
O Bitcoin (BTC) iniciou a semana em forte queda, negociado por volta de US$ 62,9 mil na madrugada desta segunda-feira, pressionado pela retomada dos ataques militares entre Irã e Israel. O movimento belicoso abalou o apetite por risco global, derrubou as bolsas asiáticas e impulsionou o petróleo acima de US$ 93,50, num cenário que adiciona pressão à já volátil trajetória da maior criptomoeda por valor de mercado.
Nas últimas 24 horas, o BTC chegou a tocar US$ 63.776, mas perdeu fôlego com a escalada do conflito, que rompeu o cessar-fogo frágil vigente até então. Dados do CoinDesk mostram que a criptomoeda acumula queda de cerca de 14% nos últimos dias, movimento agravado por vendas institucionais e saídas de ETFs de Bitcoin à vista.
Tensão geopolítica derruba ativos de risco
O bombardeio mútuo entre Irã e Israel reacendeu temores de uma guerra prolongada no Oriente Médio, elevando o índice de volatilidade nos mercados financeiros. O presidente dos EUA, Donald Trump, pediu moderação e afirmou que solicitaria ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ‘que não retaliase’ — mas o recado não foi suficiente para conter a aversão ao risco. O WTI saltou mais de 3%, para US$ 93,50, fortalecendo a demanda por dólar e títulos do Tesouro americano, concorrentes diretos de ativos voláteis como o Bitcoin.
O aumento dos rendimentos dos Treasuries, observado desde a divulgação do relatório de empregos dos EUA na semana passada, já pressionava o mercado cripto. Com a guerra, esse movimento se intensificou, tornando o ambiente macro ainda mais desafiador para moedas digitais. A correlação entre o BTC e o petróleo, historicamente baixa, voltou a ser monitorada de perto por traders que buscam proteção contra choques geopolíticos.
Impacto nos mercados asiáticos e petróleo
Na Ásia, o índice sul-coreano KOSPI despencou 6,8%, levando a Bolsa de Seul a interromper temporariamente as negociações. No Japão, o Nikkei caiu mais de 3%. O movimento de fuga para ativos seguros (flight to safety) retirou liquidez de ações e criptomoedas, com o BTC sendo negociado em linha com o humor negativo. A aversão ao risco foi alimentada pelo temor de que a alta do petróleo possa reacender pressões inflacionárias e atrasar cortes de juros pelos bancos centrais.
O estouro do petróleo para o maior nível desde 2023 também mexe com as contas externas de países importadores, como Coreia do Sul e Japão, o que explica o tombo de suas bolsas. Para o Bitcoin, a volatilidade cambial e a diminuição da liquidez global são fatores de curto prazo que tendem a manter a criptomoeda abaixo dos US$ 65 mil observados no início do mês.
Fatores adicionais de pressão sobre o Bitcoin
Além do cenário geopolítico, o BTC sofre com ventos contrários internos. A venda de parte das reservas da Strategy (antiga MicroStrategy), o frenesi das ações de inteligência artificial (IA) desviando capital de criptomoedas, e a saída líquida de ETFs de Bitcoin à vista têm pesado sobre o preço. Na semana passada, o BTC chegou a furar o piso de US$ 60 mil, e analistas alertam que o nível de US$ 62 mil é frágil.
Dados on-chain indicam que baleias moveram grandes quantidades de BTC para exchanges nos últimos dias, sinalizando intenção de venda. O volume de negociação nos mercados spot cresceu, mas sem força compradora capaz de sustentar uma recuperação. A taxa de financiamento de futuros tornou-se negativa em algumas plataformas, indicando predominância de posições vendidas (short).
Perspectivas e volatilidade à vista
A expectativa para os próximos dias é de alta volatilidade, com a agenda econômica dos EUA trazendo dados de inflação (CPI) e a realização de IPOs de grande porte, como os da SpaceX e da Anthropic. Esses eventos podem redirecionar a liquidez do mercado cripto para ações, especialmente se o cenário de juros continuar incerto. O BTC testa a região de US$ 62,5 mil como suporte imediato; uma quebra pode levar a novos testes de US$ 60 mil.
Enquanto isso, o mercado acompanha as movimentações diplomáticas entre Irã e Israel. Qualquer sinal de trégua pode aliviar a pressão sobre o petróleo e os ativos de risco, enquanto a continuidade do conflito tende a empurrar o Bitcoin para baixo, em linha com o que se viu em eventos similares no passado recente. A correlação de curto prazo com o petróleo e o dólar deve ditar o rumo do BTC nas próximas sessões.





