O Ibovespa fechou a semana com avanço de 5,4%, aos 185.147,15 pontos, engatando a segunda alta consecutiva em um movimento liderado pelo retorno do fluxo estrangeiro e pela reprecificação do cenário eleitoral doméstico. Apenas quatro ações do índice terminaram o período no vermelho.

O dólar à vista recuou 1,26% no acumulado da semana, encerrando a R$ 5,1308. A combinação de queda da moeda americana e alta da bolsa refletiu a redução do prêmio de risco exigido pelos investidores nos ativos locais.

“O avanço do calendário eleitoral levou o mercado a reavaliar as expectativas sobre a condução da política fiscal a partir de 2027, o que reduziu o prêmio de risco exigido nos ativos locais. O movimento veio acompanhado de retorno expressivo do fluxo estrangeiro”, afirma Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico.

Eleições e risco fiscal movimentam o cenário doméstico

As pesquisas de intenção de voto apontando empates técnicos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno reforçaram a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027. O mercado enxerga a reeleição de Lula como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

O noticiário político também foi dominado por novos desdobramentos do Caso Master, com o vazamento de mensagens entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Para Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital, “esse tipo de evento não muda taxa de juros ou resultados das empresas, mas mexe diretamente com a percepção de risco-Brasil e reforça o apetite especulativo”.

No Congresso, avançaram pautas consideradas favoráveis ao governo, como a medida provisória que extingue a chamada “taxa das blusinhas” e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1.

Payroll forte nos EUA alimenta aposta em juros altos por mais tempo

Nos Estados Unidos, o payroll de agosto mostrou a criação de 162 mil vagas de emprego fora do setor agrícola, bem acima da expectativa do mercado, de 55 mil. A taxa de desemprego ficou estável em 4,1%. O relatório também revisou para cima os dados de meses anteriores: junho passou de 20 mil para 31 mil vagas, enquanto julho saiu de um fechamento de 23 mil para uma abertura de 21 mil postos.

Os números reforçaram as apostas de que o Federal Reserve manterá os juros elevados por mais tempo. Na sexta-feira (4), a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 58,4% de chance de alta de 25 pontos-base na decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) do dia 16. A probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% era de 41,6%, ante 50,6% no dia anterior.

Para a consultoria Capital Economics, mesmo os defensores de uma política monetária mais branda teriam dificuldade em encontrar no payroll argumentos para justificar a manutenção dos juros neste mês. A decisão, segundo a consultoria, ainda depende principalmente dos dados de inflação da próxima semana, entre eles o índice de preços ao consumidor (CPI).

Magalu lidera altas com parceria com Mercado Livre e novo delivery

As ações da Magazine Luiza (MGLU3) saltaram 25,32% na semana, na liderança do Ibovespa, impulsionadas pela combinação do anúncio da parceria com o Mercado Livre (MELI34) e do alívio na curva de juros futuros diante da precificação das eleições. A varejista também anunciou o Magalu Delivery, voltado para entrega de comida, colocando na mira iFood, 99 e Keta.

O Bank of America (BofA) elevou a recomendação das ações da varejista de venda para compra. “A Magazine Luiza parece estar mudando sua estratégia, passando de um modelo de marketplace amplo e caro para uma série de conceitos especializados mais eficientes em suas franquias de produtos duráveis, beleza, moda esportiva e tecnologia e jogos”, afirmaram os analistas do banco.

Maiores altas do Ibovespa na semana

Além da Magalu, a ponta positiva foi puxada por CSN (CSNA3), com alta de 22,07%, e Azzas 2154 (AZZA3), com 20,67%. Veja o desempenho completo das maiores altas entre 31 de agosto e 4 de setembro:

MGLU3 — Magazine Luiza ON: +25,32%
CSNA3 — CSN ON: +22,07%
AZZA3 — Azzas 2154: +20,67%
VAMO3 — Vamos ON: +17,06%
BBAS3 — Banco do Brasil ON: +12,15%
HAPV3 — Hapvida ON: +11,86%
CEAB3 — C&A Modas ON: +11,50%
MOTV3 — Motiva ON: +11,42%
UGPA3 — Ultrapar ON: +11,27%
ASAI3 — Assaí ON: +11,27%

Apenas quatro ações fecham no vermelho

Na ponta negativa, apenas quatro papéis recuaram no período. A Rumo (RAIL3) caiu 2,22% com rumores de que o Grupo México teria desistido da compra da fatia na companhia controlada pela Cosan (CSAN3).

A Prio (PRIO3) recuou 0,58% após divulgar produção consolidada diária de petróleo de 180 mil barris por dia (kbpd) em agosto, queda de 5% na comparação mensal. Na avaliação do Itaú BBA, o resultado foi levemente negativo. Completam a lista de quedas MBRF (MBRF3), com -3,02%, e Embraer (EMBJ3), com -0,25%.