A bolsa brasileira opera em território negativo na tarde desta segunda-feira, com o Ibovespa cedendo 0,20% e sendo negociado aos 172.174 pontos, pressionado pela cautela dos investidores com a agenda corporativa e o cenário externo. O movimento ocorre mesmo com a sustentação vinda das ações da Vale e da Petrobras, que avançam e impedem uma queda mais pronunciada do índice. Na mínima do dia, o benchmark chegou a recuar até os 171.524 pontos, enquanto o Ibovespa Futuro também opera em baixa de 0,22%, aos 172.275 pontos.

O dólar comercial renovou máximas sucessivas ao longo da sessão, sendo cotado a R$ 5,118, com alta de 0,66%, em meio à expectativa dos agentes financeiros pelos dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que serão divulgados na quarta-feira (12). No mercado de juros, as taxas dos contratos futuros de Depósitos Interfinanceiros (DIs) avançam levemente, acompanhando o movimento internacional. O Boletim Focus, divulgado mais cedo, trouxe redução nas projeções de inflação e de crescimento do PIB para 2026, adicionando mais um elemento de análise para os investidores.

Petrobras e Vale sustentam índice, mas bancos pesam

As ações de petroleiras operam em forte alta nesta segunda, com PETR4 subindo 2,35% e PETR3 avançando 2,25%, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. As petrojúniores também registram ganhos expressivos, com RECV3 saltando 6,55% e PRIO3 avançando 4,93%, enquanto BRAV3 sobe 0,99%. O movimento reflete a alta das commodities energéticas, sustentada pelas tensões geopolíticas envolvendo o Estreito de Ormuz, após o Irã condicionar a reabertura da rota ao atendimento de exigências pelos Estados Unidos.

A Vale, por sua vez, opera com alta confortável de 1,16%, cotada a R$ 75,83, contribuindo positivamente para o desempenho do Ibovespa. Do lado oposto, os grandes bancos exercem pressão negativa: ITUB4 recua 0,69%, BBDC4 cai 0,64% e BBAS3 oscila com leve perda de 0,05%. Apenas SANB11 consegue escapar do vermelho, com alta de 0,10%. O setor de papel e celulose também amarga perdas, com RANI3 caindo 1,53%, KLBN11 recuando 0,72% e SUZB3 cedendo 0,10%.

Embraer dispara após balanço e supera R$ 100

A Embraer é o grande destaque positivo da sessão, com as ações EMBJ3 subindo mais de 5%, cotadas a R$ 97,15, depois de atingirem o patamar de R$ 100 pela primeira vez durante o pregão. A disparada veio na esteira da divulgação do balanço do segundo trimestre, que veio acima do esperado pelo mercado e reforçou a confiança dos investidores na trajetória de recuperação da companhia. O papel sustenta a maior alta do Ibovespa no momento e responde por parte relevante do volume negociado na bolsa.

O setor de fundos imobiliários, por outro lado, não acompanha o entusiasmo: o IFIX recua 0,66%, aos 3.746 pontos, registrando nova mínima do dia. A sessão também é marcada pela movimentação no Congresso, que entra em uma semana decisiva de negociações envolvendo a política de preços dos combustíveis, a discussão sobre a escala 6×1 e o marco regulatório dos minerais críticos. Esses temas devem pautar o noticiário político e podem influenciar os ativos domésticos nos próximos dias.

Exterior: inflação americana e tensão geopolítica no radar

Nos mercados internacionais, a atenção dos investidores está voltada para a publicação do CPI dos Estados Unidos, agendada para quarta-feira. O dado deve fornecer pistas sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve, após um período de incertezas quanto à persistência inflacionária. A expectativa em torno do número explica parte da desvalorização das moedas emergentes e da aversão a risco observada nos mercados acionários globais.

No campo geopolítico, o petróleo opera em alta pelo segundo dia consecutivo, com o gás natural subindo 4,55% na NYMEX para contratos de setembro. O Irã endureceu o discurso e passou a exigir indenizações dos EUA pelos danos sofridos durante o conflito militar dos últimos cinco meses, enquanto o presidente americano afirmou que orientou seus representantes a incluir firmemente demandas semelhantes em todas as futuras negociações. A retórica elevada mantém o risco de interrupção do fluxo de petróleo na região, o que justifica o prêmio de risco embutido nos preços das commodities energéticas.

No cenário doméstico, a pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda mostrou avanço nas intenções de voto no presidente Lula em um eventual segundo turno, que subiu para 47%, ante 46% na medição anterior. O senador Flávio Bolsonaro apareceu com 44%, uma leve queda em relação aos 45% registrados no levantamento do dia 3 de agosto. Os números reforçam o ambiente de incerteza política que tem permeado as negociações no Congresso e adicionam volatilidade às projeções para os ativos brasileiros nas próximas semanas.