A indústria de criptomoedas passou anos prometendo revolucionar o sistema financeiro com blockchain e descentralização. Agora, executivas do próprio setor admitem que o verdadeiro ativo da Web3 nunca foi a tecnologia — foi a confiança construída ao redor dela.
O que a executiva da Trust Wallet revelou
Dami, Head of Communication da Trust Wallet, concedeu entrevista ao analista e fundador da OutsetPR, Mike Ermolaev, e foi direta: a sobrevivência das empresas Web3 depende menos de gerar hype e mais de construir credibilidade sustentável.
Segundo ela, o setor acumulou um histórico pesado de promessas não cumpridas, hacks bilionários, colapsos de protocolos e crises reputacionais recorrentes. Esse ciclo corroeu a confiança do investidor e expôs a fragilidade do modelo de comunicação adotado pela maioria dos projetos.
O problema estrutural do marketing cripto
Dami aponta que boa parte das empresas Web3 ainda opera com uma lógica de hype: lançar narrativas agressivas, atrair capital rápido e lidar com as consequências depois. Essa abordagem funciona no curto prazo, mas compromete a reputação no médio e longo prazo.
A executiva defende que comunicação eficaz no setor cripto exige transparência ativa, especialmente em momentos de crise. Empresas que se calam diante de incidentes ou que minimizam falhas perdem credibilidade de forma irreversível.
Confiança como ativo estratégico
Para Dami, a distinção entre projetos que sobrevivem e os que desaparecem está na gestão da reputação. Não basta ter um produto tecnicamente superior — é preciso comunicar com consistência, assumir erros e manter presença ativa com a comunidade.
Esse argumento ganha peso em um mercado onde colapsos como o da FTX e de dezenas de protocolos DeFi destruíram bilhões em valor e afastaram investidores institucionais que começavam a se aproximar do setor.
O que muda na prática para o mercado
O diagnóstico de Dami reflete uma mudança de postura que começa a ganhar tração entre empresas cripto mais maduras. A era do whitepaper milagroso e do roadmap impossível está sendo substituída — ao menos no discurso — por uma cultura de entrega incremental e comunicação verificável.
Projetos que não conseguirem fazer essa transição tendem a perder espaço para concorrentes com histórico mais sólido e base de usuários mais engajada. A confiança, nesse contexto, deixa de ser um valor intangível e passa a ser um diferencial competitivo mensurável.





