
O lucro líquido da Fleury (FLRY3) atingiu a marca de R$ 222 milhões no segundo trimestre de 2026. Esse resultado representa uma forte alta de 46% na comparação anual. Com isso, os números superaram as projeções do mercado, ficando 15% acima da estimativa da XP Investimentos e 17% acima do Itaú BBA. Em resposta, as ações FLRY3 registraram forte valorização nesta sexta-feira (7), operando com alta de 12,57%, cotadas a R$ 19,45.
Receita consolidada e margens em expansão
As receitas líquidas consolidadas da companhia somaram R$ 2.317 milhões no trimestre. Esse valor aponta um avanço de 14,4% ano a ano, ficando 2,1% acima do projetado pela XP e 3,5% acima do Itaú BBA.
Outros indicadores operacionais também mostraram resiliência:
- O EBITDA da empresa alcançou R$ 613 milhões, um crescimento de 15,2% na base anual.
- A margem EBITDA ficou em 26,5%, superando as estimativas dos dois bancos em cerca de 18 a 20 pontos-base.
- No acumulado do primeiro semestre, a receita saltou 12%, um número bem acima da média histórica de crescimento da empresa, que orbita a faixa de 7% ao ano.
Um dos fatores que impulsionaram o lucro foi a queda nas despesas de depreciação e amortização (D&A). Esse indicador recuou de R$ 230 milhões no primeiro trimestre de 2026 para R$ 215 milhões no segundo trimestre. De acordo com a empresa, esse recuo refletiu menores investimentos nas áreas de TI e digital. Além disso, a companhia registrou uma alíquota efetiva de imposto de 22%.
Itaú BBA destaca marca forte e mantém recomendação de compra
O principal destaque positivo na visão do Itaú BBA foi o desempenho orgânico da marca Fleury. Segundo os analistas Vinicius Figueiredo, Lucca Marquezini e Felipe Amancio, a marca de maior valor agregado da empresa cresceu 12% ao ano de forma orgânica, superando a estimativa de 9%.
O banco também elogiou os resultados de caixa da companhia:
- Houve geração de R$ 430 milhões em free cash flow (fluxo de caixa livre), representando um yield de 4,5%.
- A dívida líquida da Fleury caiu R$ 139 milhões, excluindo fusões e aquisições (M&A), dividendos e pagamentos de Juros sobre Capital Próprio (JCP).
- A companhia anunciou a distribuição de R$ 218 milhões em JCP aos seus acionistas.
Com esse cenário, o Itaú BBA manteve a recomendação Outperform (desempenho acima da média), com preço-alvo de R$ 19,00 para 2026. O banco vê a Fleury como um nome defensivo atraente, especialmente para um ambiente macroeconômico que pode se tornar mais desafiador.
XP Investimentos mantém posição neutra e prega cautela
Por outro lado, a XP Investimentos adotou um tom mais cauteloso, apesar de reconhecer a boa execução operacional. O banco focou na divisão New Links da companhia. Esse segmento apresentou uma receita de R$ 202 milhões no 2T26, revertendo as quedas de 13% vistas tanto em 2025 quanto no primeiro trimestre de 2026. O crescimento de 16% na base anual superou os R$ 191 milhões esperados pela corretora. Para o analista Gustavo Tiseo, essa recuperação aponta sinais de aceleração sustentável, especialmente na área de oncologia.
Apesar dos bons números, a XP reiterou a recomendação Neutra para o papel, com preço-alvo de R$ 18,00. A corretora argumenta que o segundo semestre de 2026 trará comparações difíceis frente a um período já muito forte registrado no segundo semestre de 2025.
Além disso, o analista aponta ventos contrários no horizonte:
- A consolidação da integração com a clínica Femme exigirá atenção do mercado.
- O valuation atual, negociado a cerca de 12 vezes o lucro estimado para 2027, está muito próximo do múltiplo da Rede D’Or (13 vezes).
- Para a XP, esse patamar indica que boa parte do momento positivo já estaria precificada nas ações.
A teleconferência de resultados, programada para esta sexta-feira, deve trazer mais clareza aos investidores sobre a sustentabilidade da queda nas despesas e os próximos passos da integração da Femme





