
O bitcoin voltou a testar a mínima registrada em fevereiro pela terceira vez consecutiva nesta semana, intensificando o debate sobre os vetores reais da queda de preço. A criptomoeda opera abaixo dos níveis de suporte que sustentaram o mercado nos últimos meses, elevando o alerta entre traders e analistas quantitativos.
Teoria das sanções ao Irã ganha tração nas redes
Circula nas redes sociais uma hipótese incomum: a responsável pela pressão vendedora desta semana seria a liquidação forçada de carteiras vinculadas a entidades iranianas, impactadas por novas sanções econômicas. A teoria diverge da narrativa dominante, que atribuía a queda às vendas da Strategy, empresa de Michael Saylor com o maior estoque corporativo de bitcoin do mundo.
Segundo defensores dessa tese, transações on-chain apontam para movimentações atípicas em endereços associados a mineradores e exchanges com histórico de operação em jurisdições sancionadas. O volume de saída dessas carteiras teria coincidido com os picos de pressão vendedora registrados nos últimos três dias.
Dados on-chain e volume de liquidações
Plataformas de análise on-chain registraram aumento expressivo no volume de transferências para exchanges centralizadas nos últimos 72 horas, padrão típico de preparo para venda. O índice de liquidações de posições alavancadas em futuros de bitcoin superou US$ 300 milhões no período, com predominância de posições long zeradas.
O funding rate em contratos perpétuos nas principais exchanges permanece negativo, sinalizando que o mercado de derivativos ainda precifica viés baixista no curto prazo. Open interest caiu aproximadamente 12% desde a última segunda-feira, refletindo desalavancagem acelerada.
Strategy ainda no centro das atenções
A Strategy não divulgou novas vendas de bitcoin nesta semana, o que enfraquece parcialmente a narrativa de que a empresa seria a fonte primária de pressão. O balanço da companhia acumula mais de 500 mil BTC, e qualquer movimentação relevante tende a impactar diretamente o sentimento do mercado. A ausência de confirmação de vendas não elimina o risco percebido pelos participantes.
Suporte técnico e níveis críticos
O preço do bitcoin orbita a região entre US$ 78.000 e US$ 80.000, faixa que representa a mínima de fevereiro e funciona como suporte técnico de médio prazo. Rompimentos confirmados abaixo desse patamar abririam espaço para teste da zona de US$ 73.000, referência do fundo de novembro de 2024.
Indicadores de momentum como RSI em timeframes diários operam em território de sobrevenda, mas sem sinal claro de reversão. O MACD diário mantém cruzamento baixista ativo desde o início de maio.
Ambiente macroeconômico pressiona ativos de risco
O cenário externo adiciona camada extra de pressão. O dólar se fortalece ante principais moedas emergentes, e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos voltaram a subir, comprimindo o apetite por ativos especulativos. Bitcoin mantém correlação elevada com o Nasdaq em janelas de 30 dias, segundo dados da Bloomberg.
ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos registraram saídas líquidas pelo quarto dia consecutivo, totalizando mais de US$ 600 milhões em resgates na semana. O dado reforça a leitura de que investidores institucionais reduzem exposição no curto prazo.





