O Bitcoin iniciou a semana no maior nível de agosto, com o fechamento semanal de domingo em US$ 65.420, enquanto investidores aguardam os dados de inflação dos Estados Unidos para calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve. O índice de preços ao consumidor (IPC) e o índice de preços ao produtor (IPP) referentes a julho saem na quarta e na quinta-feira, respectivamente, e podem determinar o humor dos ativos de risco, incluindo o mercado de criptomoedas.

Dados de inflação colocam Fed no centro das atenções

O momento das divulgações é sensível: os últimos indicadores de inflação nos EUA enviaram sinais contraditórios, e o cenário geopolítico segue incerto por causa da guerra entre EUA e Irã. A rota do Estreito de Ormuz, sensível ao preço do petróleo, continua sendo monitorada. Segundo Sugandha Sachdeva, fundadora da SS WealthStreet, os preços do petróleo bruto oscilam entre forças opostas, enquanto os mercados avaliam uma possível reabertura da via navegável estratégica e as condições impostas pelo Irã.

Os resultados mais recentes do IPC e do IPP surpreenderam negativamente, com o IPC registrando a maior queda mensal desde abril de 2020. O relatório de empregos não agrícolas da semana passada deu continuidade à tendência, mostrando um mercado de trabalho mais fraco do que o esperado. Com isso, as apostas para a reunião de 16 de setembro do Fed migraram de um aumento de 0,25 ponto percentual para uma pausa como desfecho mais provável. A ferramenta FedWatch do CME Group indicava 56% de chance de manutenção das taxas na segunda-feira.

A Mosaic Asset Company, em seu boletim The Market Mosaic, destacou que os dados do ISM de Manufatura e Serviços da semana passada mostraram uma economia americana que segue “se mantendo muito bem”. A leitura, porém, também trouxe preocupações com um possível cenário de estagflação, com recuperação dos indicadores de inflação combinada a crescimento econômico lento e aumento do desemprego.

Iene volta a pressionar mercados globais

Outro fator de atenção é o iene japonês. A moeda voltou a se desvalorizar depois da primeira intervenção conjunta entre EUA e Japão desde o fim dos anos 1990, após a taxa JPY/USD atingir os menores níveis desde 1986 no início de agosto. Na ocasião, o Fed de Nova York, agindo em nome do Tesouro dos EUA, comprou ienes usando euros por meio do Fundo de Estabilização Cambial (ESF). O secretário do Tesouro, Scott Bessent, indicou que novas intervenções não estavam descartadas.

O iene havia se fortalecido inicialmente para cerca de 156 por dólar, mas voltou a operar acima de 158,50, aproximando-se do nível psicológico de 160. Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution, avaliou que o movimento atual é comparável ao de episódios anteriores de intervenção e que o mecanismo, por si só, provavelmente não será capaz de reverter a tendência de desvalorização da moeda japonesa.

Para a empresa de trading QCP Capital, o efeito mais relevante para os mercados globais não é uma intervenção específica, mas sim se o aumento dos rendimentos dos títulos japoneses altera os incentivos para que investidores domésticos continuem alocando capital no exterior — fator que afeta diretamente a liquidez de ativos de risco, como criptomoedas.

Resistência em US$ 65,8 mil concentra atenção do Bitcoin

No gráfico do BTC/USD, a EMA de 50 meses segue como resistência imediata em US$ 65.827, acima da máxima mensal de US$ 65.420. O trader de criptomoedas Michaël van de Poppe apontou divergências de alta “fortes” no MACD e no RSI, tanto no gráfico de três dias quanto no semanal, com os indicadores fazendo mínimas mais altas enquanto o preço registrava mínimas mais baixas.

Na visão do trader, US$ 65.800 é o nível semanal crucial. Se for rompido, a tendência é de um movimento volátil de alta, com a liquidez do lado vendedor sendo forçada a sair das posições após a consolidação atual. Dados do CoinGlass mostram aumento da liquidez nos dois lados do livro de ofertas, com US$ 65.800 como área-chave para possíveis liquidações de posições vendidas. Nas últimas 24 horas, as liquidações de posições vendidas em diferentes criptomoedas somavam US$ 53 milhões.

Comportamento on-chain ainda divide leituras

Enquanto o preço ensaia uma reação, o comportamento das carteiras on-chain segue contrastado. Carteiras de Bitcoin com maior poder de compra mostram movimento diferente do que se vê entre pequenos investidores, depois de um período relevante de acumulação de dois meses. Ainda assim, diversos indicadores on-chain continuam apontando para a permanência do mercado de baixa no segundo semestre, o que sugere cautela mesmo diante das máximas de agosto.