O Itaú BBA passou a recomendar que investidores ampliem a fatia de ações classificadas como bond proxies em suas carteiras, movimento que acompanha apelo semelhante feito pelo Bank of America. A tese, apresentada pelo banco em sua série de debates Bull & Bear realizada em 10 de setembro, segundo apurou o InfoMoney, parte da expectativa de desaceleração da economia brasileira em 2027 e de um eventual ciclo de queda dos juros reais.
O banco destaca infraestrutura e companhias sensíveis à trajetória da Selic como seu principal tema de investimentos, com preferência por empresas capazes de entregar retornos reais de dois dígitos. A lógica é que negócios com menor dependência do ciclo econômico e maior sensibilidade aos juros tendem a se beneficiar quando a política monetária relaxa.
Tese ancorada em correlação negativa com juros reais
Segundo o levantamento do BBA, as bond proxies exibem hoje a maior correlação negativa com os juros reais entre as categorias analisadas, com leitura de -0,42 em 12 meses. O número supera o de empresas domésticas (-0,35), financeiras (-0,32) e commodities e exportadoras (-0,17).
Entre os segmentos, shopping centers lideram a sensibilidade, com correlação de -0,55 com os juros reais de 10 anos. Na sequência aparecem utilities (-0,41), rodovias (-0,39) e telecomunicações (-0,37).
Para o banco, esse comportamento reforça a atratividade dessas companhias num cenário de redução dos juros, sobretudo diante da possibilidade de a atividade econômica perder tração em 2027.
Itaú BBA coloca Axia, Equatorial e Multiplan na liderança
As principais escolhas do BBA são Axia (AXIA3), Equatorial (EQTL3) e Multiplan (MULT3), que oferecem exposição a infraestrutura, utilities e shopping centers. Na carteira mais ampla de empresas sensíveis a juros, o banco mantém ainda Eneva (ENEV3), Sabesp (SBSP3), Copel (CPLE3) e Allos (ALOS3).
No segmento elétrico e de saneamento, Eneva é a preferência: a companhia tem mais de 75% do Ebitda contratado até 2030, potencial de alta de 13% e catalisadores que podem acrescentar até R$ 3,50 por ação até o fim de outubro. Axia surge com dividend yield médio estimado em 12,5% entre 2026 e 2029, enquanto Energisa e Equatorial exibem potenciais de valorização de 70% e 66%, nessa ordem.
Entre as administradoras de shopping centers, a escolha é Multiplan, por conta da exposição a ativos voltados ao público de alta renda e do histórico de repasse de preços. A companhia negocia com taxa interna de retorno real de cerca de 11%, prêmio de 300 pontos-base sobre a média histórica de 250 pontos-base, e é vista pelo banco como a principal beneficiária da reforma tributária a partir de 2027. Em transportes, Ecorodovias (ECOR3) é a preferida, com retorno interno real de aproximadamente 12% ancorado em tráfego resiliente, receitas atreladas à inflação e margens estáveis, enquanto Rumo (RAIL3) e Hidrovias (HBSA3) podem sofrer pressão nos resultados caso o El Niño prejudique os volumes de grãos no próximo ano. Em telecomunicações, a postura é neutra, com Vivo (VIVT3) à frente por sua resiliência de receita média por usuário e exposição ao público de alta renda, e dividend yield perto de 8% para 2026, contra o yield de aproximadamente 12% da TIM (TIMS3), que enfrenta ritmo mais fraco de crescimento da base de assinantes.
BofA elege Equatorial, Ecorodovias e Allos; cautela em telecom
O Bank of America, que também recomenda ampliar a exposição a bond proxies, aponta Equatorial (EQTL3), Ecorodovias (ECOR3) e Allos (ALOS3) entre suas favoritas. Equatorial é a principal escolha em energia para um cenário de maior apetite a risco, dada a sensibilidade aos juros de curto prazo e uma TIR real de cerca de 12%.
Axia (AXIA3), por sua vez, pode se sair bem tanto num ambiente de maior apetite a risco quanto num cenário defensivo: o BofA destaca o maior beta da companhia dentro de sua cobertura e um dividend yield estimado entre 11% e 15% em 2026 e 2027. Para investidores mais cautelosos, a ISA Energia (ISAE4) é a principal opção defensiva, com TIR real de aproximadamente 10% e potencial de alta superior a 15% caso seja solucionada sua obrigação previdenciária.
O BofA, que projeta a Selic a 11,25% em 2027, mantém ainda preferência por Motiva (MOTV3) e Ecorodovias em relação à Rumo (RAIL3). Apesar de considerar as TIRs do setor de shoppings pouco atrativas frente a outras bond proxies, o banco mantém a Allos como principal escolha. Assim como o BBA, o BofA vê Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) com cautela.





