O Ibovespa começou a segunda-feira no azul, mas a sessão virou e a bolsa brasileira voltou a recuar, deixando o patamar dos 172 mil pontos para trás. No meio da manhã, o índice operava por volta dos 171,5 mil, em um dia de ajuste acompanhado pela alta do dólar comercial para R$ 5,09 e pelo avanço das taxas dos juros futuros. O noticiário doméstico trouxe ainda o boletim Focus com cortes nas projeções de inflação e de PIB para 2026, além de uma semana marcada por negociações no Congresso envolvendo combustíveis, a jornada 6×1 e os minerais críticos.

Ibovespa renova mínimas e abandona os 172 mil

O índice passou por um movimento de deterioração gradual ao longo da manhã. Primeiro, renovou a mínima com queda de 0,31%, aos 171.979,60 pontos. Na sequência, ampliou as perdas para 0,46%, aos 171.726,62 pontos, e depois aprofundou o recuo para 0,57%, aos 171.530,91 pontos, nível que sedimentou a saída do território dos 172 mil.

O comportamento do mercado foi marcado por oscilações relevantes entre os ativos de maior liquidez. As ações da Vale (VALE3) chegaram a renovar máxima com alta de 1,15%, a R$ 75,84, mas a valorização perdeu força ao longo da sessão: os papéis recuaram 0,05%, a R$ 74,94, antes de passarem a subir novamente, com ganho de 0,44%, a R$ 75,30.

Dólar comercial renova máxima e PTAX chama atenção

No câmbio, o dólar comercial renovou a máxima do dia, com alta de 0,34%, cotado a R$ 5,100. A segunda parcial da PTAX apontou compra em R$ 5,0964 e venda em R$ 5,0970, indicando pressão contínua sobre a moeda brasileira.

Os juros futuros também avançaram, reforçando o tom negativo dos ativos locais. A combinação de câmbio mais caro, curva de juros em alta e bolsa em queda compõe um cenário de cautela para o mercado doméstico, que segue atento ao noticiário político e à trajetória da política econômica. O movimento reforça o ambiente de correção para os investimentos locais, com o investidor reduzindo posições de risco.

Boletim Focus reduz projeções de inflação e PIB para 2026

O boletim Focus divulgado nesta segunda-feira trouxe revisões para baixo tanto nas estimativas de inflação quanto nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026. A atualização numérica passou a compor o radar dos agentes financeiros, que ajustam seus modelos com base nas novas expectativas captadas pela pesquisa do Banco Central.

A revisão das estimativas se soma a um calendário intenso de eventos macroeconômicos e políticos, que tende a manter a volatilidade elevada nos mercados. Com as novas projeções em mãos, os investidores passam a acompanhar com mais atenção os próximos dados de inflação e atividade, além das sinalizações do Banco Central sobre os rumos da política monetária no curto prazo.

Congresso entra em semana de negociações sobre pautas sensíveis

O Congresso Nacional inicia uma semana de negociações relevantes para o governo, com destaque para as discussões sobre o preço dos combustíveis, a proposta da escala de trabalho 6×1 e o marco regulatório dos minerais críticos. A agenda entra em uma fase em que o Executivo tenta acelerar as votações antes que a campanha eleitoral comece a reduzir o ritmo do Legislativo.

A articulação política ocorre em um cenário de janela apertada, o que aumenta a pressão sobre as lideranças do governo para garantir avanço nas pautas consideradas prioritárias. A tramitação desses temas é acompanhada de perto pelo mercado, que avalia possíveis impactos sobre preços, emprego e investimentos em setores estratégicos da economia.

Embraer (EMBJ3) dispara 6% e supera R$ 100 na esteira do balanço

As ações da Embraer (EMBJ3) operavam com forte alta, por volta de 6%, e superavam o patamar de R$ 100 na sessão desta segunda-feira. O movimento veio na esteira da divulgação dos resultados do segundo trimestre, que vieram acima do esperado pelo mercado, e da elevação das projeções da companhia para o ano.

O desempenho do papel colocou a fabricante de aeronaves entre os principais destaques positivos do pregão. O balanço foi recebido como um sinal de consistência operacional, embalado pela melhora de rentabilidade e pelas perspectivas de expansão da capacidade de produção da empresa nos próximos anos.

Executivos da Embraer projetam expansão e citam cenário geopolítico favorável

Em apresentação do balanço do segundo trimestre, o diretor-presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, e o vice-presidente financeiro, Felipe Santana, afirmaram que a rentabilidade do setor de aviação comercial deve continuar melhorando no segundo semestre e, principalmente, nos próximos anos. A projeção é de que a empresa alcance, em 2030, capacidade de produção de 110 a 120 aviões comerciais por ano, com melhora no nivelamento da produção já a partir de 2027.

Os executivos indicaram ainda que o grupo deve apresentar crescimento da lucratividade superior ao das receitas nos próximos anos. A avaliação é de que o cenário geopolítico atual tem sido benéfico para os negócios, tanto no segmento de defesa quanto no de aeronaves comerciais, reforçando a perspectiva otimista para a companhia no médio e longo prazo.

Banco Central planeja internacionalizar o Pix e se defende de ataques dos EUA

O Banco Central estuda a integração do Pix com sistemas de pagamentos instantâneos de outros países, em um movimento que ampliaria a eficiência e reduziria o custo das transações internacionais. A informação consta da segunda edição do Relatório de Gestão do Pix, publicada nesta segunda-feira, e ganha relevância em um contexto de ataques do governo dos Estados Unidos ao modelo brasileiro.

Segundo o BC, estão em discussão tanto interligações bilaterais quanto a participação em hubs multilaterais. A proposta prevê a realização de remessas internacionais e transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos, um salto em relação à posição adotada no relatório de 2023, que tratava a integração com sistemas internacionais apenas como uma possibilidade futura.

Pix amplia base de participantes e acelera em transações e volume financeiro

O relatório mostra que o Pix encerrou 2025 com 926 instituições participantes, um crescimento de 5,6% em relação ao ano anterior. As instituições de pagamento (IPs) lideraram a quantidade de transações na perspectiva pagadora, com participação de 50%, uma alta de 3,7 pontos percentuais ante 2024, enquanto os bancos múltiplos responderam por 35%, uma queda de 2,1 pontos percentuais.

Em 2020, os bancos múltiplos representavam 55,8% da quantidade de transações e as instituições de pagamento, 25,5%. No valor transacionado, os bancos múltiplos seguiram na liderança, com 61,3%, recuo de 0,4 ponto percentual, enquanto as IPs ficaram com 21,3%, um avanço de 0,4 ponto. O número de transações cresceu 25,7% em 2025, chegando a quase 80 bilhões, e o volume financeiro avançou 33,8%, ultrapassando R$ 35 trilhões.

Outro dado relevante é a mudança no perfil de uso: em 2020, 85% das transações ocorriam entre pessoas físicas. Em 2025, as transferências de pessoas físicas para pessoas jurídicas representaram 43% do total, um aumento de 4 pontos percentuais em relação a 2024 e de 37 pontos percentuais quando comparado ao ano de lançamento da ferramenta.

Wall Street sem direção e tensão geopolítica no radar

Os principais índices de Nova York operavam próximos da estabilidade, sem forças para definir uma direção consistente. O Dow Jones recuava 0,13%, enquanto o S&P 500 subia 0,09% e o Nasdaq avançava 0,04%. Na abertura, os índices exibiam leve viés negativo, com perdas de 0,04%, 0,05% e 0,07%, respectivamente.

No cenário geopolítico, o Irã reafirmou que não reabrirá o Estreito de Ormuz sem concessões dos Estados Unidos. O governo iraniano condiciona qualquer flexibilização à suspensão do bloqueio e ao pagamento de indenizações pelos danos de guerra acumulados ao longo dos últimos meses, mantendo o risco de tensão no radar dos mercados internacionais.

Terremoto na Colômbia derruba prédios em Cali

Na América Latina, um terremoto atingiu a cidade colombiana de Cali nesta segunda-feira e provocou o desabamento de pelo menos 20 prédios, com pessoas presas no interior dos edifícios. A informação foi confirmada pelo prefeito da cidade, Alejandro Eder, que solicitou equipes de Bogotá e Medellín para reforçar os trabalhos de resgate.

O prefeito informou que há pessoas presas no interior dos edifícios e que a cidade solicitou equipes de Bogotá e Medellín para ajudar nos trabalhos de resgate. Ainda não foram divulgados detalhes sobre o número total de feridos ou a extensão completa dos estragos.