
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 3 de junho, em forte queda de 2,22%, aos 170.330 pontos, com o mercado absorvendo simultaneamente a escalada das tensões no Oriente Médio, novas ameaças tarifárias de Washington e a recalibragem das expectativas para os juros no Brasil. O dólar comercial avançou para R$ 5,07, refletindo o aumento da aversão ao risco global.
Fatores que derrubaram a bolsa
O índice oscilou entre a mínima de 170.007,55 pontos e a máxima de 174.192,19 pontos ao longo do dia. O volume financeiro totalizou R$ 28,1 bilhões, sinalizando intensa movimentação de saída de posições.
A combinação de fatores foi direta: o conflito entre Estados Unidos e Irã permanece sem solução diplomática clara, os preços do petróleo seguiram em alta no mercado internacional e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs tarifas adicionais de até 12,5% sobre produtos de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil.
A justificativa americana envolve supostas falhas no combate à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além disso, o debate em torno do PIX como suposto impactante de empresas norte-americanas ganhou espaço nas discussões comerciais.
Dados americanos reforçam juros elevados por mais tempo
Os relatórios de emprego dos EUA amplificaram o movimento de cautela. O relatório JOLTS, divulgado na terça-feira, e o ADP, publicado nesta quarta, superaram as estimativas do mercado, sinalizando uma economia americana ainda aquecida.
Para Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, os dados reforçam a leitura de política monetária mais restritiva à frente. “Isso aumenta a expectativa de uma política monetária mais contracionista”, afirmou Trotta, destacando que a atividade resiliente nos EUA reduz a margem do Federal Reserve para cortes de juros em 2026.
No Brasil, o mercado também passou a incorporar um cenário de taxas mais elevadas por período mais prolongado, diante de sinais de inflação persistente e resiliência da atividade doméstica. O impacto direto foi a pressão sobre ativos de risco e o encarecimento das expectativas de crédito.
Blue chips lideram as perdas
As perdas foram generalizadas entre as principais ações do índice. Vale (VALE3) recuou 3,78%. No setor bancário, BTG Pactual (BPAC11) registrou a maior queda, de 4,77%, seguido por Santander (SANB11), com -2,34%, Bradesco (BBDC4), com -2,14%, Itaú Unibanco (ITUB4), com -2,12%, e Banco do Brasil (BBAS3), com -1,81%.
A Petrobras também fechou no vermelho, mesmo com a alta do petróleo no exterior. As ações ordinárias (PETR3) caíram 1,12% e as preferenciais (PETR4) recuaram 0,77%, evidenciando que o pessimismo macroeconômico sobrepôs o efeito positivo da commodity.
Maiores baixas e destaques positivos
Entre as maiores quedas do índice, Azzas (AZZA3) liderou com recuo de 8,48%, seguida por Hapvida (HAPV3), com -8,26%, e Cosan (CSAN3), com -7,73%. Na contramão, Copasa (CSMG3) foi o destaque positivo do pregão, com alta de 13,34%. Minerva (BEEF3) avançou 2,29% e Suzano (SUZB3) subiu 1,95%.
Bolsas de Nova York também fecham em queda
As bolsas americanas encerraram o dia no campo negativo, interrompendo uma sequência de quatro recordes consecutivos de fechamento. O movimento refletiu os mesmos vetores que pesaram sobre o Brasil: tensão geopolítica, pressão sobre expectativas de juros e incerteza comercial.
O cenário reforça a relevância do acompanhamento contínuo do mercado de investimentos para quem mantém posições em renda variável brasileira e internacional. Com o feriado de Corpus Christi na quinta-feira, 4 de junho, a liquidez tende a permanecer reduzida nos dias seguintes, ampliando a volatilidade nas reaberturas do mercado.





