A rede do Bitcoin passou por uma divisão neste domingo (9), e o episódio colocou em risco a posição de um dos desenvolvedores mais antigos ainda em atividade. Luke Dashjr, editor de BIPs e um dos principais apoiadores da proposta BIP-110, enfrenta uma moção para ser afastado do cargo depois que a iniciativa resultou em uma separação entre mineradores e na rejeição da mudança por parte da maioria da rede.
O BIP-110 foi apresentado como uma resposta ao aumento dos limites do campo OP_RETURN, utilizado para gravar dados arbitrários, recurso introduzido no Bitcoin Core v30. A proposta, considerada agressiva, obteve pouco apoio de usuários e mineradores. No domingo, os dados da rede mostraram que apenas dois blocos foram minerados seguindo o padrão do BIP-110, enquanto mais de 251 blocos seguiram o Bitcoin padrão, uma diferença que configuraria um ataque por parte das pools de mineração, na visão de Dashjr.
Acusações de ataque e a defesa de Dashjr
Nas redes sociais, Luke Dashjr afirmou que as pools de mineração estavam atacando o Bitcoin ao não minerar os blocos compatíveis com o BIP-110. Ele citou diretamente @AntPoolofficial, @f2pool, Simplemining e @FoundryServices como participantes do suposto ataque, e pediu que a comunidade “segurasse firme”. As declarações aumentaram a tensão no ecossistema e aceleraram a reação de outros desenvolvedores.
A moção para remover Dashjr foi proposta por Murch no Bitcoin Group. O desenvolvedor recomendou que Luke fosse removido do cargo de editor de BIPs, afirmando que ele esteve no centro de diversas disputas controversas nos últimos anos e que, nesta semana, uma nova forkcoin surgiu a partir do Bitcoin sob sua liderança. Murch também alegou que Dashjr exerceu sua autoridade de forma inconsistente com o processo editorial, favorecendo injustamente a proposta na qual estava envolvido, e que não contribui para o trabalho cotidiano dos editores desde abril ou maio de 2024.
Reação da comunidade e próximos passos
Nos comentários, outros desenvolvedores apoiaram a saída de Dashjr, ainda que tenham demonstrado respeito por seus mais de 16 anos de contribuição ao projeto. Antoine Riard observou que não existe um protocolo formal para remover um editor de BIPs caso ele não concorde em sair de forma amigável, e sugeriu que seria razoável conceder um prazo de até um mês para que Dashjr apresente sua defesa.
Em resposta, Dashjr classificou as acusações como falsas. Ele afirmou que segue o processo de BIPs de forma consistente há anos, que as opiniões de Murch não estabelecem novos processos e que foi o colega quem parou de se comunicar. Na visão de Dashjr, a remoção deveria recair sobre quem fez a acusação. O imbróglio evidencia a fragilidade da governança no desenvolvimento do Bitcoin e pode ter desdobramentos relevantes para a direção técnica da rede.





