
Com a Selic ainda em patamar elevado, um seleto grupo de ações da Bolsa brasileira entrega dividend yield médio superior a 14% ao ano, remuneração que supera o rendimento da renda fixa atualmente. Levantamento da Economatica, com data-base de 7 de agosto de 2026, cruzou os proventos distribuídos nos últimos 12 meses e o histórico médio de pagamentos entre 2023 e 2025 para identificar as companhias com capacidade mais consistente de remuneração.
O estudo considerou ações do Ibovespa, do Idiv e do IBrX 100. Entre os destaques de dividend yield nos últimos 12 meses estão a Syn Prop & Tech (SYNE3), com retorno de 64,53%; a Grendene (GRND3), com 43,19%; a Vulcabras (VULC3), com 32,62%; a Log Commercial Properties (LOGG3), com 27,54%; e a Lavvi (LAVV3), com 27,26%.
Os analistas da Rico, porém, alertam que o dividend yield de 12 meses pode ser inflado por distribuições extraordinárias, como venda de ativos ou redução de capital, e nem sempre reflete a capacidade recorrente de uma companhia de gerar caixa e remunerar acionistas. Por isso, o filtro adicional pela média de três anos muda completamente a lista.
As seis ações com dividend yield acima de 14% na média de três anos
Ao considerar o intervalo entre 2023 e 2025, apenas seis empresas superaram a barreira de 14% de retorno médio em proventos, patamar que fica acima da taxa básica de juros após o Copom reduzir a Selic pela quarta reunião consecutiva, em corte de 0,25 ponto percentual.
Confira as seis ações e seus respectivos setores:
Grendene (GRND3) — Têxtil
Com dividend yield médio de 21,68% entre 2023 e 2025, a Grendene lidera a lista. O setor têxtil e de calçados aparece com consistência na distribuição de proventos, mesmo diante de um ambiente de juros elevados que tende a pressionar o consumo discricionário.
Vulcabras (VULC3) — Têxtil
A Vulcabras aparece na segunda posição, com DY médio de 17,38% no período de três anos. A companhia mantém histórico de pagamentos recorrentes e se destaca entre as ações com retorno em proventos acima da Selic.
Petrobras (PETR4) — Petróleo e Gás
Com média de 17,29%, as ações preferenciais da Petrobras integram a seleta lista. A petroleira segue como uma das maiores pagadoras de dividendos da Bolsa, sustentada pela forte geração de caixa do setor de óleo e gás.
Petrobras (PETR3) — Petróleo e Gás
As ações ordinárias da Petrobras registraram DY médio de 16,22% no mesmo período. A diferença em relação ao papel preferencial reflete a estrutura de capital da companhia e a distribuição diferenciada de proventos entre classes de ações.
Metalúrgica Gerdau (LEVE3?) — Veículos e Peças
Com 15,64% de retorno médio, a LEVE3, do setor de veículos e peças, também aparece entre as empresas capazes de superar o rendimento da renda fixa com pagamentos recorrentes de proventos.
Bradespar (BRAP4) — Outros
Fechando a lista, a Bradespar apresenta dividend yield médio de 14,02% entre 2023 e 2025. A holding de participações mantém política de distribuição atrelada ao recebimento de proventos de suas investidas.
Juros altos e o alerta sobre o dividend yield
O relatório da Rico ressalta que juros elevados tendem a pressionar empresas endividadas ou dependentes de crédito, enquanto companhias com geração de caixa robusta e histórico de distribuição consistente tendem a atravessar o ciclo com menor impacto. Por outro lado, a renda fixa se torna mais atrativa em cenário de Selic alta, reduzindo o apetite por ações e pressionando as cotações.
Os analistas destacam que o dividend yield pode subir mesmo sem aumento nos dividendos pagos, simplesmente porque o preço da ação caiu. Nesse sentido, um DY elevado pode representar tanto oportunidade quanto sinal de alerta. A avaliação da corretora é que um retorno acima da Selic, por si só, não caracteriza bom investimento.
Além do indicador, é necessário analisar a recorrência dos pagamentos, o nível de endividamento e a origem dos recursos distribuídos. Eventos extraordinários, como vendas de ativos ou reduções de capital, podem inflar temporariamente o rendimento sem refletir capacidade sustentável de geração de caixa.
Cenário de Selic e projeção
A decisão do Copom de cortar a Selic em 0,25 ponto percentual já era amplamente esperada pelo mercado, mas o comunicado adotou tom cautelosamente em relação aos próximos passos da política monetária. O Banco Central acompanha a evolução da inflação e os impactos dos cerca de R$ 200 bilhões em estímulos fiscais e parafiscais anunciados pelo governo.
No cenário-base da Rico, a expectativa é de pausa no ciclo de cortes após a redução deste mês. A projeção da corretora indica que a Selic deve encerrar 2027 em 11,50%, nível que ainda representa rentabilidade relevante para a renda fixa e mantém a seletividade na busca por ações pagadoras de dividendos no mercado de ações.





