A B3 (B3SA3) registrou lucro líquido recorrente de R$ 1,4 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de 8% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado, divulgado nesta terça-feira (11), veio praticamente em linha com as estimativas compiladas pela LSEG, que apontavam para R$ 1,46 bilhão.
A receita total somou R$ 3,1 bilhões, crescimento de 12,2% na base anual, em um trimestre marcado pela retomada das ofertas públicas — incluindo o primeiro IPO em cinco anos, da Compass (PASS3) — e pelo aumento dos volumes negociados no mercado de ações. As receitas pró-cíclicas, compostas por derivativos e renda variável, subiram 7,9%, enquanto as recorrentes avançaram 17,3%, combinação que, segundo a administração, reduziu a dependência da B3 das oscilações dos mercados.
Mercado de ações acelera e derivativos recuam
O volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista atingiu R$ 31,3 bilhões no trimestre, alta de 20,1% sobre o segundo trimestre de 2025. O volume médio diário de ações cresceu 21,2%, para R$ 26,9 bilhões. Entre outros instrumentos, os BDRs avançaram 41,8%, para R$ 1,3 bilhão por dia, enquanto os fundos listados subiram 73,6%, para R$ 611 milhões. As opções sobre ações e índices aumentaram 54%, para R$ 1,2 bilhão por dia.
Nos derivativos, o volume médio diário caiu 8,3%, para 11,1 milhões de contratos. A principal razão foi a queda de 84,5% no volume de futuros de criptoativos, associada a mudanças nas margens exigidas e ao menor nível de atividade nesse mercado. Em contrapartida, os contratos de juros em reais cresceram 6,7% e os de índices de ações subiram 20,4%.
IPO volta à bolsa após cinco anos
As ofertas públicas movimentaram R$ 11,6 bilhões no trimestre, sendo R$ 3 bilhões em um IPO e R$ 8,6 bilhões em follow-ons. Foi o primeiro IPO registrado pela B3 em cinco anos. O aumento das ofertas também impulsionou a receita de Listagem e Soluções para Emissores, que chegou a R$ 43 milhões, alta de 25,8%, com contribuição dos reajustes das tarifas de listagem.
Renda fixa e Tesouro Direto seguem em expansão
A renda fixa manteve trajetória de crescimento. As emissões de instrumentos de captação bancária aumentaram 5,2%, enquanto o estoque médio desses instrumentos avançou 18,4%. O estoque médio de debêntures cresceu 14,4%. A receita de Renda Fixa e Crédito foi de R$ 385,5 milhões, alta de 17,2%, e a linha Soluções para Mercado de Capitais gerou R$ 201 milhões, crescimento de 25,8%.
O Tesouro Direto também ampliou sua base. O número médio de investidores chegou a 3,46 milhões, alta de 14,7%, enquanto o estoque médio subiu 43,7%, para R$ 236 bilhões.
Despesas sobem 15,5% e Ebitda mantém margem de 70%
As despesas totalizaram R$ 975,6 milhões, avanço de 15,5% em um ano. Segundo a B3, o aumento foi influenciado por despesas não recorrentes relacionadas às mudanças na Diretoria Executiva e pelos custos associados à alteração no modelo de cobrança do Sistema Nacional de Gravames (SNG). Considerando as despesas ajustadas, o crescimento foi de 6,2%. A despesa com pessoal e encargos subiu 22%, para R$ 459,8 milhões, enquanto os gastos com tecnologia da informação avançaram 6,8%, para R$ 186,1 milhões.
A companhia investiu R$ 55,3 milhões no trimestre e R$ 112 milhões no acumulado do ano. O Ebitda recorrente ficou em R$ 1,9 bilhão, com margem de 70%.
B3 anuncia R$ 1,106 bilhão em JCP
A companhia anunciou R$ 1,106 bilhão em juros sobre capital próprio (JCP) no trimestre, dos quais R$ 750 milhões são extraordinários, referentes a saldos não utilizados em exercícios anteriores. Somadas as recompras de ações de R$ 196,9 milhões, as distribuições aos acionistas chegaram a R$ 1,303 bilhão.
Venda da Dimensa e nova gestão
O resultado do trimestre também foi afetado pela venda da participação da B3 na Dimensa. A companhia exerceu a opção de venda de sua participação de 37,5% por R$ 665 milhões, operação que gerou efeito positivo não recorrente de R$ 123,9 milhões. Em junho, a B3 anunciou Christian Egan como novo CEO, marcando mudança no comando da companhia.





