
O Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou que El Salvador não utilizou recursos públicos para ampliar sua reserva oficial de Bitcoin depois da primeira revisão do programa de financiamento de US$ 1,4 bilhão. A informação foi baseada em documentos encaminhados pelas próprias autoridades salvadorenhas, que apontam doações privadas como única origem dos ativos digitais incorporados ao balanço do Estado desde junho de 2025.
O aval do organismo multilateral ocorre em meio ao avanço das negociações para a conclusão da segunda e da terceira revisões combinadas do acordo, etapa que deve destinar cerca de US$ 140 milhões a El Salvador após a aprovação formal do conselho executivo do FMI. Com o reconhecimento, o país reforça a tese de que a estratégia de adoção da criptomoeda não comprometeu as contas públicas no período analisado.
Origem privada do estoque de Bitcoin é detalhada em documentos oficiais
De acordo com a documentação analisada pelo FMI, todo o Bitcoin adicionado às reservas estatais de El Salvador a partir de junho de 2025 foi recebido por meio de contribuições voluntárias de agentes privados. Nenhuma parcela do saldo acumulado no período teve origem em fontes orçamentárias, segundo a leitura dos técnicos da instituição.
Essa distinção é relevante para o mercado porque elimina, ao menos no intervalo avaliado, o risco de que a política de acúmulo de Bitcoin tenha elevado a pressão fiscal ou ampliado a dívida pública do país centro-americano. Ao mesmo tempo, o posicionamento do FMI abre precedente para que outras nações observem modelos de reserva lastreados em ativos digitais sem depender de dinheiro público.
Chivo wallet deixa de ser controlada majoritariamente pelo Estado
Outro ponto confirmado nas tratativas envolve a carteira digital Chivo. Segundo o entendimento alcançado, o controle majoritário da plataforma foi transferido para um operador privado ainda não identificado, reduzindo a exposição operacional do Estado no serviço.
A medida integra um pacote de ajustes na governança digital do país, que também assumiu o compromisso de reforçar os marcos legais e aprimorar a supervisão pública sobre projetos ligados a ativos digitais. A expectativa é que essas salvaguardas aumentem a transparência das operações com Bitcoin e mitiguem riscos de má gestão no futuro.
Próximas etapas dependem do aval do conselho do FMI
O acordo em nível técnico entre o governo de El Salvador e a equipe do FMI ainda depende da aprovação formal do conselho executivo do fundo para que os recursos sejam liberados. Caso o aval seja concedido, o país poderá acessar aproximadamente US$ 140 milhões referentes à segunda e à terceira revisões do programa de US$ 1,4 bilhão.
Nas próximas semanas, as autoridades salvadorenhas devem apresentar relatórios complementares sobre a execução das metas fiscais e a implementação das reformas estruturais. A conclusão do processo será observada de perto por investidores e por participantes do ecossistema de Bitcoin, que enxergam no caso salvadorenho um teste concreto de convivência entre políticas monetárias tradicionais e reservas em criptoativos.





