
O Itaú BBA retomou a cobertura da Brisanet (BRST3) com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 3,20 para o fim de 2027, o que corresponde a um potencial de valorização de 13% sobre a cotação utilizada no relatório. Na mesma atualização, o banco revisou as estimativas da Unifique (FIQE3), manteve recomendação de compra e fixou preço-alvo de R$ 6,40 para o fim de 2027, com upside de 33%. Com isso, a Unifique segue como a escolha preferida do Itaú BBA entre os provedores regionais de internet.
Para a Brisanet, os analistas reconhecem o histórico de crescimento e o valor da infraestrutura construída no Nordeste, mas avaliam que a relação entre risco e retorno está mais equilibrada nos níveis atuais. Faltam catalisadores de curto prazo, e o banco enxerga necessidade de investimentos elevados na expansão do 5G em um ambiente de mercado regional mais desafiador.
Brisanet: risco-retorno equilibrado após trajetória orgânica
“Poucas histórias no setor brasileiro de telecomunicações são tão particulares quanto a da Brisanet”, afirmam os analistas do Itaú BBA. A companhia nasceu no interior do Nordeste, construiu organicamente uma operação de fibra óptica de grande escala e agora usa essa estrutura para avançar na telefonia móvel. O banco reconhece o valor desse conjunto, mas entende que as condições mais desafiadoras do mercado nordestino, a necessidade de investimentos vultosos no 5G e a ausência de catalisadores de curto prazo justificam uma postura cautelosa.
O relatório também destaca o dividend yield relativamente baixo, estimado em cerca de 2% para 2026 e 2,8% para 2027. Segundo os analistas, esses níveis oferecem “proteção limitada contra quedas” diante das incertezas macroeconômicas, especialmente por se tratar de uma empresa de menor capitalização e com liquidez restrita.
A ação, porém, negocia a um múltiplo considerado atrativo: 3,3 vezes o EV/Ebitda projetado para 2027. A recomendação neutra indica que o banco prefere aguardar maior visibilidade sobre a execução da estratégia nos próximos anos antes de adotar uma leitura mais construtiva.
Banda larga: menos expansão, mais monetização da rede
Fundada há mais de 30 anos, a Brisanet cresceu de forma inteiramente orgânica até se tornar o maior provedor regional de internet do Nordeste. A rede cobre mais de 7,2 milhões de domicílios, conecta cerca de 1,6 milhão de residências e tem participação próxima de 18% no mercado regional. A companhia lidera o segmento de fibra óptica em sete dos nove estados nordestinos.
A operação é verticalmente integrada, com rede própria, torres, cerca de 117 mil quilômetros de fibra óptica e aproximadamente 300 data centers. O Itaú BBA avalia que esse conjunto representa “um histórico raro de execução puramente orgânica”.
Na banda larga, a estratégia, porém, mudou. Em vez de acelerar a expansão da cobertura, a companhia passou a priorizar a monetização da infraestrutura existente e o aumento da taxa de ocupação da rede, atualmente próxima de 22%. A empresa também passou a privilegiar um ARPU mais saudável — a receita média por usuário — em vez do crescimento acelerado da base. No segundo trimestre de 2026, o ARPU B2C subiu 6,6% na comparação anual, para R$ 92,60.
O reflexo apareceu nas adições líquidas: cerca de 26 mil novos clientes no primeiro semestre de 2026, ante aproximadamente 67 mil no mesmo período de 2025.
Expansão móvel e Centro-Oeste concentram apostas e riscos
A telefonia móvel é, na avaliação do banco, a principal via de crescimento da Brisanet. Desde o fim de 2023, a companhia utiliza espectro próprio de 5G no Nordeste para oferecer pacotes que combinam telefonia móvel e internet por fibra óptica. A base superou recentemente 1 milhão de acessos e responde por cerca de 11% da receita bruta consolidada. A expectativa é que essa participação alcance aproximadamente 26% até 2030.
“A execução da operação móvel é a principal variável da tese de investimento”, afirma o relatório. A adesão inicial, impulsionada principalmente pela portabilidade, foi positiva, mas ainda há incerteza sobre a participação de mercado que a companhia conseguirá alcançar e sobre a rentabilidade do negócio em maior escala.
A Brisanet também iniciou a expansão para o Centro-Oeste, com as primeiras vendas comerciais em Goiás, e pretende cobrir 115 cidades da região até o fim de 2026, apoiada por investimento inicial próximo de R$ 100 milhões. Para o BBA, o sucesso dessa expansão ainda precisa ser comprovado. O movimento testa se o modelo adotado no Nordeste é replicável em uma região onde a empresa não tem presença relevante em fibra óptica nem o mesmo reconhecimento de marca.
Há ainda o peso das obrigações de cobertura do 5G, que se estendem até 2029. O banco estima desembolsos de cerca de R$ 700 milhões por ano em 2026 e 2027, o que deve manter o fluxo de caixa livre pressionado no curto prazo.
Concorrência, alavancagem e perfil econômico do Nordeste
O perfil econômico da região ainda é estruturalmente desafiador, com consumidores mais sensíveis a preço, tíquete médio menor e churn mensal de aproximadamente 2,1% na banda larga. Na avaliação do banco, essa combinação limita o poder de precificação da companhia e torna os reajustes mais graduais, sobretudo em um ambiente de juros elevados.
O mercado segue fragmentado, com provedores menores disputando clientes principalmente por preço. O Itaú BBA também enxerga o risco de Vivo, TIM e Claro aumentarem o foco no Nordeste em razão da concorrência mais intensa nas regiões Sul e Sudeste. Na telefonia móvel, um ambiente mais promocional e o avanço das operadoras móveis virtuais (MVNOs) podem dificultar a expansão.
No balanço, a alavancagem também aparece como ponto de atenção. A dívida líquida equivale a cerca de 2,2 vezes o Ebitda, o que torna os resultados mais sensíveis ao cenário macroeconômico e à evolução da concorrência. Para o banco, isso pode gerar volatilidade durante o ciclo de investimentos e reduzir a flexibilidade para alocar capital.
Unifique segue como ação preferida do Itaú BBA
Além da revisão da Brisanet, o Itaú BBA atualizou as estimativas para a Unifique (FIQE3) e manteve recomendação equivalente a compra. O novo preço-alvo é de R$ 6,40 para o fim de 2027, com potencial de valorização de 33%. A companhia também negocia a 3,3 vezes o EV/Ebitda projetado para o próximo ano.
“A Unifique continua sendo nossa escolha preferida entre os provedores regionais de internet”, afirmam os analistas. O BBA destaca o churn de 1,48% na banda larga, abaixo dos cerca de 2,1% da Brisanet, e o ARPU próximo de R$ 130. A companhia atua em região com perfil econômico mais favorável e tem alavancagem controlada, de 0,9 vez a dívida líquida sobre o Ebitda.
O banco também projeta dividend yield de 6,6% para 2027. Além disso, vê a Unifique como possível consolidadora do mercado de telecomunicações no Sul ou como potencial alvo de aquisição em um eventual processo de consolidação do setor brasileiro de banda larga.
Entre as duas companhias, portanto, o Itaú BBA segue com a Unifique como preferida no segmento de provedores regionais de internet. Para quem acompanha ações do setor, a Brisanet permanece sob cobertura com recomendação neutra, à espera de mais evidências sobre a execução do plano de crescimento.





