Ibovespa recua com IBC-Br fraco; Casas Bahia cai 30%

O Ibovespa amanheceu o pregão desta segunda-feira sem direção única e passou a operar no campo negativo no fim da manhã, pressionado pela combinação de indicador de atividade mais fraco que o esperado, noticiário político e tensão no Oriente Médio. Por volta das 10h40, o principal índice da B3 recuava 0,06%, aos 166.829,95 pontos; minutos depois, renovou a mínima do dia com baixa de 0,12%, aos 166.735,85 pontos. No câmbio, o dólar comercial cedia terreno e era negociado a R$ 5,20, enquanto a curva de juros futuros avançava.

O índice de volatilidade da bolsa brasileira, o VXBR, abriu em forte alta de 10,16%, aos 19,52 pontos, sinalizando maior apreensão entre os investidores. O movimento ocorre depois de o Banco Central divulgar o IBC-Br de junho, considerado a prévia do PIB, que veio pior do que a expectativa do mercado, e em meio à leitura dos agentes sobre o Boletim Focus, que manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,02% e reduziu a estimativa para o crescimento do PIB de 2027.

IBC-Br fraco e Focus no centro das atenções

O IBC-Br registrou queda de 0,6% em junho, na comparação com maio, segundo o Banco Central. O resultado ficou abaixo da projeção de consenso e indica perda de fôlego da economia brasileira no segundo trimestre. O indicador, que funciona como sinalizador do ritmo do Produto Interno Bruto, sugere crescimento de apenas 0,2% no trimestre encerrado em junho ante o primeiro trimestre.

O economista-sênior do Inter, André Valério, avaliou que a leitura confirma a desaceleração da atividade e a maior dependência do setor externo, sobretudo do agronegócio e da exploração de petróleo. A expectativa do banco era de alta de 0,5% no segundo trimestre, acima do ritmo implícito no IBC-Br, mas ainda assim uma desaceleração notável ante o primeiro trimestre. Segundo ele, sem o desempenho do agro, a retração da atividade chegaria a 0,9% em junho. A projeção da casa é de PIB de 1,8% em 2026, cenário que, na visão do banco, permite ao Copom seguir com o ciclo de calibração da Selic e encerrar o ano com a taxa básica em 13,25%.

O Boletim Focus, divulgado nesta manhã, manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,02% e reduziu a estimativa para o PIB de 2027. Essa combinação reforça o diagnóstico de atividade mais lenta com inflação ainda pressionada, pano de fundo que sustenta a cautela do comitê de política monetária e mantém o mercado atento à trajetória da economia brasileira.

Casas Bahia despenca após recuperação judicial

As ações da Casas Bahia (BHIA3) despencam 30% no pregão desta segunda, após o pedido de recuperação judicial. O movimento reflete o agravamento da crise de liquidez da varejista, que esbarrou na impossibilidade de renovar o endividamento no mercado internacional. A companhia vinha negociando operações de crédito no exterior, especialmente nos Estados Unidos, como alternativa para debelar o aperto financeiro, mas as tratativas não avançaram.

Para Júlio Moretti, CEO da NEOT, o prejuízo de R$ 10,1 bilhões registrado no segundo trimestre de 2026 assusta numa primeira leitura, mas engana quem o interpreta como resultado operacional das lojas. O tombo, dezoito vezes superior à perda apurada no mesmo período de 2025, é explicado pelo executivo como resultado de baixas contábeis: ágio, créditos tributários, contratos que não performaram conforme o projetado e o fechamento de pontos de venda. São perdas que não passam pelo caixa, decorrentes, principalmente, do reconhecimento de que a companhia não deve gerar lucro no horizonte próximo, o que restringe a possibilidade de recuperar tributos.

Moretti também contesta a narrativa de que o e-commerce teria inviabilizado as lojas físicas. Para ele, os dados não confirmam essa tese: a varejista opera com margem reduzida e a loja de rua segue funcional. O que existe é uma concorrência intensa no ambiente digital, com Mercado Livre, Shopee, Amazon, Shein e TikTok Shop redesenhando o comércio eletrônico brasileiro, que movimentou R$ 235,5 bilhões em 2025. Na avaliação do executivo, nenhuma varejista chegou à Justiça por perder participação de mercado, mas sim por não conseguir renovar seu endividamento.

Durigan condiciona juros civilizados ao ajuste fiscal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, durante a 27ª Conferência Anual Santander, que o país precisa tratar a irresponsabilidade fiscal com a mesma intolerância que consagrou no combate à inflação alta. Ele lembrou o período de hiperinflação e das trocas de moeda nos anos 1980 para classificar a estabilidade monetária como um ganho civilizacional que não pode ser abandonado. Na visão do ministro, o próximo passo é estender esse padrão de rigor às decisões fiscais sem lastro, evitando medidas sem fonte de receita e a ampliação de privilégios.

Durigan também defendeu que a discussão sobre crédito no Brasil passa necessariamente por juros civilizados, e que um dos caminhos para isso é o ajuste das contas públicas. Ele lembrou que, desde a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2023, o governo projeta trajetória de superávit e que já praticamente zerou o déficit público. O ministro citou ainda um ajuste de aproximadamente 2 pontos percentuais do PIB na gestão atual e afirmou esperar que, ao demonstrar previsibilidade fiscal, o país avance para a redução da taxa de risco.

A fala de Durigan ocorre em momento de atenção do mercado com o cenário político e com a trajetória da dívida pública. Para ele, ainda é preciso estabilizar o endividamento, mas o resultado primário desde 2024 contribui para a previsibilidade. O ministro disse que o desafio de endereçar os juros aparece tanto no desenvolvimento nacional quanto no ambiente empresarial, em conversas com empresários.

OAB-SP propõe mandato fixo para ministros do STF

Em meio ao noticiário político que pressiona o humor do mercado, a OAB-SP divulgou um documento com propostas para a Suprema Corte. A entidade defende a fixação de mandato de 12 anos para os ministros do STF e a criação de idade mínima para o cargo, como forma de responder à percepção pública de falta de integridade e transparência no tribunal.

A proposta, ainda em discussão, mexeria no modelo atual de composição da Corte e precisaria de apoio político para avançar. Em um dia marcado pela cautela dos investidores, o tema integra o noticiário político acompanhado pelo mercado, ao lado dos indicadores econômicos e dos desdobramentos externos.

Wall Street alterna sinais com Oriente Médio no radar

Em Nova York, os principais índices acionários abriram o dia de forma mista, com os investidores acompanhando os desdobramentos das conversas no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz segue praticamente sem tráfego, o que mantém o petróleo em alta, ainda que com amplitude reduzida. Do lado positivo, ações de tecnologia dão suporte ao sentimento.

O estrategista-chefe de mercado da Wren Sterling, Rory McPherson, avaliou que houve uma mudança nas expectativas de taxas de juros, o que ajuda a explicar o rali recente do setor de tecnologia, depois de um julho relativamente tranquilo, marcado por resultados corporativos fortes. Por volta da abertura, o Dow Jones recuava 0,29%, o S&P 500 avançava 0,04% e o Nasdaq subia 0,19%.

B3 amplia mercado a termo com FIIs e BDRs

A B3 (B3SA3) informou que passou a oferecer, a partir desta segunda-feira, 164 novos ativos para negociação no mercado a termo. A medida amplia o leque de fundos imobiliários e BDRs disponíveis para esse tipo de operação, que já movimentou mais de R$ 12 bilhões em volume acumulado em 2026, com ticket médio de R$ 189 mil.

Os novos ativos ampliam as possibilidades de negociação para os participantes do mercado de capitais local. A inclusão de FIIs e BDRs na lista reforça a diversificação das estratégias dos investidores, que passam a contar com mais instrumentos para gestão de carteira.