A bolsa brasileira abriu a semana em terreno positivo e passou a testar novamente o patamar dos 173 mil pontos, em um pregão marcado pela valorização de Petrobras, pela reação do mercado ao balanço da Embraer e pela leitura dos novos números do Relatório Focus. O Ibovespa renovou máxima aos 172.935,59 pontos, com alta de 0,24%, depois de iniciar os negócios aos 172.521,47 pontos. Apesar do avanço do índice, a sessão mostrou leitura seletiva: apenas 18 ativos operavam em alta, com Embraer e RECV3 liderando os ganhos.

No câmbio, o dólar comercial subia levemente, com a primeira parcial Ptax indicando compra a R$ 5,0892 e venda a R$ 5,0898. Os juros futuros também avançavam, enquanto o Ibovespa era apoiado por Petrobras e Vale. O índice de volatilidade da B3, o VXBR, abriu em forte alta de 17,13%, aos 14,63 pontos, sinalizando aumento do prêmio de risco nos negócios domésticos.

Ibovespa tenta recuperar 173 mil com leitura seletiva de ativos

O índice acumulou ganhos ao longo da manhã, mas o comportamento dos ativos seguiu desigual. Entre as ações de maior peso, Petrobras renovou máximas e ampliou o avanço: PETR3 subia 2,14%, enquanto PETR4 ganhava 2,01%. Vale, depois de abrir com leve queda, virou para alta e marcava 0,71% de valorização, a R$ 75,50, com nova máxima intradiária. Entre os bancos, o quadro era misto: BBAS3 tinha +0,05%, ITUB4 +0,02% e SANB11 +0,65%, enquanto BBDC4 recuava 0,35%.

No plano setorial, as petroleiras independentes começaram o dia com ganhos: PRIO3 subia 2,18%, RECV3 avançava 0,88% e BRAV3 registrava 0,27%. Já as siderúrgicas alternavam sinais, com CSNA3 e USIM5 em queda de 0,66% e 0,14%, respectivamente, e GGBR4 e GOAU4 em alta de 1,12% e 0,91%. No varejo, o leque de resultados era amplo: AMER3 subia 1,20%, AZZA3 caía 1,47%, AUAU3 recuava 0,85%, BHIA3 operava estável, CEAB3 cedia 0,11%, LREN3 avançava 0,08%, MGLU3 saltava 2,27%, RIAA3 perdia 0,52% e VIVA3 subia 0,18%.

Nos supermercados, o dia também começou dividido, com ASAI3 em baixa de 0,24%, GMAT3 em alta de 0,27% e PCAR3 subindo 1,03%. No setor de frigoríficos, BEEF3 caía 0,58% e MBRF3 recuava 0,62%. Fora do núcleo de maior liquidez, B3 iniciava em queda de 0,40%, a R$ 14,89; Axia Energia recuava 0,70%, a R$ 52,68; Hapvida cedia 0,37%, a R$ 10,73; e Azul caía 0,33%, a R$ 21,41. O índice Small Caps, por sua vez, abriu praticamente estável, com alta de 0,01%, aos 2.135,26 pontos.

Dólar comercial e juros futuros sobem

O dólar comercial operava em alta, ao redor de R$ 5,09, com a primeira parcial Ptax revelando compra a R$ 5,0892 e venda a R$ 5,0898. O movimento da moeda ocorria em sessão de ajuste dos mercados emergentes e de atenção redobrada ao cenário externo, com o petróleo voltando a subir por causa das tensões no Oriente Médio.

Na curva de juros futuros, as taxas avançavam ao longo dos principais vencimentos. Esse comportamento reflete, entre outros fatores, a leitura de maior prêmio de risco após a pesquisa eleitoral e a expectativa por dados de inflação nos Estados Unidos na quarta-feira. O noticiário doméstico, com o Relatório Focus reduzindo as projeções para 2026, ajudou a orientar as apostas para a política monetária no próximo ano.

Focus revisa 2026 e pesquisa eleitoral reforça indefinição

O Boletim Focus trouxe nova rodada de revisão para as estimativas de 2026, com redução das projeções de inflação e de crescimento do PIB. A alteração ocorre em meio ao processo de ajuste das expectativas do mercado para o comportamento dos preços e da atividade econômica no próximo ano. A agenda doméstica também segue concentrada nos balanços do segundo trimestre e no desenrolar do calendário político.

No campo eleitoral, a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira mostrou mudança numérica nas intenções de voto em um eventual segundo turno. Lula oscilou de 46% para 47%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 45% para 44%. No levantamento anterior, de 3 de agosto, os dois cenários apareciam com os mesmos percentuais que agora foram alterados. Apesar da vantagem numérica ampliada, o estudo indica que os dois postulantes seguem tecnicamente empatados, o que mantém o risco político entre os fatores monitorados pelos agentes financeiros.

Embraer dispara após lucro bilionário no segundo trimestre

A Embraer foi o principal destaque positivo do Ibovespa. A fabricante reportou lucro líquido ajustado de R$ 1,11 bilhão no segundo trimestre de 2026, o que representa alta de 25,1% sobre o resultado de R$ 890,3 milhões apurado um ano antes. A reação do mercado foi imediata, e os papéis chegaram a subir 7,05%, a R$ 99,00, no começo dos negócios, mantendo-se na liderança dos ganhos do índice.

O resultado veio acima da comparação anual e ajudou a pautar o movimento das ações da companhia durante a manhã. A valorização ocorreu em um dia de agenda corporativa intensa, com o mercado ajustando posições diante de uma leva de balanços prevista para depois do fechamento do pregão.

Caixa Seguridade, Natura, Itaúsa e JBS divulgam balanços após o fechamento

A agenda corporativa desta segunda-feira reserva uma leva de balanços relevante para depois do sino. Caixa Seguridade (CXSE3), Natura (NATU3), Itaúsa (ITSA4) e JBS (BDR: JBSS32) divulgarão seus números do segundo trimestre, ampliando o fluxo de informações aos investidores em um momento de ajuste de projeções e de maior sensibilidade a resultados.

Além dos números operacionais, o mercado observa as orientações das companhias para o segundo semestre e os eventuais impactos das divulgações na precificação dos ativos. A combinação da temporada de balanços com o Relatório Focus e o cenário externo deve manter a bolsa em compasso de espera até a definição dos próximos catalisadores.

Cenário externo: Ormuz, CPI americano e oferta bilionária da Intel

No plano exterior, a atenção segue voltada ao Oriente Médio. O Irã afirmou no domingo que um acordo com Omã sobre o trânsito pelo Estreito de Ormuz está em fase final de negociação, mas voltou a condicionar a reabertura da hidrovia ao cumprimento de outras exigências pelos Estados Unidos. O petróleo voltou a subir, e as bolsas de Nova York abriram o dia com leves quedas: Dow Jones recuava 0,04%, S&P 500 caía 0,05% e Nasdaq perdia 0,07%. Antes da abertura, os contratos futuros também operavam em baixa, com quedas de 0,12%, 0,20% e 0,19%, respectivamente.

A agenda americana concentra expectativa nos dados de inflação ao consumidor de julho, que serão divulgados na quarta-feira. A estimativa média dos economistas é de alta anual de 3,4%, ante 3,5% no mês anterior. O dado ganhou relevância depois do relatório de empregos de sexta-feira, que, na avaliação de analistas, retirou parte da urgência de um eventual aumento de juros pelo Federal Reserve, permitindo maior foco no comportamento dos preços.

A Intel anunciou, na manhã desta segunda-feira, uma oferta pública de US$ 15 bilhões em ações ordinárias, com a justificativa de aproveitar um ambiente de demanda forte e sustentável impulsionado pelos investimentos em inteligência artificial. A companhia informou que usará os recursos para fins corporativos gerais, incluindo despesas de capital e capital de giro, e concederá aos subscritores uma opção de 30 dias para compra de até US$ 2,25 bilhões adicionais. J.P. Morgan Securities, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup atuam como coordenadores globais da operação.

Coreia do Sul e EUA elevam tom com exercícios militares

A agenda geopolítica também ganhou contornos adicionais na Ásia. Coreia do Sul e Estados Unidos realizarão grandes exercícios militares conjuntos em meio ao aumento das ameaças da Coreia do Norte. A informação foi divulgada nesta manhã, acrescentando mais um ingrediente ao ambiente de cautela que marcou os mercados globais na abertura da semana.

Esse pano de fundo reforça o tom defensivo dos investidores, que começam a semana com posições mais conservadoras no exterior. No Brasil, a combinação de juros futuros em alta, real levemente pressionado e bolsa em patamar elevado mantém o prêmio de risco sob atenção, enquanto o mercado segue à espera dos próximos dados e balanços.