A incorporadora Plano & Plano (PLPL3) comunicou ao mercado, nesta segunda-feira, 10 de agosto, a assinatura de um novo acordo de acionistas que formaliza a despedida da Cyrela Brazil Realty (CYRE3) do conselho de administração da companhia. A reestruturação societária substitui o pacto firmado em 2020 e altera a configuração do colegiado, que hoje conta com seis cadeiras, duas delas ocupadas por executivos ligados à investidora.

Segundo os termos divulgados pela empresa, a própria Cyrela manifestou formalmente a intenção de não seguir na administração da Plano & Plano e de não indicar membros para o conselho. O movimento ocorre depois de anos de participação da investidora na gestão da incorporadora e faz parte de um processo mais amplo de revisão das regras que regem a relação entre os sócios.

Saída da Cyrela redefine conselho da Plano & Plano

Com a decisão, Efraim Horn, copresidente da Cyrela e atual vice-presidente do conselho da Plano & Plano, deixa o posto, assim como Miguel Mickelberg, diretor financeiro da investidora, que também integra o colegiado. A recomposição abre espaço para uma nova dinâmica de governança na incorporadora, que passará a contar apenas com representantes dos fundadores e de outros acionistas no órgão.

A movimentação acontece em um momento de maturação institucional da Plano & Plano, que realizou sua oferta inicial de ações na B3 após a assinatura do acordo original. Com o IPO, diversos dispositivos previstos no pacto de 2020 perderam a finalidade, seja por terem cumprido seu papel, seja por terem se tornado dispensáveis diante da nova realidade da companhia.

Em comunicado, as partes indicaram que o objetivo é manter a empresa dentro dos princípios e parâmetros que nortearam a listagem no Novo Mercado da B3. A atualização dos termos, portanto, busca alinhar o pacto societário ao estágio atual de governança e às exigências do segmento de listagem, sem alterar a estrutura de controle da incorporadora.

Os números do novo acordo de acionistas

O novo pacto envolve diretamente os fundadores da Plano & Plano, os empresários Rodrigo Luna e Rodrigo Von Uhlendorff, e a Cyrela. Luna detém 22,8% de participação, enquanto Von Uhlendorff controla 15,5% do capital; a Cyrela, por sua vez, segue como a maior acionista individual, com 33,4% de participação. Com isso, as três partes concentram a maior parcela do capital da companhia, o que confere ao acordo um papel central na definição dos rumos societários.

A manutenção da Cyrela como acionista relevante, mesmo sem assento no conselho, preserva a presença da investidora no quadro societário da Plano & Plano. O documento completo do novo acordo foi disponibilizado na área de relações com investidores do site da companhia, permitindo que o mercado acompanhe todos os detalhes da reestruturação.

Por que o acordo de 2020 precisou ser atualizado

O acordo original, firmado em 2020, foi desenhado em um contexto anterior à abertura de capital da Plano & Plano. À época, a estrutura de governança e os mecanismos de proteção entre os sócios tinham função distinta da que passaram a ter depois da listagem da empresa no Novo Mercado. Com a maturação da companhia, as partes entenderam que era necessário revisar os termos para refletir o novo estágio institucional.

As próprias acionistas descreveram o momento como uma atualização natural do pacto, já que muitos dispositivos originais haviam se tornado desnecessários ou já haviam cumprido sua finalidade. A revisão também é vista como um passo para adequar o acordo às melhores práticas de governança exigidas de empresas listadas, em um movimento que tende a ser bem recebido por investidores que acompanham o segmento de investimentos em renda variável.

Antecedentes e a estratégia da Cyrela no setor

A saída da Cyrela do conselho da Plano & Plano não é um caso isolado. Neste ano, a investidora também deixou o colegiado da Cury, outra incorporadora na qual detinha participação, sob o argumento de que a empresa já tinha administração madura e não dependia de sua presença no conselho. O movimento indica uma estratégia de distanciamento gradual das posições de gestão em empresas investidas.

A decisão ocorre em um cenário de aceleração dos negócios da Cyrela no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) por meio da marca própria Vivaz, que atua justamente no mesmo segmento de Cury e Plano & Plano. Com a saída dos conselhos, a Cyrela reduz possíveis conflitos de governança e reforça seu foco na operação direta do programa habitacional, em vez de atuar como gestora de outras companhias do setor.