A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (12), com um conjunto variado de companhias de capital aberto revelando seus números. De educação a energia eólica, passando por banco, telecomunicações e saúde, os relatórios mostraram tendências distintas: enquanto algumas empresas aceleraram lucro e reduziram alavancagem, outras seguem em processo de reestruturação operacional e financeira.
No campo educacional, a Vitru (VTRU3) e a Cruzeiro do Sul Educacional (CSED3) apresentaram avanços consistentes, com expansão de receita e margens. Já no setor financeiro, o Banco BV registrou recorde na carteira de crédito ampliada. A Brisanet (BRST3) surpreendeu com disparada de 319,4% no lucro líquido, enquanto a Aeris (AERI3) continuou no vermelho, embora com melhoras pontuais na margem bruta.
Educação: Vitru e Cruzeiro do Sul aceleram crescimento
A Vitru encerrou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado por imposto caixa de R$ 159,9 milhões, alta de 31,5% na comparação anual, e margem líquida de 24,2%. A receita líquida alcançou R$ 661,4 milhões, crescimento de 9,1%. O Ebitda ajustado somou R$ 278,0 milhões, avanço de 9,3%, com margem estável em 42,0%. A companhia também reduziu a alavancagem para 1,36 vez dívida líquida/Ebitda.
O desempenho foi impulsionado pela captação do ensino semipresencial, que cresceu 35,3% e já responde por 58% das novas matrículas. A forte geração de caixa e a queda do endividamento relativo reforçaram a tese de eficiência operacional da empresa, que segue ampliando a modalidade híbrida como principal motor de expansão.
A Cruzeiro do Sul Educacional, por sua vez, registrou lucro líquido ajustado de R$ 100,7 milhões no 2T26, crescimento de 60,6% ante o mesmo período de 2025. A receita líquida avançou 8,2%, para R$ 780,3 milhões, puxada pela expansão dos cursos de Medicina e demais graduações da área de saúde, além do aumento da participação do ensino semipresencial no mix de alunos. O Ebitda ajustado totalizou R$ 233,5 milhões, alta de 16,0%, com margem Ebitda ajustada de 29,9%, expansão de 2,0 pontos percentuais. A alavancagem caiu para 0,8 vez dívida líquida/Ebitda ajustado ex-IFRS 16.
No portfólio de Medicina, a companhia alcançou 1.275 vagas após autorizações obtidas em Pinhais (PR) e Caraguatatuba (SP). Esse movimento amplia a capacidade de captação de alunos em cursos de maior ticket e deve sustentar o crescimento da receita nos próximos períodos.
Banco BV atinge carteira recorde de R$ 102,3 bilhões
O Banco BV reportou lucro líquido recorrente de R$ 491 milhões no segundo trimestre, alta de 6,8% ante o 2T25 e avanço de 2,0% frente ao trimestre anterior. No semestre, o lucro recorrente somou R$ 972 milhões, com retorno sobre patrimônio líquido (ROE) de 15,6%. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 102,3 bilhões, recorde histórico para a instituição, com crescimento de 11,9% em 12 meses.
A carteira de varejo avançou 12,2%, para R$ 73,4 bilhões, enquanto a carteira de atacado totalizou R$ 28,9 bilhões, alta de 11,1%. Entre os destaques operacionais, o Empréstimo com Garantia de Veículo (EGV) cresceu 31,8%, para R$ 5,9 bilhões, e o financiamento de veículos pesados usados avançou 52,2%, para R$ 4,0 bilhões. A margem financeira com clientes somou R$ 2,2 bilhões, alta de 4,8% em 12 meses, e as receitas de prestação de serviços e corretagem de seguros alcançaram R$ 645 milhões, crescimento de 15,9%.
A inadimplência acima de 90 dias encerrou o trimestre em 4,9%, com custo de crédito de R$ 1,2 bilhão, queda de 8,8%. O banco também reforçou a solidez de capital: índice de Basileia de 15,9%, capital principal (CET1) de 11,8% e índice de liquidez (LCR) de 170%, indicando folga confortável para expansão da carteira sem necessidade de captação adicional relevante.
Brisanet dispara lucro e amplia base móvel
A Brisanet (BRST3) registrou lucro líquido de R$ 26,1 milhões no 2T26, crescimento expressivo de 319,4% em relação ao mesmo período de 2025. A receita líquida avançou 16,0%, para R$ 475,9 milhões, enquanto o Ebitda ajustado somou R$ 200,0 milhões, alta de 11,8%, com margem Ebitda ajustada de 42%, leve recuo ante os 44% de um ano antes.
O principal destaque operacional foi a base móvel, que cresceu 90,4% em 12 meses, alcançando 1,07 milhão de clientes. A companhia também reduziu a alavancagem para 2,17 vezes dívida líquida/Ebitda dos últimos 12 meses, mesmo diante dos investimentos contínuos na expansão da rede 5G. A combinação de ganho de escala no móvel com disciplina de capital foi determinante para o salto do lucro.
Viveo, Blau e Bemobi: saúde e tecnologia em ritmos diferentes
A Viveo (VVEO3) reduziu o prejuízo líquido ajustado em 52,0%, passando de R$ 44,3 milhões para R$ 21,3 milhões. A receita líquida totalizou R$ 2,91 bilhões, crescimento de 3,4% ante o 2T25. O Ebitda ajustado alcançou R$ 216,7 milhões, avanço de 21,8%, com margem Ebitda ajustada de 7,4%, expansão de 1,1 ponto percentual. A margem bruta subiu para 16,6%, contra 15,0% um ano antes, refletindo ganhos em todos os canais de negócios. A alavancagem caiu para 3,73 vezes dívida líquida/Ebitda, ante 4,33 vezes no mesmo período de 2025.
A Blau Farmacêutica (BLAU3) reportou lucro líquido recorrente de R$ 71 milhões no trimestre, alta de 12% ante o 2T25. No semestre, o lucro recorrente totalizou R$ 107 milhões, mas, desconsiderando os efeitos da variação cambial, o número sobe para R$ 134 milhões, alta de 18%. A receita líquida trimestral foi de R$ 486,6 milhões, crescimento de 5%, enquanto o semestre somou R$ 921,6 milhões, avanço de 10%. O Ebitda recorrente ficou em R$ 126 milhões no trimestre, alta de 3%, com margem de 25,9%; no semestre, atingiu R$ 230 milhões, crescimento de 12%. A margem bruta chegou a 43,6% no trimestre e 42,6% no semestre.
A Bemobi (BMOB3), por sua vez, registrou lucro líquido ajustado de R$ 45,2 milhões, crescimento de 30,1% ante o 2T25, impulsionado pelo avanço do lucro operacional e por uma menor alíquota fiscal. A receita líquida avançou 29,8%, para R$ 227,3 milhões, e o Ebitda ajustado somou R$ 79,4 milhões, alta de 32,7%, com margem Ebitda ajustada de 34,9%, expansão de 0,8 ponto percentual. As verticais de Pagamentos e SaaS cresceram 75% e 21%, respectivamente, e passaram a representar cerca de 70% da receita total, evidenciando a migração do modelo de negócios para serviços recorrentes de maior valor agregado.
Aeris segue no vermelho, mas mostra avanços operacionais
A Aeris (AERI3) registrou prejuízo líquido de R$ 152,0 milhões no segundo trimestre, aumento de 10,2% em relação ao 1T26, mas redução de 4,8% na comparação com o 2T25. A companhia atribuiu o resultado ao aumento das despesas financeiras. A receita operacional líquida atingiu R$ 129,3 milhões, crescimento de 22,4% frente ao trimestre anterior, refletindo maior volume de entregas e reconhecimento de receitas ligadas ao ramp-up fee e investimentos para atender contratos. Na comparação anual, porém, houve queda de 46,6%.
O Ebitda ajustado permaneceu negativo em R$ 12,4 milhões, mas melhorou em relação aos R$ 16,0 milhões negativos do 2T25. A margem Ebitda ajustada ficou negativa em 9,6%, contra margem negativa de 6,6% um ano antes. A administração ressaltou avanços operacionais: recuperação da margem bruta para 7,6%, reativação de quatro linhas de produção ao final do período e manutenção de pipeline de aproximadamente 2 GW em contratos para 2026 e 2027.
Veste acelera lucro e ganha eficiência no varejo de moda
A Veste (VSTE3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 30,7 milhões no 2T26, alta de 80,5% sobre o mesmo período de 2025. No semestre, o lucro líquido ajustado alcançou R$ 42,1 milhões, avanço de 548,6%, com margem líquida ajustada de 6,4%. A receita líquida ajustada somou R$ 353,2 milhões no trimestre, crescimento de 9,5%, enquanto o Ebitda ajustado atingiu R$ 89,8 milhões, alta de 19,1%, com margem Ebitda ajustada de 25,4%, expansão de 2,1 pontos percentuais.
O desempenho foi apoiado pela expansão da margem bruta ajustada para 67,2%, alta de 2,9 pontos percentuais, e pelo avanço do canal digital, que cresceu 19,6% e passou a representar 20% do faturamento total. A companhia também reduziu os estoques em 5,2% e ganhou 25 dias de cobertura, sinalizando maior eficiência de capital de giro e gestão de inventário mais enxuta.





