O JP Morgan rebaixou nesta sexta-feira (4) a recomendação das ações da Intelbras (INTB3) de compra para neutra, citando uma perspectiva mais fraca para o segundo semestre deste ano. O banco também ajustou o preço-alvo de R$ 19,00 para o fim de 2026 para R$ 18,50 para o fim de 2027, o que ainda sugere um potencial de valorização de 22,3% sobre o fechamento da véspera, quando os papéis terminaram cotados a R$ 15,13.

A revisão ocorre após um período de recuperação relevante da companhia no mercado acionário. Segundo a equipe de análise do JP Morgan, a Intelbras apresentou retorno total de 32% em 2026, contra 15% do Ibovespa (IBOV), depois de um ano fraco para os papéis em 2025. O desempenho positivo, na avaliação dos analistas, foi impulsionado pela normalização do crescimento da receita e das margens Ebitda, que alcançaram 14,7% no segundo trimestre (2T26), com aumentos sequenciais em todos os trimestres desde o primeiro trimestre do ano passado.

Desaceleração no segundo semestre

Para o banco, a Intelbras deve enfrentar um ritmo mais lento de crescimento na segunda metade de 2026. A projeção é de aumento de receita de 3,1% no segundo semestre, abaixo dos 4,2% registrados no primeiro. A principal pressão deve vir do segmento de ICT, uma vez que a companhia reduz gradualmente as vendas de equipamentos GPON, após o negócio de fibra atingir sua capacidade máxima no primeiro semestre.

A percepção mais cautelosa também é reforçada por uma pesquisa do JP Morgan com revendedores, que apontou deterioração das expectativas em todos os segmentos de atuação da Intelbras. O banco projeta ainda perda de fôlego nas margens Ebitda, com o pico tendo ocorrido no segundo trimestre, quando os preços foram ajustados em um cenário de câmbio mais fraco, enquanto os custos ainda refletiam estoques adquiridos a patamares menores.

Com a normalização desses estoques, a estimativa do banco é de margem Ebitda de 13,9% no segundo semestre, abaixo dos 14,7% registrados no 2T26.

Benefícios fiscais seguem como suporte

Apesar da visão mais cautelosa para os resultados operacionais, o JP Morgan não vê os benefícios fiscais da Intelbras como uma fonte importante de preocupação no curto prazo. Em 2025, R$ 336 milhões dos R$ 480 milhões de EBT (lucro antes dos impostos) da companhia estavam ligados a benefícios de ICMS sobre os quais não houve recolhimento de imposto de renda.

Essa vantagem, contudo, tende a perder força com a reforma tributária, à medida que o ICMS for gradualmente substituído pelo IBS entre 2029 e 2033. Ainda assim, o banco acredita que a Intelbras possui mecanismos para manter a carga tributária próxima de zero por vários anos, incluindo o incentivo da SUDAM para a produção em Manaus, benefícios fiscais para pesquisa e desenvolvimento, maior distribuição de juros sobre capital próprio, amortização do ágio fiscal da Renovigi e utilização de prejuízos fiscais acumulados.

Mesmo após o fim de parte desses incentivos, o JP Morgan projeta que a alíquota efetiva de impostos da companhia subirá para cerca de 8% apenas a partir de 2033, o que indica que o tema continuará no radar dos investidores por um horizonte prolongado.