
O Ibovespa engatou nesta quarta-feira (2) a mais forte alta diária desde julho, com a nova rodada da pesquisa eleitoral Quaest no centro dos negócios. O índice foi além dos 186 mil pontos na máxima, depois de subir mais de 6 mil pontos, e por volta do meio da tarde operava na casa dos 184,6 mil, acumulando ganho de cerca de 2,74% e registrando o maior nível intradiário em quatro meses.
A sessão foi marcada por alívio no câmbio e na curva de juros, com o dólar comercial recuando a R$ 5,103 e os juros futuros cedendo diante da redução do prêmio de risco político. Investidores e gestores que acompanham investimentos de renda variável encontraram um ambiente de ampla recuperação, sustentado por blue chips e por papéis mais ligados ao ciclo doméstico.
O exterior também ajudou: nas Bolsas de Nova York, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq operavam em alta, enquanto o índice DXY recuava. O dado de produção industrial e novas sinalizações do Banco Central completaram o pano de fundo do pregão.
Nova pesquisa Quaest muda o humor do mercado e sustenta o rali
A Quaest trouxe um cenário de Lula com sete pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno, o que reduziu parte da incerteza que vinha travando os negócios. No segundo turno, a simulação aparece empatada, cenário que impediu uma euforia ainda maior, mas não tirou o ímpeto do mercado nesta quarta.
A leitura predominante entre agentes financeiros foi a de que a disputa segue viva, mas com menor chance de ruído institucional no curto prazo. Com isso, os ativos brasileiros passaram por um reprecificação ao longo da tarde, com fluxo comprador concentrado em ações de maior liquidez.
No plano institucional, o ministro Edson Fachin afirmou que vai anunciar as medidas cabíveis e necessárias após a divulgação de mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Vorcaro prestou depoimento sem a presença da Polícia Federal, e o ministro André Mendonça disse que a decisão teve como objetivo preservar a segurança física e psicológica do depoente.
Blue chips, bancos e varejo puxam a bolsa ao maior nível em quatro meses
O rali foi liderado por ações de grande peso na B3. Os bancos operaram em alta consistente, e o Banco do Brasil (BBAS3) foi o principal destaque do grupo, com valorização de 5,68%, a R$ 22,29. O movimento ajudou a levar o Ibovespa ao maior nível intradiário em quatro meses.
A Vale (VALE3) também sustentou boa parte do avanço: após subir mais de 4%, os papéis reduziram os ganhos e apareciam com altas de 2,20% a 2,32%, na faixa de R$ 80,02 a R$ 80,12. A Petrobras igualmente contribuiu, com PETR3 em alta de 1,66% e PETR4 subindo 2,07%.
O movimento se espalhou para o varejo, com MGLU3 e AZZA3 disparando durante a tarde e reforçando o caráter amplo do rali. A combinação de bancos, mineradora, petroleira e varejistas deu densidade ao pregão e elevou o giro financeiro na B3.
Siderúrgicas avançam, frigoríficos sobem e Casas Bahia despenca
No setor siderúrgico, os ganhos foram expressivos: Gerdau (GGBR4) subia 4,10%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançava 4,17%, Usiminas (USIM5) ganhava 2,77% e a CSN (CSNA3) registrava alta de 1,39%. O desempenho refletiu o apetite por ativos industriais e a melhora das expectativas para a atividade doméstica.
Os frigoríficos também passaram a operar no campo positivo, com BEEF3 subindo 0,52% e MBRF3 ganhando 1,80%, em um dia de clima majoritariamente comprador na B3.
No polo oposto, a Casas Bahia (BHIA3) caía 20,00%, cotada a R$ 0,72, depois de dois pregões de ganhos expressivos. Mesmo com o tombo desta quarta, o papel ainda acumula alta de cerca de 80,00% na semana, evidenciando o comportamento errático e especulativo do ativo.
Dólar recua a R$ 5,10 e juros futuros perdem força
O dólar comercial caiu 1,02% e passou a ser negociado a R$ 5,103 na venda, depois de oscilar entre R$ 5,098 e R$ 5,170. A moeda americana refletiu tanto o movimento político local quanto o recuo do dólar no mercado global.
O DXY, referência internacional da moeda americana, operava em baixa de 0,08%, aos 99,60 pontos. Com o exterior mais calmo e o noticiário doméstico sendo absorvido, os juros futuros perderam força e passaram a recuar ao longo da estrutura a termo.
O Ibovespa Futuro também refletia o otimismo e subia 2,82%, para 187.380 pontos. O Russell 2000, índice formado por small caps americanas, avançava 1,02%, ampliando o sinal de apetite por risco internacional.
Produção industrial e Comitê do Banco Central entram no radar macro
O IBGE divulgou que a produção industrial brasileira avançou 0,20% em julho, dado que passou a integrar a leitura dos investidores sobre o ritmo da atividade econômica. O indicador reforça o diagnóstico de gradualismo e ajuda a explicar a busca por ativos de maior risco na sessão.
O Banco Central, por sua vez, divulgou a ata da 66ª reunião do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), na qual avalia que as condições financeiras globais se tornaram marginalmente mais restritivas desde o encontro anterior. O comitê citou vulnerabilidades persistentes nas principais economias, mas destacou que a liquidez global permanece elevada e favorece os ativos emergentes.
No detalhamento, o BC observou alta da inadimplência nos Estados Unidos e crescimento do crédito privado americano, com aumento dos riscos associados a essa expansão. Na China, a leitura aponta desaceleração do crédito bancário e menor rentabilidade dos bancos, sem comprometer a resiliência dos indicadores de capital.
Wall Street, commodities e eventos internacionais movimentam a tarde
O exterior contribuiu para o clima de recuperação. Dow Jones subia 0,39%, S&P 500 avançava 0,41% e Nasdaq ganhava 0,35%, com destaque também para a alta de 1,02% do Russell 2000. Nos futuros da NYMEX, o contrato de gás natural para outubro tinha valorização de 2,07%.
No setor de energia, a Casa Branca informou que os barris de petróleo venezuelanos negociados a preço de custo podem chegar às reservas nacionais em novembro. A declaração adiciona mais um capítulo ao noticiário de energia e será monitorada de perto pelo mercado.
Lá fora, o rial iraniano caiu para uma nova mínima histórica, acima de 2,2 milhões por dólar no mercado livre, com desvalorização de cerca de 10% na última semana. O diretor-geral da OMS, por sua vez, pediu que a resposta ao surto de Ebola na República Democrática do Congo seja ampliada, depois de o número de mortes ultrapassar 3 mil.
Cosan, agropecuária e construção completam o noticiário
No campo corporativo, o Goldman Sachs manteve recomendação neutra para Cosan (CSAN3). A avaliação da instituição é a de que a venda de ativos deve permanecer como tema central da companhia nos próximos meses, algo que deve seguir no foco dos investidores.
Na agropecuária, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) enviou ofício ao Itamaraty pedindo o acionamento do Mecanismo de Reequilíbrio de Concessões (MRC) após a decisão da União Europeia de barrar a carne brasileira. A entidade também solicitou uma investigação sobre a qualidade do azeite de oliva importado pelo país; 89% das quase 90 mil toneladas compradas em 2025 tiveram origem em países da UE, com destaque para Portugal, Espanha e Itália.
No setor de materiais de construção, o Summit Americas e a ExpoShow vão reunir lideranças e tomadores de decisão de 28 países para discutir inteligência artificial, varejo e o futuro do setor, ampliando a agenda de debates do segmento nos próximos dias.





