O JPMorgan estima que a WEG (WEGE3) pode registrar um ganho extraordinário de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões no terceiro trimestre de 2026 caso obtenha o reembolso das tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros exportados pela companhia, segundo apurou o InfoMoney. O efeito seria suficiente para empurrar a margem Ebitda do período para uma faixa entre 23,6% e 24,2%, bem acima da projeção de 22,1% do próprio banco e do consenso de mercado, estimado em 21,9%.
O cálculo parte de R$ 1,68 bilhão em exportações da WEG do Brasil para os Estados Unidos entre abril de 2025 e fevereiro de 2026, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Desse montante, R$ 621 milhões vêm de equipamentos de transmissão, distribuição e geração de energia (GTD) e R$ 1,056 bilhão de materiais elétricos e industriais e motores para eletrodomésticos (EEI & Appliance Motors).
Como a WEG não detalhou quanto efetivamente desembolsou em tarifas, o banco trabalha com premissas próprias. A instituição considera apenas a fatia de produtos de ciclo curto, com maior chance de ser elegível ao reembolso: participação de 15% a 35% nas exportações de GTD e de 70% a 90% em EEI & Appliance Motors. Com isso, a base sujeita às tarifas ficaria entre R$ 832 milhões e R$ 1,168 bilhão. Aplicando uma alíquota média de 20%, chega-se ao potencial de R$ 166 milhões a R$ 234 milhões, equivalente a 7% a 9% do Ebitda previsto para o terceiro trimestre.
Margem anual também sentiria o efeito
Considerando o ganho extraordinário incorporado ao Ebitda de 2026, a margem anual subiria para algo entre 22,5% e 22,7%, contra 22,1% na estimativa atual do JPMorgan e 22,0% no consenso. No terceiro trimestre, o impacto seria de aproximadamente 150 a 210 pontos-base sobre a margem projetada.
O JPMorgan ressalta que a análise tem limitações, pois depende de informações que a própria WEG ainda não divulgou. O cálculo considera especificamente as tarifas da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) pagas entre abril de 2025 e fevereiro de 2026, um regime distinto do atual, que envolve as Seções 122, 232 e 301.
O vaivém do tarifaço entre Brasil e EUA
O cenário tarifário mudou várias vezes desde o início de 2025. Pela IEEPA, as exportações brasileiras começaram com alíquota reduzida de 10% em abril de 2025. O patamar subiu para 50% em agosto e seguiu nesse nível até outubro, antes de recuar para 10% em novembro. Em março de 2026, a tarifa caiu a zero. Em paralelo, a Seção 232 acrescentou uma cobrança de 50% sobre alumínio e aço a partir de junho de 2025, mantida em vigor.
Após a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubar a IEEPA em fevereiro de 2026, Washington substituiu a medida no mesmo dia por uma tarifa de 10% a 15% baseada na Seção 122, inicialmente válida até junho de 2026. Com o fim desse prazo se aproximando, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) migrou para a Seção 301. A nova estrutura entrou em vigor em julho de 2026, com alíquota de cerca de 37,5%, formada por 25% de base e 12,5% de sobretaxa ligada a trabalho forçado.
O que a WEG diz sobre reembolso e margens
Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, a administração da WEG afirmou que estudava a possibilidade de recuperar as tarifas já pagas. A companhia também sinalizou que as tarifas da Seção 232 continuariam em vigor e poderiam pressionar as margens, enquanto eventuais medidas de alívio levariam de um a dois trimestres para aparecer nos resultados.
A empresa se disse confiante na capacidade de compensar a maior parte do impacto por meio de reajustes de preços, do aumento da parcela de produtos fabricados e vendidos localmente e da flexibilidade para transferir produção entre o México e os ativos adquiridos da Regal Rexnord.
O JPMorgan observa que a WEG negocia hoje a 19 vezes a relação entre valor de firma e Ebitda projetado para 2027, acima das 17,7 vezes dos pares industriais globais. Para o investidor, esse prêmio reforça o peso de eventuais surpresas positivas de margem na tese do papel.





