O Ibovespa opera em queda nesta sexta-feira (11), pressionado pelo desempenho negativo das ações da Petrobras, enquanto o mercado digere os dados de inflação divulgados no Brasil e nos Estados Unidos. O volume financeiro somava R$ 3,72 bilhões ao longo da manhã, em uma sessão de liquidez moderada e agenda carregada. O dólar comercial recuava a R$ 5,09 e os juros futuros também apontavam para baixo.
A leitura predominante é de que a desinflação captada pelo IPCA pode representar um alívio apenas passageiro, uma vez que o comportamento do câmbio, a trajetória do petróleo e as condições climáticas seguem como fontes de preocupação para os preços. O núcleo do CPI americano, por sua vez, veio mais quente do que o consenso, o que reabriu espaço para discussão sobre alta de juros na maior economia do mundo.
Em Brasília, o dia reserva novos capítulos. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de parte da investigação sobre o Banco Master, enquanto a agenda prevê a divulgação de pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial — combinação que tende a elevar a volatilidade ao longo do pregão.
Petróleo em baixa e Petrobras pressionam o índice
A Petrobras figura entre os principais vetores negativos do Ibovespa, acompanhando o recuo das cotações do petróleo no mercado internacional. O mesmo movimento da commodity ajudou a sustentar a alta de Wall Street, que avançou após a publicação do relatório de inflação de agosto e a queda nos preços do barril.
Com o desempenho da estatal, o Ibovespa recuava rumo aos 187,2 mil pontos. A pressão sobre a bolsa brasileira não veio apenas do exterior: os investidores também repercutiram os indicadores domésticos de preços e a movimentação institucional em Brasília, que ganhou novos contornos ao longo da manhã.
Em paralelo, a ausência de um catalisador positivo doméstico relevante manteve o apetite por risco contido, com o mercado optando por acompanhar o noticiário político e os dados econômicos antes de assumir posições mais direcionais.
Núcleo do CPI acima do consenso reacende debate sobre juros
Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor subiu 0,4% em agosto, após avanço de 0,1% em julho, em linha com as previsões do mercado. O núcleo do indicador, contudo, registrou alta de 0,3%, acima do esperado pelo consenso, o que abriu espaço para a discussão sobre uma eventual elevação dos juros.
O debate ganhou força porque Kevin Warsh havia declarado em Jackson Hole que apoiaria uma alta nos juros caso os índices de preços ao produtor e ao consumidor viessem aquecidos. A leitura do núcleo acima do consenso, portanto, foi lida como um sinal de alerta para a trajetória da política monetária americana, tema central da macroeconomia global neste momento.
Ainda assim, Wall Street subiu após a divulgação do relatório de inflação, beneficiada também pelo recuo do petróleo. O movimento das bolsas americanas contrastou com a cautela observada no mercado brasileiro, onde a combinação de fatores externos e domésticos limitou o apetite por risco.
Dólar à vista, PTAX e juros futuros
O dólar comercial zerou as perdas e passou a operar estável a R$ 5,102 ao longo da manhã, depois de ter recuado a R$ 5,09 no início do pregão. O Banco Central informou a segunda parcial da PTAX com compra a R$ 5,0903 e venda a R$ 5,0909, e a terceira parcial com compra a R$ 5,1001 e venda a R$ 5,1007.
Os juros futuros, por sua vez, recuaram, em um movimento que sugere acomodação das expectativas para a trajetória da política monetária no curto prazo. A combinação de câmbio estável e taxas em queda ajudou a conter uma deterioração mais acentuada dos ativos domésticos ao longo da sessão.
No campo do posicionamento, a gestora Kapitalo, após ganho de mais de 3% em agosto, passou a apostar no real e a reduzir posições em juros no Brasil. Os fundos multimercados da casa tiveram retornos expressivos no mês passado com ações e agora buscam oportunidades também em juros no Reino Unido e na Zona do Euro.
STF, Banco Master e Datafolha no radar político
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo de parte da investigação sobre o Banco Master, decisão que colocou o tema novamente no centro das atenções do mercado. A medida amplia a visibilidade sobre os desdobramentos do caso e sobre eventuais implicações institucionais.
No mesmo dia, a Polícia Federal afirmou que Vorcaro soube da operação antes da prisão e tentou sair do país. A informação adiciona um elemento factual relevante à investigação e reforça a percepção de que o caso seguirá produzindo desdobramentos nos próximos dias.
A agenda do dia ainda inclui a divulgação de pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial. Levantamentos eleitorais costumam influenciar a formação de preços em ativos brasileiros, especialmente em momentos de maior incerteza sobre o cenário fiscal e regulatório.
Giro do Ibovespa: FLRY3 lidera altas e CSNA3 despenca
Entre as maiores altas do dia até aqui, a FLRY3 avançava 1,48%, cotada a R$ 21,27. Na sequência apareciam GOAU4, com ganho de 1,04% a R$ 11,63, SANB11, com alta de 0,84% a R$ 30,17, BRAP4, com valorização de 0,67% a R$ 22,53, e EMBJ3, com avanço de 0,48% a R$ 96,28.
No campo negativo, a CSNA3 registrava a maior queda do índice, recuando 5,15% a R$ 6,82. MGLU3 cedia 3,54% a R$ 5,73, seguida por BEEF3, com baixa de 3,02% a R$ 3,86, BBSE3, com desvalorização de 2,91% a R$ 40,00, e YDUQ3, com perda de 2,18% a R$ 9,87.
A dispersão entre ganhos e perdas evidencia um pregão sem direção setorial única, no qual a performance individual das companhias tem pesado mais do que qualquer movimento coletivo do índice.
Trump marca 11 de setembro com discurso no Pentágono
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu proteger o país para as gerações futuras e afirmou que Washington continuará combatendo ameaças terroristas. As declarações foram feitas durante a cerimônia que marcou o 25º aniversário dos ataques de 11 de setembro, realizada no Pentágono, onde ele e a primeira-dama, Melania Trump, ouviram a leitura dos nomes das 184 pessoas mortas naquele local.
Trump afirmou que o patrocinador número um do terrorismo nunca terá uma arma nuclear, em referência ao regime iraniano, e agradeceu aos americanos que lutaram na chamada Guerra ao Terror. Em entrevista à Fox News, ele também disse não se arrepender da guerra com o Irã, apesar do possível custo eleitoral, argumentando que não acredita na palavra arrependimento.
China eleva importação de soja e mira veículos autônomos
O Ministério da Agricultura da China elevou sua estimativa de importações de soja para 108 milhões de toneladas na safra 2025/26, um aumento de 4,7 milhões de toneladas em relação à projeção do mês anterior. A demanda acima do esperado e a melhora nas margens de esmagamento de óleo explicam a revisão, embora o total projetado siga abaixo das 109,37 milhões de toneladas registradas no ciclo anterior.
Para a temporada 2026/27, o governo chinês projeta compras externas de 95,5 milhões de toneladas, número estável ante a estimativa de agosto. No caso do milho, a estimativa de importação foi reduzida para 5 milhões de toneladas, contra 1,83 milhão de toneladas no ciclo anterior, uma vez que as principais regiões produtoras receberam insolação adequada e umidade do solo suficiente em agosto.
Na frente industrial, o Ministério da Indústria divulgou um plano de ação para fortalecer o setor de veículos elétricos inteligentes, com o objetivo de implantar em larga escala unidades com direção autônoma até 2030. O plano prevê adoção da condução automatizada em rodovias, vias expressas urbanas e determinadas vias municipais, além de metas para que várias montadoras chinesas figurem entre as dez maiores do mundo em vendas.
Modi e Putin se reúnem antes da cúpula do BRICS
A Índia informou que o primeiro-ministro Narendra Modi e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, concordaram em fortalecer ainda mais a relação especial entre os dois países durante conversas que abrangeram áreas como energia e defesa. O encontro foi o segundo entre os dois líderes em duas semanas.
A reunião ocorreu na véspera da cúpula anual dos líderes do BRICS na capital indiana, da qual devem participar o presidente da China, Xi Jinping, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, entre outros. O bloco busca ampliar sua visibilidade internacional, ainda que seus membros permaneçam divididos em relação à guerra no Irã.
Nova Délhi tenta equilibrar sua posição diplomática, mantendo laços fortes com os Estados Unidos, os países árabes do Golfo Pérsico, a Rússia, o Irã e Israel, enquanto enfrenta o impacto das interrupções no transporte marítimo e no comércio decorrentes das guerras na Ucrânia e no Irã.





