No segundo trimestre de 2026, a Natura (NTCO3) viu seu lucro encolher para R$ 35 milhões, uma retração de 82% ante os R$ 196 milhões registrados um ano antes. Considerando apenas as operações continuadas, a redução chega a 92,1%, com o resultado saindo de R$ 446 milhões para o mesmo patamar. A receita líquida consolidada atingiu R$ 5,17 bilhões, 9,1% menos na comparação anual, ou 7,1% de queda em moeda constante, cenário que reflete a combinação de pressões no mercado doméstico e efeitos financeiros adversos.
Câmbio e despesas financeiras corroem o resultado final
O balanço da companhia mostra que o resultado financeiro líquido passou de um ganho de R$ 23 milhões no segundo trimestre de 2025 para uma despesa de R$ 297 milhões em igual período de 2026, uma virada negativa de R$ 320 milhões. O principal vilão foi a variação cambial financeira, que saiu de um saldo positivo de R$ 268 milhões para uma perda de R$ 114 milhões, ampliando a pressão sobre o lucro final.
Além do câmbio, a Natura conviveu com alterações pontuais na legislação do ICMS em São Paulo, que provocaram um descasamento tributário temporário e reduziram as vendas líquidas em aproximadamente 2 pontos percentuais. Esse efeito distorceu também a leitura do desempenho operacional, já que, sem esse impacto, a margem EBITDA consolidada teria ficado em 13,2%, acima dos 12% reportados.
Operação brasileira sente o baque da reestruturação
No Brasil, a receita líquida caiu 14,8% no trimestre, para R$ 3,07 bilhões, com a marca Natura recuando 14,5% e a Avon apresentando queda de 22,5%. A companhia atribuiu o fraco desempenho ao consumo mais contido, à falta de produtos nas prateleiras e a obstáculos internos de gestão, que afetaram os três canais de distribuição: vendas por relações (-15,9%), Omni/Digital (-11,7%) e varejo (-3%).
Os gargalos começaram na cadeia de suprimentos, durante a estabilização do novo sistema de planejamento integrado, a atualização do SAP e a realocação de volumes após o encerramento da fábrica de Interlagos. O fechamento e a transição geraram indisponibilidade temporária de itens, comprometendo o atendimento nos canais digitais e tradicionais.
No campo operacional, o EBITDA do Brasil recuou 23,8%, para R$ 504 milhões, com a margem passando de 18,4% para 16,4%. A empresa relacionou a compressão ao descasamento tributário, às despesas rescisórias e à diluição dos gastos com vendas diante da queda do faturamento. Mesmo assim, a margem bruta permaneceu em 68,5%, perto do nível histórico de 69%, amparada por repasses de preço, menor incidência de descontos e ganhos iniciais de eficiência.
América Hispânica compensa parte da fraqueza doméstica
Nos mercados hispânicos, a receita ficou praticamente estável em reais, com alta de 0,7%, para R$ 2,1 bilhões, mas em moeda constante o crescimento chegou a 7,2%. A Natura Hispânica avançou 12,3% em moeda constante, enquanto a Avon cresceu 4,7%; desconsiderando a Argentina, a expansão da região alcançou 10,9%.
O México foi um dos principais destaques, com maior atividade comercial compensando a redução anual no número de consultoras e a leve queda de produtividade. A empresa também mencionou ganhos com vendas cruzadas de produtos da Natura na rede e na base de clientes da Avon. Na Argentina, a recuperação avançou gradualmente, embora ainda em ritmo inferior à inflação local.
A melhora operacional se refletiu no EBITDA: a margem dos mercados hispânicos saltou de 4% para 7,6%, um avanço de 360 pontos-base impulsionado principalmente pelas eficiências nas despesas gerais e administrativas.
Margens e eficiência definem o tom do próximo semestre
No consolidado, o EBITDA somou R$ 620 milhões, 5,9% menor na comparação anual, com margem de 12%, ligeiramente acima dos 11,6% vistos um ano antes. Excluindo o descasamento tributário paulista, a margem teria atingido 13,2%, indicando que a operação tem conseguido proteger parte da rentabilidade apesar do cenário adverso.
Com a normalização gradual dos sistemas e a maturação do novo modelo operacional, a expectativa é que a companhia converta os ganhos de eficiência em resultados mais robustos. Para investidores atentos aos fundamentos, o balanço reforça a necessidade de monitorar a evolução da alavancagem, o comportamento do câmbio e a velocidade da recuperação da operação brasileira. Você pode acompanhar as cotações e os highlights do mercado de investimentos em tempo real aqui na SpaceMoney.





