
Em sessão marcada por volatilidade, o Ibovespa encerrou a segunda-feira (17) com recuo de 0,09%, aos 166.783,57 pontos, ampliando para dez o número de quedas consecutivas e registrando a pior sequência negativa desde 2023. O movimento ocorreu em meio à pressão do setor de bancos após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, além da permanência de incertezas fiscais, eleitorais e geopolíticas no radar dos investidores. O dólar à vista, por sua vez, fechou em baixa de 0,36%, cotado a R$ 5,2012.
Bancos recuam com recuperação judicial da Casas Bahia
O Índice Financeiro (IFNC) caiu 1,49%, com o setor bancário operando em bloco no negativo. A notícia que orientou o movimento foi o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, depois de a varejista registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. As ações BHIA3 tombaram 33%.
Para os analistas do JP Morgan, a crise da Casas Bahia pode abrir espaço para a concorrência. Em relatório, o banco avaliou que o cenário tende a se traduzir em posição competitiva mais favorável para o Magazine Luiza, especialmente no canal físico, onde a Casas Bahia é concorrente-chave com escala semelhante.
IBC-Br fraco e cenário eleitoral no radar
No plano doméstico, os investidores repercutiram o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) abaixo do esperado, com recuo de 0,6% ante a mediana de queda de 0,5% da pesquisa Projeções Broadcast. O dado reforçou a leitura de perda de tração da atividade econômica e a expectativa de moderação do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2026 (2T26).
No campo político-eleitoral, a nova pesquisa BTG Pactual/Nexus mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.
Para o economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, o Ibovespa tem mostrado incapacidade de se beneficiar da queda dos juros domésticos, com a Selic em 14% ao ano. O índice segue refém das incertezas eleitorais e da trajetória fiscal, somadas ao desfecho ainda indefinido do conflito no Oriente Médio, combinação que mantém o capital estrangeiro afastado da bolsa.
Pesos pesados e destaques do pregão
A Vale (VALE3), que detém 11% de participação do índice, fechou em alta de 0,15%, a R$ 71,41, na contramão do minério de ferro na bolsa de Dalian, que recuou 0,7%, cotado a 706,5 yuans (US$ 104,79). As ações da Petrobras também subiram, acompanhando o avanço do Brent: PETR3 ganhou 1,35%, a R$ 47,46, e PETR4 avançou 0,90%, a R$ 42,47. Juntos, bancos, Petrobras e Vale respondem por 50% da carteira do Ibovespa.
Na ponta negativa, a Suzano (SUZB3) liderou as perdas, com queda de 3,45%, a R$ 40,58. Na ponta positiva, o Magazine Luiza (MGLU3) saltou 8,18%, a R$ 4,23, depois do tombo da Casas Bahia.
Exterior: Treasuries e petróleo pressionam Wall Street
Nos Estados Unidos, os índices acionários fecharam em baixa, com o avanço do petróleo e dos títulos do Tesouro norte-americano pressionando a renda variável. O Treasury de 30 anos superou a marca de 5,3%, a maior desde 2007. O Dow Jones caiu 0,51%, aos 53.459,78 pontos; o S&P 500 recuou 0,52%, aos 7.745,06 pontos; e o Nasdaq teve baixa de 0,32%, aos 26.644,911 pontos.
O cenário geopolítico seguiu tenso no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã caso o país fique no meio do caminho dos planos norte-americanos para o Estreito de Ormuz. Trump disse ainda que os EUA não buscam uma prorrogação do memorando de entendimento com o Irã, enquanto Teerã ameaçou mudar sua política para “totalmente ofensiva” se as negociações diplomáticas com os Estados Unidos não avançarem.
Na Europa, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa, com o Stoxx 600 recuando 0,22%, aos 656,41 pontos. Na Ásia, os índices terminaram sem direção única: o Nikkei subiu 0,74%, aos 69.220,25 pontos, e o Hang Seng avançou 1,34%, aos 25.453,23 pontos.





