Gráfico de ações em queda ilustrando a baixa do Ibovespa.
Ibovespa registra perdas com forte saída de capital externo em maio de 2026.

O Ibovespa encerrou o mês de maio de 2026 com um saldo amargo para os investidores. O principal índice da bolsa brasileira registrou uma queda de 7,22% no acumulado mensal. Essa é a maior desvalorização para um único mês desde fevereiro de 2023, período em que o recuo foi de 7,49%.

Na última sexta-feira do mês, o índice fechou em queda de 0,73%, cotado aos 173.787 pontos. No pior momento do dia, a bolsa chegou a operar abaixo dos 173 mil pontos. Com esse resultado, o Ibovespa engatou a sua sétima perda semanal consecutiva, acumulando um recuo de 1,37% na semana. Uma sequência negativa tão longa assim não era vista desde o bimestre de abril e maio de 2004. Historicamente, desde o início da série em 1982, o índice nunca superou a marca de sete semanas seguidas de baixa.

O pior mês da bolsa desde 2023

O desempenho de maio consolidou um período que muitos operadores preferem esquecer. O grande motor dessa correção negativa foi a forte saída de capital externo. Conforme os dados consolidados da B3, o saldo de capital estrangeiro no mercado secundário estava negativo em R$ 14,1 bilhões até o dia 27 de maio (desconsiderando ofertas primárias e secundárias).

Essa debandada desidratou a bolsa doméstica. Nem mesmo a resiliência inicial de pesos-pesados como a Petrobras (PETR4) e o setor de commodities conseguiu segurar o índice no terreno positivo. A mudança de fluxo do dinheiro estrangeiro atingiu em cheio a base que sustentava os recordes históricos da bolsa desde o ano passado.

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Rotação global e juros domésticos pressionados

Estrategistas de mercado apontam que a desvalorização reflete uma forte rotação de portfólios globais. O capital internacional está voltando para o setor de tecnologia nos Estados Unidos e na Ásia. No cenário doméstico, as perspectivas macroeconômicas também pesaram contra as ações. O mercado começou a precificar um ciclo de cortes da taxa Selic muito mais lento e menos intenso do que o antecipado.

O fator terrorismo e o fantasma fiscal

A agenda econômica do final do mês trouxe dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre mostrando aceleração da atividade econômica em comparação ao fim de 2025. No entanto, o otimismo foi ofuscado por ruídos geopolíticos e de segurança pública internacional.

Os investidores repercutiram a decisão do governo dos Estados Unidos de designar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Além disso, a aceleração do afrouxamento fiscal no período pré-eleitoral acendeu o sinal de alerta para o risco fiscal do país.

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Itaú BBA aponta suportes críticos no gráfico

De acordo com o relatório Diário do Grafista do Itaú BBA, o Ibovespa segue em clara tendência de baixa no curto prazo. Os analistas gráficos alertam que, caso o índice feche abaixo da região de 173.500 pontos, haverá caminho livre para uma realização de lucros ainda mais intensa. Para anular o viés vendedor e retornar a um cenário neutro, a bolsa precisa superar a marca de 179.500 pontos.

UBS e JPMorgan adotam cautela com eleições de 2026

O banco suíço UBS cortou a recomendação para as ações brasileiras de “atrativa” para “neutra”. A instituição citou a deterioração da relação de risco versus retorno, impulsionada por três fatores:

  • Aumento da incerteza política atrelada às eleições.
  • Um ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central mais curto.
  • Aceleração dos gastos fiscais no período pré-eleitoral.

Na mesma linha, o JPMorgan mantém uma postura de cautela com os ativos locais. O banco projeta uma disputa presidencial extremamente apertada e equilibrada (“50/50”) em outubro de 2026, o que deve elevar drasticamente a volatilidade financeira nos próximos meses. Os economistas do Morgan apontam que, historicamente, a bolsa brasileira tende a performar mal nos meses que antecedem o pleito, um padrão que já começa a se repetir. A expectativa é de que o mercado sinta o peso eleitoral de forma mais severa a partir de agosto.