O Ibovespa futuro opera em queda nesta quarta-feira (9), pressionado pela escalada das tensões entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio, que levou o barril do petróleo Brent a superar US$ 100, no maior nível desde julho. Por volta de 9h (horário de Brasília), o índice recuava 0,21%, aos 189.630 pontos, enquanto o dólar à vista abria em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,0917, na contramão do DXY, que caía 0,13%, aos 98.662 pontos.

O movimento ocorre em um ambiente de forte volatilidade e predomínio do curto prazo nas decisões dos investidores. “O mercado está bastante complexo, com muita volatilidade, e o investidor geral está operando muito no curto prazo. Lá fora, o mercado está operando em função das notícias relacionadas ao cenário geopolítico. Por aqui, o cenário eleitoral é o principal driver”, afirma Renato Nobile, CEO e CIO da Buena Vista Capital.

Geopolítica e ataques a petroleiros elevam o preço do barril

O cenário geopolítico segue como o principal fator de atenção dos mercados globais. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado 10 navios petroleiros, após os EUA anunciarem a destruição de cinco navios iranianos. Essa é a maior onda declarada de ataques recíprocos na via marítima desde o início da guerra, que já dura seis meses.

Com a escalada, as cotações do petróleo operam em forte alta nesta manhã. O Brent para novembro subia 2,74%, a US$ 100,60 o barril, enquanto o WTI para outubro avançava 2,35%, a US$ 95,22 o barril.

Em meio à tensão, bancos globais revisam cenários. O Bank of America (BofA) projeta o preço médio do Brent em US$ 82 por barril no segundo semestre deste ano e de US$ 75 por barril em 2027, refletindo interrupções mais persistentes no tráfego pelo Estreito de Ormuz. Já o Goldman Sachs vê o barril a US$ 120 no curto prazo, embora o cenário-base seja de Brent a US$ 85 neste ano e a US$ 80 no próximo.

Mercados internacionais em queda

No exterior, o clima de aversão a risco domina os futuros de Wall Street. O S&P futuro caía 0,33%, aos 7.655,00 pontos; o Dow futuro recuava 0,62%, aos 52.505,00 pontos; e o Nasdaq futuro tinha baixa de 0,45%, aos 29.406,00 pontos.

Cenário eleitoral e crise no STF seguem no radar

No Brasil, a disputa acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) pela Presidência da República continua no foco dos investidores, assim como a crise no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Asset, os eventos recentes no STF geram uma leitura mais negativa para o atual governo. “A percepção é que os acontecimentos envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro, STF e diferentes agentes políticos têm maior proximidade do governo”, avaliou.

O analista também considera que a política voltou a ser um dos principais temas na formação de preços dos ativos locais. “Os mercados passaram a reagir com uma performance relativa mais positiva dos ativos brasileiros, principalmente nos segmentos mais sensíveis a juros e ao cenário doméstico”, afirmou Passos.