
O principal índice da bolsa brasileira operou em ritmo lento nesta segunda-feira (25). Sem a referência dos mercados à vista de Nova York, que permaneceram fechados devido ao feriado nacional do Memorial Day nos Estados Unidos, o volume financeiro na B3 despencou. Mesmo em um cenário travado, o Ibovespa fechou em alta de 0,91%, aos 177.815,72 pontos, alcançando a máxima do dia.
O ganho de 1.606,11 pontos foi construído sob o menor volume de negócios registrado desde 19 de janeiro, data que também coincidiu com outro feriado norte-americano. No câmbio, o real seguiu a trajetória de valorização global ante a divisa norte-americana. O dólar comercial fechou em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,019 na venda, após registrar uma mínima de R$ 4,994 ao longo da sessão. Na renda fixa, os contratos de juros futuros (DIs) acompanharam o alívio externo e recuaram por toda a curva.
Avanço diplomático no Oriente Médio derruba petróleo
O grande motor para o apetite por risco global veio das frentes geopolíticas. Investidores repercutiram de forma positiva o avanço nas tratativas diplomáticas entre Washington e Teerã para encerrar os conflitos na região. O presidente norte-americano Donald Trump sinalizou que as conversas avançaram e indicou a possibilidade de reabertura da rota comercial estratégica do Estreito de Ormuz dentro de 30 dias após um acerto definitivo.
Embora o governo do Irã tenha adotado tom cauteloso, ressaltando que ainda restam pontos complexos a serem resolvidos, os mercados globais reagiram antecipando o fim das hostilidades. A expectativa de normalização do fluxo logístico de combustíveis derrubou as commodities energéticas.
O petróleo Brent recuou 5,93%, negociado a US$ 97,50 o barril, quebrando a barreira psicológica dos US$ 100. Já o petróleo bruto dos EUA (WTI) despencou 6,29%, cotado a US$ 90,52 o barril. O recuo expressivo abriu espaço para a forte alta das bolsas europeias no fechamento e ajudou a desinflar a cotação global do dólar ante moedas emergentes.
Expectativas de inflação voltam a subir no Boletim Focus
No cenário doméstico, os investidores locais precisaram calibrar as carteiras frente à deterioração das projeções econômicas trazidas pelo Banco Central. O relatório Focus, divulgado logo cedo, mostrou a 11ª elevação consecutiva na projeção do IPCA para 2026, que subiu de 4,92% para 5,04%. Em contrapartida, a estimativa do mercado para o câmbio em 2026 recuou de R$ 5,20 para R$ 5,17.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que as tensões internacionais no Oriente Médio pressionaram os preços dos combustíveis e a inflação interna recentemente. Contudo, o chefe da pasta ponderou que os impactos observados na economia brasileira são menores quando comparados a outros países emergentes, citando os saltos de preços registrados no Chile e na África do Sul.
Setor financeiro lidera ganhos enquanto petroleiras recuam
A sustentação da alta do Ibovespa ficou sob responsabilidade do setor bancário, que registrou forte aceleração ao longo da tarde. Confira o desempenho dos principais ativos:
- Banco do Brasil (BBAS3): Avançou 3,39%.
- Bradesco (BBDC4): Registrou alta de 2,55%.
- Itaú Unibanco (ITUB4): Subiu 2,26%.
- Santander Brasil (SANB11): Valorizou 1,99%.
Outro grande destaque positivo ficou com as ações da B3 (B3SA3), que subiram 3,60% após o JPMorgan elevar o preço-alvo da companhia, incorporando os efeitos de programas de recompra e atualizações operacionais. No varejo, as Lojas Renner (LREN3) subiram 2,26% e figuraram entre os papéis mais transacionados do pregão. A mineradora Vale (VALE3) passou boa parte do dia em terreno negativo, mas se recuperou nos minutos finais e encerrou com ganho de 0,59%, cotada na máxima da sessão.
Na ponta oposta, o recuo drástico nas cotações internacionais do óleo cru arrastou as companhias produtoras de commodities. A Petrobras (PETR4) despencou 2,43%, acompanhando de perto o tombo do Brent, enquanto a PRIO (PRIO3) liderou as perdas do índice ao desvalorizar 5,98%. A Brava Energia (BRAV3) destoou do setor e encerrou com leve alta de 0,76%.





