ampla de ativos digitais lastreados em moeda fiduciária.
Para o executivo, isso limita a inovação e reduz a capacidade do setor de competir com sistemas de pagamento tradicionais. A Bridge, startup de infraestrutura de pagamentos adquirida pela Stripe em 2024, opera justamente na camada de movimentação de dinheiro usando stablecoins.
Concentração de mercado como risco sistêmico
O USDT, emitido pela Tether, responde por mais de 60% do mercado de stablecoins. O USDC, da Circle, ocupa a segunda posição com parcela significativa do restante. Juntos, os dois tokens dominam a liquidez, as integrações em exchanges e os volumes de transação globais.
Essa concentração tem implicações práticas. Emissores menores encontram barreiras de adoção elevadas, dado que protocolos, carteiras e plataformas de criptomoedas priorizam integração com os líderes de mercado.
Experiência do usuário comprometida
O’Neill aponta que o problema não é apenas competitivo. A dominância de dois emissores cria fricção quando usuários tentam usar stablecoins como dinheiro no dia a dia. Incompatibilidades entre plataformas, taxas de conversão entre diferentes stablecoins e falta de intercambialidade real prejudicam a experiência.
O que a Bridge propõe
A Bridge não detalhou publicamente uma solução específica, mas O’Neill sugere que o mercado precisa de maior pluralidade de emissores confiáveis e de padrões de interoperabilidade mais robustos. A lógica é que stablecoins só funcionarão como dinheiro quando forem intercambiáveis de forma transparente, independentemente do emissor.
Contexto regulatório amplia o debate
O cenário regulatório nos Estados Unidos, com o avanço de projetos de lei específicos para stablecoins em 2025 e 2026, tende a concentrar ainda mais o mercado. Exigências de reservas, auditorias e licenciamento favorecem players com estrutura robusta — ou seja, Tether e Circle.
A crítica de O’Neill chega em momento em que o setor debate se regulação traz legitimidade ou barreiras de entrada que sufocam a competição. Para a Bridge, o resultado prático pode ser um mercado ainda mais dominado pelos dois líderes atuais.





