A Vamos (VAMO3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 101,1 milhões, um avanço de 21,8% frente ao segundo trimestre de 2025. No critério contábil sem ajustes, o lucro também atingiu cerca de R$ 101 milhões, com alta de 9%, uma vez que o período não registrou efeitos não recorrentes relevantes.
Esse é o primeiro balanço divulgado sob o comando da nova diretoria, depois que Christian Hahn assumiu a presidência interina da companhia no lugar de Gustavo Couto. Executivo com nove anos de casa, Hahn participou da estruturação da própria Vamos na fundação e comandou o segmento de concessionárias que deu origem à rede Automob. Os números foram apresentados na noite desta terça-feira, 11 de agosto, e reforçam a tese de geração de caixa e desalavancagem, temas centrais para o mercado de investimentos em companhias de locação de ativos.
Receita e Ebitda mostram ritmo consistente
O Ebitda ajustado somou R$ 971,5 milhões no trimestre, com crescimento de 6,6% em relação ao segundo trimestre de 2025. A receita líquida consolidada, por sua vez, totalizou R$ 1.564,3 milhões, um avanço de 10,8% na base anual. O resultado operacional veio acompanhado de um Capex contratado de R$ 1.554,2 milhões no período, volume 59,6% superior ao registrado um ano antes, com destaque para os setores de varejo e e-commerce.
De acordo com a companhia, o trimestre transcorreu sem efeitos não recorrentes relevantes. O novo diretor financeiro, Rodrigo Faria, destacou que o período foi um dos mais limpos dos últimos anos, com a ausência de eventos extraordinários permitindo uma leitura mais direta da operação. A receita de seminovos, porém, avançou em ritmo menor que o volume: as vendas de ativos usados cresceram 30% em unidades, enquanto a receita do segmento subiu 11,4%, reflexo de um mix mais concentrado em carretas, ativos de ticket médio inferior ao dos caminhões.
Alavancagem recua e atinge meta com seis meses de antecedência
A alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 3,39 vezes no segundo trimestre de 2025 para 3,00 vezes no período encerrado em junho de 2026. Com isso, a companhia já alcança o patamar que havia estabelecido como meta para dezembro, antecipando em seis meses a convergência planejada. A dívida líquida somou R$ 11.561,1 milhões, uma redução de 6,1% na comparação anual.
Parte dessa melhora foi impulsionada pelo aporte de R$ 600 milhões realizado pelo BNDES Par por meio de um aumento de capital privado. Segundo a empresa, a injeção ampliou a base de acionistas sem reduzir o lucro por ação, e o efeito combinado com a maior geração de caixa operacional — tanto de locação quanto de venda de ativos — e com a menor necessidade de Capex líquido permitiu reduzir em 4% o saldo de dívida líquida para fins de covenants em relação a março. A companhia também conseguiu amortizar, pelo terceiro trimestre consecutivo, o saldo de cessão de recebíveis.
Ocupação da frota atinge maior nível desde 2020
O nível de ocupação da frota chegou a 89% em junho, a mais alta desde 2020, com elevação sequencial de 1 ponto percentual pelo quarto trimestre seguido. O indicador está a apenas 1 ponto percentual da meta de 90% projetada para dezembro. A estratégia da companhia tem sido aumentar a eficiência no uso dos ativos já existentes, alugando novamente veículos ou vendendo aqueles que estão ociosos, sem depender de novas compras para crescer a receita de locação.
O posicionamento, segundo a diretoria, tem permitido gerar mais caixa e melhorar a ocupação da frota ao mesmo tempo. Caso a segunda fase do programa Move Brasil não tivesse concentrado a maior parte do crédito disponível na compra de veículos novos, a procura por ativos usados teria sido ainda mais forte. Com isso, parte dos clientes que aguardavam a aquisição de usados acabou postergando o negócio, o que levou a companhia a enxergar potencial adicional de receita no segmento. A margem Ebitda de seminovos ficou em 0,9%, permanecendo na faixa projetada pela empresa.
Divisão industrial e novas frentes de crescimento
No segmento industrial, que reúne as marcas BMB e Truckvan, a receita líquida cresceu 30,3% no trimestre, com alavancagem operacional positiva. A companhia também está estruturando uma nova frente comercial, com quatro diretorias dedicadas a regiões e segmentos específicos, e aposta na expansão da intralogística, área que concentra contratos mais longos e yields mais altos.
Para os próximos trimestres, a Vamos pretende reforçar o uso de tecnologia, com investimentos em telemetria e em sistemas de controle de frota e estoque. Além disso, prepara um novo produto, batizado provisoriamente de “Ciclo Vamos”, desenhado para manter o cliente em recorrência a partir de extensões de contrato, renovações antecipadas e novas locações ao final de cada ciclo.
Nova diretoria e plano de sucessão
Christian Hahn assumiu a presidência interina da Vamos em um momento de transição também na diretoria financeira. Rodrigo Faria tornou-se CFO e diretor de relações com investidores no lugar de José Cezário, que renunciou em 10 de agosto de 2026 por questões pessoais. O executivo conhece a Vamos desde a estreia na bolsa, período em que ocupava o cargo de gestor de fundos na Sul América Investimentos, então uma das maiores acionistas da oferta pública inicial, e integra o grupo há cerca de dois anos.
Sobre a sucessão, o novo CFO afirmou que a companhia mantém um mapa de sucessores para os principais cargos e que a equipe de controladoria, contabilidade e tesouraria garante a continuidade do trabalho. A diretoria também sinalizou a possibilidade de oferecer contratos de locação com duração menor do que a praticada atualmente, quando os prazos se situam entre 24 e 36 meses, com condições mais flexíveis inspiradas em modelos maduros do mercado internacional de locação.
Expansão digital e novas lojas
A companhia também está investindo em canais de venda. Um novo site de vendas de seminovos, com processo quase inteiramente online, está em preparação, e novas lojas físicas devem ser abertas ao longo do segundo semestre. A combinação entre presença digital e capilaridade física faz parte da estratégia para acelerar o giro de ativos e destravar valor na operação de usados.
Com os resultados do trimestre, a Vamos reforça o discurso de disciplina financeira e eficiência operacional, em um ambiente de demanda aquecida por veículos pesados e de crédito direcionado em transformação. A antecipação da meta de alavancagem e a manutenção da ocupação em níveis recordes devem seguir como pilares da narrativa da companhia para o restante de 2026.





