Bitcoin em alta e liquidações de shorts em massa
Bitcoin registra maior short squeeze desde abril após recuperação acima de US$ 63.000.

O Bitcoin protagonizou um dos maiores apertos em posições vendidas dos últimos meses, ao saltar de patamares abaixo de US$ 60.000 para US$ 63.700 em questão de dias, liquidando US$ 504 milhões em apostas baixistas em 24 horas. O movimento, o mais intenso desde o final de abril, reflete a fragilidade dos traders que acreditaram em uma continuidade da queda e foram pegos de surpresa pelo rali de recuperação. Dados da CoinGlass indicam que as liquidações totais no mercado cripto atingiram cerca de US$ 655 milhões, afetando mais de 104 mil traders, com posições em Bitcoin e Ether respondendo pela maior parte dos fechamentos forçados.

Liquidações recordes de curtos

As perdas dos vendedores a descoberto, que lucram quando os preços caem, totalizaram US$ 504 milhões no período de 24 horas encerrado na manhã de segunda-feira, o maior valor diário desde o final de abril, segundo a CoinGlass. Em contraste, as apostas na alta registraram apenas US$ 151 milhões em perdas. A maior liquidação individual foi uma posição futura de Bitcoin de US$ 12,3 milhões na exchange OKX. O fenômeno, conhecido como short squeeze, ocorre quando a exchange encerra automaticamente uma aposta alavancada que se moveu excessivamente contra o trader.

O Bitcoin chegou a tocar US$ 63.800 no domingo, após uma semana de forte pressão baixista. Na semana anterior, a criptomoeda despencou quase 14% e chegou a ser negociada abaixo de US$ 60.000, pressionada pela primeira venda de Bitcoin da Strategy desde 2022, pelo desmonte de ações de inteligência artificial e por uma sequência recorde de saídas de fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin à vista. Muitos traders aproveitaram para abrir posições vendidas próximas aos fundos, mas foram surpreendidos pelo rali.

Contexto geopolítico e macroeconômico

O rali perdeu força na segunda-feira, com o Bitcoin recuando para cerca de US$ 62.900, ainda bem acima do piso da semana passada. A queda foi influenciada por novos ataques entre Irã e Israel, que elevaram o petróleo em mais de 3% e derrubaram as bolsas asiáticas, com o índice KOSPI da Coreia do Sul caindo quase 7%. O presidente Donald Trump pediu que Israel não retaliasse ainda mais. A instabilidade geopolítica trouxe aversão ao risco, mas o Bitcoin manteve-se resiliente em relação aos níveis anteriores.

Além disso, a volatilidade deve permanecer elevada antes da divulgação dos dados de inflação dos EUA e de uma onda de grandes ofertas públicas iniciais (IPOs), incluindo a da SpaceX. Esses eventos podem ditar o rumo dos ativos de risco nas próximas sessões. A combinação de um cenário macro incerto com a dinâmica técnica do short squeeze torna o ambiente propício para oscilações bruscas.

Impacto nos derivativos e liquidez

O montante total de liquidações no mercado cripto, de US$ 655 milhões, reflete a alavancagem excessiva concentrada em Bitcoin (US$ 315 milhões) e Ether (US$ 201 milhões). Esse tipo de evento costuma limpar o excesso de posições alavancadas, abrindo caminho para movimentos mais orgânicos. No entanto, a presença de grandes players e a baixa liquidez em momentos de estresse podem amplificar as oscilações. O recorde de saídas de ETFs de Bitcoin à vista na semana anterior indica que investidores institucionais reduziram exposição, o que pode ter contribuído para a rápida recuperação quando a pressão vendedora se esgotou.

Para o trader de curto prazo, o episódio destaca o risco de posições vendidas em um mercado conhecido por sua imprevisibilidade. A recuperação do Bitcoin acima de US$ 62.000 sugere que o suporte pode estar se consolidando, mas os próximos dias serão cruciais para determinar se o rali tem força para continuar ou se a pressão baixista retornará.