
As ações da Azzas 2154 (AZZA3) saltaram mais de 14% nesta quarta-feira (2) após o anúncio de uma das reorganizações societárias mais aguardadas pelo mercado: a separação oficial dos negócios de Alexandre Birman e Roberto Jatahy. Por volta das 12h28, o papel subia 11,68%, cotado a R$ 16,83.
A reestruturação prevê a criação de duas companhias abertas independentes, ambas listadas no Novo Mercado da B3, com administração e governança próprias. De um lado, volta a Arezzo&Co, controlada pelo Bloco Birman. De outro, a SOMA, liderada pelo Bloco Jatahy.
O que muda na estrutura societária
Além da separação das duas gigantes, o acordo prevê a formação de uma nova sociedade que reunirá a marca Farm e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula. Nessa estrutura, as ações serão detidas por Arezzo&Co e SOMA, em proporções de 57,4% e 42,6%, respectivamente, com gestão e governança próprias.
Na avaliação do sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a separação ataca diretamente os descontos que o mercado vinha aplicando à Azzas. Entre eles, a complexidade de governança, as dificuldades de integração, o risco de canibalização entre marcas e a baixa visibilidade sobre o valor individual de cada negócio.
Por que o mercado reagiu com otimismo
Lemos destaca que a companhia vinha de um resultado fraco no segundo trimestre de 2026, com queda de 8% da receita líquida e recuo de 420 pontos-base na margem Ebitda ajustada. Mesmo assim, o papel negociava a apenas 3,8 vezes o valor de firma em relação ao Ebitda previsto para 2026, e 5,6 vezes o lucro, o que indicava que “muito pessimismo já estava no preço”.
“A alta de hoje não significa necessariamente que as empresas separadas serão mais rentáveis. O mercado parece precificar que, com maior foco, governança mais simples e cada negócio sendo avaliado individualmente, a soma das partes pode valer mais do que o conglomerado vinha valendo na bolsa”, explica Lemos.
Farm é o ativo central da reestruturação
A Farm, marca carioca criada por Kátia Barros e Marcello Bastos, desponta como o ativo mais estratégico da operação. “A Farm é fundamental nessa conta”, afirma Lemos.
Estimativas citadas por gestores ouvidos em julho indicam que a marca deve encerrar 2025 com receita próxima de R$ 3,3 bilhões, sendo mais de R$ 1 bilhão proveniente do exterior. O valuation estimado da Farm gira em torno de R$ 5,1 bilhões, segundo as mesmas projeções.
A joia da coroa
O JP Morgan calcula que a marca poderia valer entre R$ 4,4 bilhões e R$ 5,5 bilhões. O número chama ainda mais atenção quando comparado ao valor de mercado de toda a Azzas, de cerca de R$ 3,46 bilhões.
Na prática, se a Farm vale mais do que o grupo inteiro, o mercado estaria atribuindo valor negativo ao restante do portfólio da companhia. Essa leitura, no entanto, foi considerada exagerada por gestores na época.
Parte do mercado chegou a defender que o grupo poderia vender seu ativo de maior relevância justamente para demonstrar que vale mais do que vem sendo precificado, diante da discrepância entre o valor de uma única marca e o conglomerado como um todo.





