O principal índice da bolsa brasileira operava em leve queda na tarde desta segunda-feira, pressionado pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e pela expectativa em torno dos próximos indicadores de inflação nos Estados Unidos, apesar da forte valorização de Petrobras e Embraer. Por volta de 13h, o Ibovespa cedia 0,20%, aos 172.236,94 pontos, depois de oscilar entre uma máxima de 172.935,59 pontos e uma mínima de 171.524,22 pontos nas primeiras horas de negociação.

O pregão mostrava direções opostas dentro do próprio índice. De um lado, ações sensíveis à trajetória dos juros recuavam diante do avanço da Treasury americana de dez anos, que contaminava as taxas dos contratos de depósito interfinanceiro no Brasil. De outro, papéis ligados a commodities e a balanços corporativos sustentavam o Ibovespa, impedindo uma queda mais acentuada.

Rendimento da Treasury e a espera pelo CPI dos EUA

O principal vetor de pressão vinha do mercado de dívida americano. Depois do alívio observado na última sexta-feira, o rendimento do título de dez anos voltava a subir, a 4,6842%, após o relatório de emprego dos Estados Unidos indicar fechamento de vagas. Esse movimento elevou as taxas dos contratos de DI no Brasil e afetou com mais intensidade os ativos domésticos de maior sensibilidade a juros.

Em Nova York, o S&P 500 subia 0,15%, sem força suficiente para reverter o tom de cautela. Para o estrategista da One, Pedro Cutolo, o mercado entrou em compasso de espera pelas divulgações desta semana, com atenção especial aos dados de inflação americana e à comunicação dos bancos centrais. O foco imediato deixou em segundo plano, por ora, o monitoramento das pesquisas eleitorais para a Presidência, que seguem sendo observadas sem influenciar os preços dos ativos.

Petrobras ganha fôlego com revisão do Itaú BBA e escalada do petróleo

Na contramão do índice, a Petrobras operava em alta firme. As ações PETR4 subiam 2,08%, enquanto PETR3 avançava 1,93%, impulsionadas pela revisão das estimativas do Itaú BBA para as empresas produtoras de petróleo após os resultados do segundo trimestre de 2026. O banco manteve a recomendação de compra para a estatal, mas ajustou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 64 para R$ 63 por ação, incorporando um preço médio do petróleo mais baixo no período.

O movimento das ações também era endossado pela commodity. O Brent chegou a subir mais de 3% no fim da manhã, para US$ 86,39 o barril, depois que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã reafirmou que o país não reabrirá o Estreito de Ormuz enquanto Washington não atender às condições impostas por Teerã. A ausência de sinais de acordo entre Estados Unidos e Irã manteve o mercado de petróleo sob pressão altista e elevou as preocupações inflacionárias em um momento já delicado para os juros globais.

Em outra leitura do pregão, a ação preferencial da Petrobras aparecia com alta de 1,49%, atuando para limitar a queda do Ibovespa a 0,19%, aos 172.179,07 pontos. O suporte vindo da petrolífera, no entanto, não foi suficiente para segurar o índice em campo positivo diante do avanço das taxas americanas.

Embraer lidera ganhos após resultado recorde e novas projeções

O principal destaque positivo do Ibovespa, porém, vinha da Embraer. As ações EMBJ3 subiam cerca de 7% depois que a fabricante de aviões reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, alta de cerca de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também registrou receita recorde para o trimestre, de R$ 11,34 bilhões.

Além do balanço, a empresa elevou as projeções de margem operacional e fluxo de caixa para 2026, sinalizando maior eficiência na operação e geração de caixa mais robusta. A combinação de resultado acima do esperado e expectativas mais altas atraiu compradores para o papel e transformou a Embraer em um dos principais contrapesos ao mau humor do mercado.

Vale segura o índice e Vamos recua com saída de diretor

Entre as blue chips, a Vale subia 1,05%, mesmo diante da fraqueza dos futuros de minério de ferro na China. A sessão também trazia revisões de preços-alvo para Petrobras e Vale, o que ajudava a manter o apetite por esses papéis em meio ao avanço do petróleo e ao cenário externo ainda incerto.

Na ponta negativa, a Vamos caía mais de 4%, pressionada pela renúncia de José Cezário aos cargos de diretor financeiro e de diretor de relações com investidores. Ele permanece nas funções até o próximo dia 17, quando Rodrigo Araujo de Faria, atual diretor de RI não estatutário, assume interinamente o posto.

Suportes, resistências e o cenário eleitoral no radar

Para analistas do BB Investimentos, o mercado acionário brasileiro deve seguir sensível à temporada de resultados, às expectativas de inflação, à evolução dos juros e ao desenrolar das eleições. Em análise gráfica semanal do Ibovespa, a casa indicou que, se o movimento de baixa persistir, os suportes mais relevantes estão abaixo dos 170 mil pontos, na região de 167,7 mil pontos.

O relatório do BB também ressalta que, mesmo com a realização recente, o Ibovespa segue em tendência primária de alta no longo prazo, estabelecida desde janeiro de 2025. A próxima resistência está na faixa dos 175 mil pontos, e a manutenção dessa estrutura deve orientar a leitura dos investidores nos próximos pregões.

No campo político, as pesquisas de intenção de voto têm sido monitoradas, mas, segundo o estrategista da One, ainda não exercem influência relevante sobre os ativos. O foco imediato do mercado segue nos dados econômicos e na comunicação dos bancos centrais, que devem ditar o tom do Ibovespa ao longo da semana.