O Ibovespa fechou a sessão desta sexta-feira (4) em leve baixa, pressionado pela combinação de aversão a risco no exterior, após um payroll acima do esperado, e pela cautela doméstica com o avanço do calendário eleitoral. O principal índice da B3 terminou o dia aos 185.147,15 pontos, com variação negativa de 0,02%, completando o segundo pregão consecutivo de perdas.
Na semana, no entanto, o saldo foi positivo, com alta acumulada de 5,39%. O dólar à vista, por sua vez, encerrou cotado a R$ 5,13, em elevação de 0,52% no dia, mas com queda de 1,26% no acumulado semanal ante o real.
Payroll forte reforça juros altos nos EUA
A criação de 162 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos em agosto, bem acima da expectativa do mercado, de 55 mil, reforçou a percepção de que o Federal Reserve manterá a taxa de juros elevada por mais tempo. A taxa de desemprego permaneceu estável em 4,1% no mês.
Após a divulgação do relatório oficial de empregos, as apostas em alta de 25 pontos-base na reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), marcada para o próximo dia 16, subiram para 58,2%, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group.
Cenário eleitoral e fluxo estrangeiro no radar
No Brasil, os investidores seguiram monitorando o ambiente político, com as mais recentes pesquisas de intenção de voto indicando disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
“O avanço do calendário eleitoral levou o mercado a reavaliar as expectativas sobre a condução da política fiscal a partir de 2027, o que reduziu o prêmio de risco exigido nos ativos locais. O movimento veio acompanhado de retorno expressivo do fluxo estrangeiro”, afirmou a analista de Renda Variável da Rico, Bruna Sene.
Petrobras, Vale e bancos determinam direção do índice
As blue chips voltaram a pressionar o Ibovespa. As ações da Petrobras fecharam em queda, ainda em movimento de realização de lucros após os ganhos recentes. PETR3 recuou 1,39%, a R$ 51,85, enquanto PETR4 caiu 1,35%, a R$ 49,92, e foi o papel mais negociado da B3.
A Vale (VALE3), que responde por 11% da carteira teórica do índice, oscilou na estabilidade e fechou com alta de 0,01%, a R$ 78,46. O setor de bancos renovou o ritmo positivo da véspera, com avanço de 0,15% do Índice Financeiro (IFNC). Juntas, Vale, Petrobras e grandes bancos representam cerca de 50% da carteira do Ibovespa.
Minerva lidera ganhos com habilitação de plantas
Na ponta positiva, Minerva Foods (BEEF3) subiu 4,75%, a R$ 3,97. A Indonésia habilitou 21 novas plantas brasileiras para exportação de carne bovina, elevando para 26 o total de empresas habilitadas no país. O mercado também acompanhava a expectativa de novo decreto dos Estados Unidos sobre a carne bovina; na semana passada, Donald Trump assinou medida para ampliar temporariamente as importações com tarifas mais baixas. Na avaliação do Safra, o movimento é ligeiramente positivo para a companhia.
Natura lidera perdas com aluguel de ações elevado
Na ponta negativa, Natura (NATU3) caiu 3,59%, para R$ 8,87. Os papéis da varejista vêm registrando taxas elevadas de aluguel desde 2025, movimento intensificado no mês passado. Segundo a Ágora Investimentos/Bradesco BBI, NATU3 é a ação com a maior taxa de locação do Ibovespa, de 69,82%.
Wall Street recua e bolsas globais alternam direção
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários fecharam em queda, pressionados pela perspectiva de uma política monetária mais restritiva. O Dow Jones caiu 0,51%, aos 53.414,25 pontos; o S&P 500 recuou 0,38%, aos 7.718,60 pontos; e o Nasdaq teve baixa de 0,29%, aos 26.506,99 pontos.
Na Europa, o índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em alta de 0,12%, aos 649,88 pontos, embora tenha acumulado queda de 0,8% na semana. Na Ásia, os pregões foram de recuperação: o Nikkei, do Japão, avançou 1,26%, aos 65.020,94 pontos, e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,74%, aos 25.650,87 pontos.





