A Trump Media and Technology Group encerrou o segundo trimestre com 9.477,16 Bitcoin em caixa, uma queda de 65 unidades em relação ao saldo de 9.542,16 BTC do fim de março. O movimento, aliado à desvalorização dos preços no mercado, pressionou o balanço da dona da Truth Social com perdas de US$ 360,6 milhões em ativos digitais no primeiro semestre de 2026, conforme o relatório trimestral protocolado na SEC nesta segunda-feira.
Reservas de Bitcoin caem 65 BTC no segundo trimestre
A posição em Bitcoin da companhia era composta por 9.477,16 BTC avaliados em US$ 557,1 milhões em 30 de junho, ante um valor justo de US$ 836 milhões registrado no fim de 2025. A redução de 65 BTC no trimestre reflete tanto a dinâmica operacional da tesouraria quanto o impacto da queda do Bitcoin sobre o mark-to-market dos ativos.
No comparativo com o fim de março, o saldo de 9.542,16 BTC foi reduzido para 9.477,16 BTC, um recuo no volume de criptomoedas detidas diretamente pela empresa. Apesar do encolhimento, a carteira de Bitcoin ainda representa uma parcela relevante do balanço e segue sendo monitorada de perto pelos investidores.
Cronos amplia pressão sobre o balanço
Além da redução no saldo de Bitcoin, a Trump Media manteve inalterada sua posição em tokens Cronos, com cerca de 756,1 milhões de unidades. No entanto, o valor justo desses ativos caiu de US$ 68 milhões no fim de 2025 para US$ 40,6 milhões, ampliando o efeito negativo dos criptoativos no resultado.
A desvalorização do CRO, token vinculado ao ecossistema da Crypto.com, ocorre em um momento de ajuste geral no mercado de ativos digitais. A empresa já havia sinalizado uma aproximação com a plataforma, mas os números do segundo trimestre mostram que a exposição ao token segue pressionando o balanço mesmo sem alteração na quantidade detida.
Bitcoin usado como garantia em notas e opções
Parte relevante do estoque de Bitcoin da companhia está comprometida como colateral. Até 30 de junho, 4.260,73 BTC estavam vinculados a notas conversíveis, enquanto 2.077,34 BTC haviam sido destinados à estratégia de opções em Bitcoin.
Essa alocação como garantia mostra que a empresa utiliza parte do estoque em operações financeiras estruturadas, com impacto direto no balanço em cenários de oscilação do ativo. A combinação entre exposição direta e compromissos colaterais aumenta a sensibilidade do resultado às flutuações do mercado cripto.
Perdas de US$ 360,6 milhões marcam o semestre
A Trump Media registrou perdas de US$ 360,6 milhões com ativos digitais e com ativos digitais comprometidos como garantia no primeiro semestre de 2026. De acordo com o documento, a maior parte desse montante é composta por perdas não realizadas, decorrentes da marcação a mercado dos saldos em Bitcoin e Cronos.
O resultado reflete o impacto combinado da redução do saldo de Bitcoin, da queda do valor justo do CRO e da desvalorização generalizada das criptomoedas no período. Ainda assim, a empresa mantém uma exposição relevante ao setor, com mais de 9 mil BTC e centenas de milhões de tokens da rede Cronos em sua tesouraria.
Recuo na parceria com a Crypto.com
Os números foram divulgados dias depois de a Trump Media e a Crypto.com desistirem dos planos de criar uma empresa de tesouraria em CRO de capital aberto. A parceria, que havia sido anunciada anteriormente, também incluía um acordo separado para serviços de ETF, igualmente abandonado.
O recuo sinaliza uma revisão da estratégia da companhia no mercado de criptoativos, ainda que a empresa mantenha em seu balanço posições expressivas em Bitcoin e Cronos. A combinação entre perdas contábeis e a descontinuação de parcerias pode indicar uma postura mais cautelosa em relação a novos compromissos no setor.
Estrutura de controle e contexto de governança
A Trump Media é controlada majoritariamente pelo Donald J. Trump Revocable Trust, no qual o presidente dos Estados Unidos detém participação significativa. O trust é administrado por Donald Trump Jr., filho do presidente, o que mantém a companhia ligada diretamente ao círculo familiar de Trump.
Essa estrutura mantém a companhia ligada diretamente ao círculo familiar de Trump, um aspecto que já faz parte do histórico da empresa. O relatório trimestral chega em um momento em que o mercado acompanha de perto a exposição de companhias listadas às criptomoedas, especialmente quando controladas por figuras públicas de alta visibilidade.





