Recompra de ações da Strategy fica em segundo plano com caixa de US$ 4,8 bi
Michael Saylor durante a Consensus 2026, em Miami, ao falar sobre a estratégia da companhia

A Strategy, empresa de inteligência de negócios conhecida por sua posição corporativa em Bitcoin, deixou claro que a recompra de suas ações ordinárias não é uma prioridade neste momento. Com uma reserva de caixa de US$ 4,8 bilhões, o chairman-executivo Michael Saylor indicou que os recursos estão sendo direcionados ao programa de ações preferenciais STRC, à construção de reservas e à operação de crédito da companhia. A declaração ocorreu durante uma sessão de perguntas e respostas na segunda-feira, um dia em que os papéis da empresa reagiram com alta de cerca de 5% às sinalizações sobre recompra.

Reserva bilionária e o foco em STRC

Em vez de priorizar a recompra de ações, a Strategy se dedica a sustentar o papel preferencial STRC, que possui preço de emissão de US$ 100, além de manter uma reserva de caixa bilionária. A diretoria informou que a empresa pode vender Bitcoin quando necessário para honrar compromissos ligados ao STRC e ao pagamento de dividendos.

Saylor afirmou que a recompra de ações é uma possibilidade, mas não uma meta imediata. Ele condicionou qualquer movimento de recompra a um cenário em que as ações ordinárias negociem com desconto profundo em relação ao valor patrimonial líquido. Em suas palavras, se isso ocorrer, a companhia poderá agir. Enquanto isso, a gestão continua concentrada no fortalecimento do balanço e no desenvolvimento do segmento de crédito.

Queda do papel e o efeito Bitcoin

A ação ordinária da Strategy acumula queda de aproximadamente 38% no ano e de 73% em doze meses, reflexo da desvalorização do Bitcoin, negociado perto de US$ 64.385,70. A performance negativa também é atribuída à emissão constante de novas ações para financiar novas compras da criptomoeda, formar reservas, pagar dividendos e recompra de papéis preferenciais.

O movimento de emissão contínua gerou preocupação entre investidores sobre a diluição das participações. No entanto, a diretoria enxerga a prática como parte de uma estratégia mais ampla para expandir o lastro em Bitcoin por ação. A combinação entre captação e aquisição de criptoativos tende a ser benéfica quando o preço de mercado do MSTR supera o valor dos ativos que o suportam.

CEO defende a emissão como mecanismo de valorização

O CEO Phong Le defendeu a venda de novas ações ordinárias, rebatendo a tese de diluição excessiva. Segundo Le, quando o MSTR é negociado acima do valor patrimonial por ação, a emissão de novas ações permite à companhia adquirir mais Bitcoin com os recursos captados, elevando a quantidade de criptomoeda que lastreia cada papel.

Esse mecanismo, na visão do executivo, tende a aumentar o valor patrimonial por ação ao longo do tempo. A eficácia da estratégia, no entanto, depende do comportamento do preço do Bitcoin e da relação entre o valor de mercado e o valor contábil da empresa. A diretoria segue monitorando essas variáveis para calibrar as próximas etapas de captação.

Gestão de liquidez e o compromisso com o STRC

A recente queda do STRC alterou a forma como a Strategy administra seu caixa. A companhia planeja manter reservas maiores e pode recorrer à venda de Bitcoin quando necessário para apoiar o papel preferencial e seus dividendos. O objetivo é manter o STRC próximo ao preço de emissão de US$ 100.

Saylor reforçou que os acionistas das ações ordinárias devem ter um horizonte de investimento de pelo menos quatro anos. Para ele, a empresa está construindo uma estrutura de capital que combina diferentes instrumentos para atravessar ciclos de volatilidade do mercado cripto, com foco no crescimento do valor por ação no longo prazo.